EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

Publicado em 24 de Junho de 2013 as 10:17:56 AM Comente
Texto Básico: Josué 24:14-18,22,24
 
“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus,  em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”(Josué 24:15).
INTRODUÇÃO
Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus,  em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR“. Esta é uma afirmação de fé por Josué no Antigo Testamento. Este versículo expressa o coração de um grande líder espiritual no final de sua vida. Nestas palavras simples encontramos a vontade de Deus expressamente afirmada. Josué é o exemplo de um homem que persistiu em ser fiel a Deus e que foi recompensado por sua fé. Mas ele fez questão de reafirmar a fé em Deus para a sua família.
Josué tomou a decisão junto com sua família para servir ao Senhor. Será que você e sua casa servirão ao Senhor? Precisamos estar cientes de que nossas decisões têm consequências boas ou más, não só sobre nós, mas também sobre outras pessoas. A decisão egoísta afeta nossas famílias de forma negativa. Da mesma forma, a decisão de servir a Deus influencia positivamente nossas famílias.  A família que serve fielmente ao Senhor jamais será destruída. Devemos servir ao Senhor e fazer tudo ao nosso alcance para ver que a nossa família siga o nosso exemplo. Que possamos dizer com ousadia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.
I. JOSUÉ - UMA DECISÃO EXEMPLAR
1. A firme tomada de posição. Josué, ao término de seu governo, tomou uma posição firme e resoluta ao lado de sua família. Quando exortava o povo a se definir, ante a idolatria, ele disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Ele deixou patente aos olhos do povo que a vida de adoração e fidelidade a Deus não pode dispensar a dimensão familiar.
A vida espiritual de Josué era tal que não bastava que ele, individualmente, servisse a Deus, mas se fazia necessário que fosse acompanhado de sua família e, por isso, havia se dedicado a cuidar para que sua casa também lhe seguisse. Obviamente que o fato de os seus filhos e demais descendentes serem fiéis a Deus era consequência de uma opção própria, mas a fidelidade, a obediência e o exemplo de Josué tinham sido fundamentais, preponderantes para que os seus resolvessem seguir-lhe no serviço e adoração ao Senhor. Certamente, Josué reforçara esta necessidade ao vislumbrar o triste caso de Acã que, no seu desatino, acabou levando toda a sua família à perdição (Js 7:24-26). Acã pecara e levara toda a sua família a pecar com ele, pois, do modo como procedeu, fica claro que sua família estava ciente do pecado e com ele consentiu, dele se fazendo participante. É realmente triste quando a família deixa a graça de Deus (”Acã” significa “desgraça”) e se deixa levar pelo pecado. Pense nisso!
2. O perigo da omissão dos pais. A maior parte dos ataques contra a família cristã tem sucesso porque os lideres do lar não tomam posição desde cedo. Muitas vezes, as crianças são criadas fazendo o que bem querem e entendem. Os adolescentes ficam entregues a si mesmos, e os jovens tem absoluta independência. Esse é um modelo de família que não corresponde aos princípios bíblicos. A educação tardia, quando já são adolescentes ou jovens, tende a perder sua eficácia. A decisão de servir a Deus com a família deve ser o mais breve possível. Famílias que aceitam a Cristo, quando os filhos já são grandes tem maior dificuldades em levá-los aos pés do Senhor. A Palavra de Deus recomenda aos pais que criem os seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ec 6:4b). Essa decisão deve ser prioritária na vida dos pais. Assim agiu Josué, porque ele sabia que, de outra forma, não haveria esperança para o seu lar.
Paulo nos adverte: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”(1Tm 5:8). O sacerdote Eli viu a glória de Israel desvanecer-se porque não corrigiu com energia os seus filhos néscios. Por não ter cuidado dos seus, teve sua casa amaldiçoada, perdeu os dois filhos num único dia e morreu com a péssima notícia do roubo da arca da aliança.
II. O EXEMPLO DECISIVO E CORAJOSO DE NOÉ
1. Noé andou com Deus. ”Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gn 6:9). Noé tinha qualidades importantíssimas para um servo de Deus: era “varão justo” e “reto em suas gerações”. Além disso, ele tinha a “graça” de Deus (Gn 6:8).
Não seria maravilhoso se um dia Deus dissesse de você: “este é um homem justo e reto.” Ou: “esta é uma mulher reta(íntegra)”. Não é isto que você gostaria de ser? Mas por que Noé foi considerado um homem justo e reto? A Bíblia afirma: “Noé andava com Deus”.
Lembra-se de Abraão? Ele é chamado “o Pai da Fé”. Um dia Deus Se apresentou a ele e disse-lhe: “…Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17:1). Tudo que Deus esperava de Abraão era que ele andasse com Deus. O resultado disso seria uma vida de perfeição.
O que dizer de Davi? A Bíblia afirma que: “… achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração...” (Atos 13:22). Ah se um dia Deus pudesse dizer isso de nós! O que mais poderíamos esperar? Mas, por que foi que Davi tornou-se “o homem conforme o coração de Deus”? Qual era a maior obsessão da vida de Davi? Nos Salmos 116 encontramos: “Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes“ (Salmos 116:9).
Você percebeu que existe uma frase que é denominador comum na vida de todos os homens mencionados? Isso mesmo! A frase é: “Andou com Deus“. Todos eles foram perfeitos porque andaram com Deus. Existia um relacionamento maravilhoso de amor entre Deus e eles. Em sua experiência, tinham chegado ao ponto de não conseguirem mais viver separados de Deus. Por isso Deus os considerou perfeitos, santos, justos, íntegros e retos.
O interessante é que há sempre alguma coisa curiosa na vida de todos eles:
- Noé um dia ficou embriagado a tal ponto que tirou a roupa e ficou nu, dando um vexame para toda sua família. A despeito disso, Deus diz que ele era justo e reto entre seus contemporâneos.
- Abraão um dia foi tão covarde que teve medo de dizer que Sara era sua mulher e afirmando que era sua irmã, quase empurrou Faraó ao adultério. Os resultados teriam sido terríveis se Deus não interviesse milagrosamente. Mas, sabe o que Deus diz dele? “Abraão era perfeito”. O apóstolo São Paulo até o chama de “o pai da fé“.
- E o que dizer de Davi? Um dia ele mergulhou nas águas turvas do assassinato, da intriga e do adultério. E sabe o que a Bíblia diz dele? Que Davi era um homem “conforme o coração de Deus”.
Para os seres humanos, uma pessoa é perfeita, santa, justa, íntegra, quando nunca comete nenhum erro, quando faz tudo certinho, quando cumpre todas as normas, leis e regulamentos. Para Deus, uma pessoa é perfeita quando se dispõe a andar com Ele, quando faz de Cristo o mais importante da vida. Quando compreende tudo o que Cristo fez na cruz por ele e clama por um novo coração capaz de amar, quando sente dor por todo o sofrimento que causou a Cristo com seus erros passados. Para Deus uma pessoa é perfeita quando olha para a cruz e se apaixona por Cristo a ponto de dizer: Ó Senhor Jesus, eu Te amo. Eu Te amo tanto que sem Ti a vida não tem sentido. Ajuda-me, por favor a andar Contigo!
Nesse instante, o maravilhoso Deus de amor derrama lágrimas de alegria e segura a fraca mão do homem com Sua mão poderosa. E no instante daquele toque, o passado fica apagado para sempre, não importa se fomos bêbados ou covardes, adúlteros ou assassinos, tudo fica enterrado. Porque naquele momento passamos a ocupar o lugar de Cristo. Ele nos oferece Seus méritos, Sua vida vitoriosa, Seu caráter perfeito e ao mesmo tempo toma sobre Si os nossos pecados e sofre a punição que merecemos por causa deles.
Enfim, Noé andou com Deus fielmente num mundo todo entregue ao pecado; nós devemos e podemos também. Ele é um exemplo significante para os pais de família de hoje, que vivem num mundo cujas características morais são semelhantes às do mundo na época de Noé. Os pais precisam andar com Deus para poderem ver sua família salva.
2. Vivendo numa sociedade corrompida. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6:5,11,12). Noé viveu numa das épocas mais terríveis, em termos morais e espirituais, um mundo corrompido, como o mundo atual, que desdenha da santidade, e valoriza a promiscuidade pecaminosa do homem sem Deus. A corrupção, a violência, a depravação sexual e outros males eram globais. Em toda a história, houve pecaminosidade, mas nos dias atuais essa pecaminosidade tem sido aumentada em índices muito elevados que ultrapassam o que havia no tempo do patriarca do Dilúvio. Este é o tempo que precede a volta de Jesus (Mt 24:37,39). Pais de família estão perplexos quando veem seus filhos sendo levados pela onda avassaladora de imoralidade e corrupção. O que fazer? O exemplo de Noé é marcante e inspira confiar no Deus Todo-Poderoso.
3. A salvação de Noé e sua família. Apesar de todo o clima de rebeldia e de maldade reinantes na face da Terra, Noé alcançou graça aos olhos do Senhor. E como era um homem justo e temente ao Senhor, Deus revelou a Noé o Seu propósito de destruir o mundo, mas também o de salvá-lo da destruição, não somente a ele, como também a toda a sua família (Gn 6:18). Após essa revelação divina, Noé se esforçou para que o propósito divino se tornasse realidade.
Deus prometeu que salvaria Noé, mas Noé teve de construir a arca, como sinal de sua fé e obediência. Além de fé na palavra do Senhor e da obediência à ordem divina, o gesto de Noé em construir a arca revelou, também, o amor que tinha aos seus familiares (Hb 11:7). Esse amor de Noé também se evidencia pelo fato de ter propagado a mensagem divina a todos os homens de seu tempo durante a construção da arca (2Pe 2:5). Esta pregação, naturalmente, começou com a sua própria família, pois Noé tinha o propósito de salvar a sua família e, ao iniciar a construção da arca, deu conhecimento aos seus familiares do que se tratava.
A família de Noé foi salva, mas porque creu na mensagem pregada por ele. A salvação da família de Noé estava no propósito de Deus e a arca foi construída de forma a acolhê-la durante o dilúvio, porém esta salvação somente foi possível porque cada integrante da família de Noé entrou na arca (Gn 7:7). Caso os filhos e noras não tivessem entrado na arca, não teriam se salvado do dilúvio.
Noé fez a sua parte, construindo a arca, pregando a palavra, sendo o exemplo de fé e obediência a Deus para os seus familiares, mas a salvação dependeu do gesto de cada integrante da família. Obviamente que a fidelidade, a obediência e o exemplo dados por Noé foram decisivos para que seus familiares cressem na palavra do Senhor e entrassem na arca. Deus criou todos os meios e as condições para que a família toda fosse salva e cumpriu a Sua promessa de salvá-la, tendo os seus integrantes crido e confiado no Senhor.
Assim é que devemos também fazer com relação a nossas famílias: crer na palavra do Senhor, obedecer às ordens divinas, pregar a palavra aos nossos familiares e vivê-la para servirmos de exemplo. A decisão de se salvar é individual, depende de cada integrante da família, mas, se nos esforçarmos, seremos um elemento preponderante na escolha pela vida de nossos familiares. Deus tem interesse em salvar nossas famílias e devemos agir de modo a que isto se torne uma realidade.
III. O EXEMPLO DOS RECABITAS
Na história da humanidade Deus sempre teve um remanescente fiel que lhe agradava e não se conformava com o sistema vil do mundo. Esses lhe eram peculiares pelo fato de servirem de modelo para os povos contemporâneos e futuros. Foi assim que aconteceu com a família dos recabitas.
1. Uma família exemplar. Os recabitas eram nômades, provavelmente descendentes dos quenitas (ou queneus). Moisés era casado com uma quenita (Juízes 1:16), filha de Jetro. Este povo se juntou aos hebreus em sua caminhada para a terra de Canaã.
O ascendente direto dos recabitas foi Recabe(1Cr 2:55), sobre quem pouco sabemos. Sabemos mais sobre um de seus descendentes, Jonadabe(Jr 35:6).
O rei Saul demonstrou bondade para com eles (1Sm 15:6), pela simpatia que sempre demonstraram para com os hebreus.
Jonadabe trabalhou com Jeú, no século 9 a.C., quando o rei, contemporâneo de Eliseu, se empenhou na destruição dos seguidores de Baal em Israel(cf 2Rs 10:15-28).
A maioria dos quenitas morava em cidades, adotando um estilo de vida urbano (1Sm 30:29). No entanto, Jonadabe convocou seus descendentes a um novo tipo de vida, renovando-lhes o sentido de sua existência. Jonadabe pediu ao seu clã que conservasse uma vida simples, sem consumo de bebida alcoólica (vinho), sem construção de casas e sem a formação de fazendas. Até à época de Jeremias permaneciam fiéis ao estilo de vida implantado pelo fundador: Jonadabe, filho deRecabe. Eram miais de 200 anos de fidelidade.
Os recabitas entram na história do povo de Deus de maneira heróica. Jonadabe, fundador do clã, participou com Jeú(rei de Israel) do extermínio da casa de Acabe e dos sacerdotes de Baal, conforme 2Reis 10:15ss. Jonadabe identificou-se com aquele que zelava pelo Senhor e por fazer cumprir as palavras proféticas contra a casa de Acabe. Apesar dos desvios de Jeú e de outros líderes em Israel, os recabitas mantiveram-se fiéis à Lei de Deus, embora não passassem de forasteiros entre os hebreus.
Honravam a tradição de seus antepassados. Os recabitas foram obedientes e demonstraram respeito às tradições de seus pais - “Assim, ouvimos e fizemos conforme tudo quanto nos mandou Jonadabe, nosso pai” (Jr 35:10). Jonadabe é um exemplo de pai. Ele deixou uma instrução. Certamente, não falou apenas uma vez, mas ensinou com palavras e com atos de compromisso, e com tal intensidade, que marcou seus filhos, netos e bisnetos. É uma família exemplar. Se quisermos agradar ao Senhor, precisamos obedecer-lhe. A obediência é uma prova do nosso amor a Deus.
2. Um exemplo de fidelidade. Quando Nabucodonozor invadiu a terra de Judá, os recabitas se refugiaram em Jerusalém (Jr 30:11), e lá Jeremias foi encontrá-los, enviado por Deus. Talvez Jeremias já os conhecesse, porque eles exerciam a profissão de metalúrgicos, tão importantes à época. Talvez Jeremias deva ter pensado: “vamos ver se esse pessoal resiste ao meu convite”. Imagino que Jeremias sabia que aquela gente era cônscia de que ele era um profeta de Deus; logo, eles iam levar a sério sua palavra. Muitos, talvez, duvidassem que aqueles nômades resistissem a prova de Jeremias. Quem sabe se muitos não faziam até mesmo apostas, semelhantes àquelas que ainda são feitas quando há um desafio a enfrentar por parte de alguém que será provado. Todavia, a resposta deles foi de uma fidelidade a toda prova (cf Jr 35:6-11). Os recabitas permaneceram fiéis às suas convicções, e não desobedeceram aos princípios estabelecidos por seu antepassado (Jonadabe). Com essa dramatização, Deus queria exortar ao povo de Judá que o exemplo de fidelidade e temperança dos recabitas era digno de ser imitado. Por meio dessa dramatização Jeremias chamou a atenção para fidelidade e obediência dessa família à ordem do seu antepassado.
Por sua fidelidade, Deus recompensa os recabitas: ”E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias” (Jr 30:18,19). Todos os crentes que conhecem os ensinos divinos e os praticam fielmente para honrarem ao Senhor, à igreja e aos pais receberão a bênção e a recompensa do Senhor.
Os recabitas tornaram-se um singular exemplo de moderação, prudência e fidelidade a todo o povo de Deus. Isto nos mostra que, mesmo em tempos de grande apostasia, Deus tem servos fiéis, que não se afastam de seus mandamentos. A fidelidade aos princípios divinos fez a diferença no caso dos recabitas, e o mesmo acontece com aqueles que insistem em ser fiéis ao Senhor em tempos de esfriamento espiritual.
A fidelidade e a temperança dos recabitas ficaram gravadas para sempre nos anais da literatura bíblica como um exemplo vivo de uma devoção completa que Deus procura no homem. O propósito dos recabitas viverem separados do mal deve ser o alvo dos verdadeiros seguidores de Cristo. Todos os pais crentes devem, da mesma maneira que Jonadabe, ensinar aos filhos os princípios santos que os ajudarão a permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra. Pense nisto!
CONCLUSÃO
Assim como Josué deu um bom exemplo para sua família seguir a Deus, cada homem cristão deve fazer uma declaração semelhante à família que o Senhor lhe deu.  A quem você servirá hoje? “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.
Agradeço a Deus por mais um trimestre letivo, rico de bênçãos espirituais. Agradeço, também, a todos que me acompanharam durante este trimestre. “O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Revista Ensinador Cristão - nº 54 - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
A Família Cristã e os ataques do inimigo - Elinaldo Renovato - CPAD.
E serás salvo tu e tua casa - Dr. Caramuru Afonso Francisco - PortalEBD.


Publicado em 22 de Maio de 2013 as 07:32:44 AM Comente


TEXTO BÁSICO: Dt 6:1-9



INTRODUÇÃO


Por milhares de anos os pais sempre tiveram um papel decisivo na área de ensinar os filhos. A principal desvantagem do passado era que não havia os recursos educacionais que conhecemos hoje, e a vantagem era que uma educação centrada no lar moldava a formação do caráter de forma direta. Havia tanto convívio familiar que não sobrava aos adolescentes tempo para se envolver com más companhias. O normal era o respeito e o apego às famílias. Hoje a situação se inverte: pouco convívio familiar e muito envolvimento com  pessoas suspeitas, principalmente em escolas públicas, trazendo como resultado infelizes mudanças de comportamento, inclusive desrespeito aos valores aprendidos na família e na igreja 1. De acordo com o pr. Elinaldo Renovato, a educação cristã é mais abrangente que a educação secular. Ela prepara o individuo, não só para ser um bom cidadão na sociedade, mas para ser um cidadão do Céu, com base nos princípios espirituais e éticos, emanados da Palavra de Deus. A educação crista não é apenas informativa. Ela é prioritariamente formativa, porque se fundamenta em princípios que visam ao fortalecimento do caráter (Rm 15:4). I. EDUCAÇÃO, A MISSÃO PRIORTÁRIA DOS PAIS
1. O que significa educar? O conceito de educar vai muito além do ato de transmitir conhecimento. Educar é estimular o raciocínio, é aprimorar o senso crítico, as faculdades intelectuais, físicas e morais. O homem é um ser que precisa de orientação e informação. Esses conhecimentos são adquiridos na escola, e ela, juntamente com os pais, deve despertar nos alunos a curiosidade e a capacidade para entender o mundo que os cerca, e de ensiná-los os conceitos empregados pela sociedade.  A educação  formal é função de todos, pois aprendemos até mesmo em uma conversa com uma pessoa de outra cultura, que recebeu educação diferente da nossa, etc. Isto é, nosso aprendizado depende não só da escola, mas também de nossos familiares e das pessoas que convivemos, seja na escola, em casa ou no trabalho. A educação é algo que cabe em qualquer lugar. Todavia, a educação cristã é exclusiva da família, cujo aluno deve ser instruído nos fundamentos espirituais e morais, cujo fonte é a Palavra de Deus. Como crentes precisamos ser guiados e orientados segundo as Escrituras, pois ela nos protege das sutilezas do Maligno.

2. Educação Cristã. A educação cristã é fundada nos princípios que emanam da Palavra de Deus. Esses princípios são, antes de tudo, espirituais. Contemplam e valorizam a existência do Criador de todas as coisas, conforme a explicação da sua apalavra. Esses princípios são “clausulas pétreas”, em termos absolutos de ética e de moral. A Educação cristã é diferente da educação secular, a qual só transmite instruções e conhecimentos, deixando de lado os valores éticos, morais e espirituais. Por isso, a base da Educação Cristã é as Sagradas Escrituras. Também, a Educação Cristã é um dos mais importantes e fundamentais deveres da Igreja. A igreja, enquanto agência divina, possui três funções básicas: evangelização, adoração e ensino. Entre essas funções não existe aquela que possua maior ou menor grau de importância; todas são preponderantes. Porém, é exatamente o ensino o responsável por dar qualidade às demais. Assim, evangelização sem ensino é o mesmo que jogar a semente sem regar com água. Adoração sem ensino é pura cantoria sem propósito. Em suma, cristianismo sem ensino é ritualismo. Portanto, a educação cristã é relevante para a formação do caráter cristão e para a afixação da consciência espiritual. A falta de conhecimento da Palavra leva à destruição do povo (Os 4:6) e é uma porta aberta para a disseminação do ateísmo, inclusive no meio do povo do Senhor. Objetivos.  A Educação Cristã tem por objetivos: a) A instrução do ser humano no conhecimento divino, a fim de que ele volte a reatar a comunhão com o Criador, e venha a usufruir plenamente dos benefícios do Plano de Salvação que Deus estabeleceu em seu amado Filho. O apostolo Pauto compreendeu perfeitamente o objetivo da Educação Cristã: “admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo”(Cl 1:28). b) A educação do crente, para que este logre alcançar a perfeição preconizada nas Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16,17). c) A preparação dos santos, visando capacitá-los a cumprir integralmente os preceitos divinos da Grande Comissão: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade’ (2Tm 2:15)” - (ANDRADE, Claudionor. Teologia da Educação Cristã: A missão educativa da Igreja e suas implicações bíblicas e doutrinárias. 1 .ed. Rio de janeiro: CPAD. 2002, pp.5-6).

3. A educação nas escolas. Concordo com o pr. Elinaldo Renovato, quando diz que “vivemos em uma sociedade permissiva, onde faltam valores morais e éticos. Tanto nas escolas públicas quanto nas privadas as crianças e os jovens estão em contato com filosofias ateístas, materialistas e pragmáticas”. Segundo ele, os currículos que reúnem os conteúdos programáticos a serem transmitidos nas salas de aula são fundamentados nas filosofias e pseudociências materialistas. Tudo começa com a explicação sobre a origem da matéria, da vida, do homem, da inteligência, e de todas as coisas que existem no universo. “Embora saibam que o melhor lugar para uma criança aprender valores morais é o lar, muitos pais se sentem incapazes de dar aos filhos o conhecimento educacional que as escolas institucionais podem dar. Assim, eles enviam os filhos a essas escolas, muitas vezes temendo por sua segurança moral, espiritual e física. “As escolas públicas tem hoje uma vasta influência na vida de milhões de crianças. As crianças passam grande parte de seu tempo semanal absorvendo o que aprendem nas escolas. E o que elas estão aprendendo? “Na escola publica, as crianças estão sujeitas a absorver ensinamentos errados e as experiências negativas dos amigos. É uma socialização que desafia tudo o que ela aprendeu no lar. Nesse desafio, o maior perdedor pode ser a criança e a família. “Educar uma criança é como cultivar uma planta. Aliás, o Salmo 128:3 diz que nossos filhos são como oliveiras novas. Plantinhas devem ser cultivadas, regadas e tratadas com muita atenção. Embora o capim possa crescer sem nenhum problema em qualquer lugar, plantinhas  valiosas precisam do nosso cuidado direto. Se receber uma educação qualquer, sem princípios morais, a criança corre o serio risco de se tornar como capim, moralmente inútil. Se receber uma educação cuidadosa, ela terá tanto valor e utilidade como a oliveira”(Julio Severo). “Por isso, os pais não podem negligenciar a educação dos seus filhos. Eles precisam, com a ajuda da igreja, ser instruídos para orientar seus filhos” (Ef 6:1-4).

II. A EDUCAÇÃO NO ANTIGO E EM O NOVO TESTAMENTO

1. No Antigo Testamento. Nesse período, todas as normas ou doutrinas, de caráter espiritual, moral, social, educacional ou familiar, emanavam da Lei de Deus. As crianças, desde o berço, eram criadas segundo os mandamentos, os juízes e os estatutos de Deus (Dt 5:31). Os pais tinham a responsabilidade de ensinar os filhos a respeito dos atos do Senhor em favor do povo de Israel (Sl 78:5). Desde a tenra idade, as crianças judias aprendiam e absorviam o shema, ou o credo, que resumia o princípio fundamental de sua fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt 6:4,5). Este ensino fazia parte do dia a dia das crianças judaicas. Uma preciosa lição para a educação cristã nos dias presentes. O ditame de Deus ainda ecoa nos corações dos pais: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou  a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra” (Dt 11:18-21). O ensino também era demonstrado por meio de monumentos, como as doze pedras retiradas do Jordão, que seria memorial para que as futuras gerações se lembrassem de como Deus cumpriu sua promessa de colocar o povo na terra prometida, fazendo com que o Jordão fosse aberto na época das chuvas e o povo pudesse ultrapassar essa barreira geográfica. No futuro, as crianças perguntariam sobre aquele conjunto de pedras, e os pais deveriam contar como Deus havia realizado aquele milagre. Indubitavelmente, a educação no Antigo Testamento nos dá sugestões válidas para hoje, principalmente para a família cristã. O ensino da Palavra de Deus no lar, a educação constante, como em Deuteronômio 11:18-21, é a única esperança para termos uma família firmada nos princípios da Lei do Senhor. Os pais presentes na vida dos filhos é fator indispensável para a formação do caráter cristão. Confiar apenas na escola secular é entregar os filhos a um sistema que está totalmente contaminado com teorias materialistas e desvirtuação moral.

2. Em o Novo Testamento. Pouca informação se tem da educação nos primórdios da era cristã.  Mas, com certeza as sinagogas eram consideradas um centro de instrução onde as crianças judias aprendiam a respeito da Lei Mosaica. Sabemos que Jesus sabia ler e interpretar as Escrituras e tinha conhecimento bastante para discutir teologia com os doutores do templo (Lc 2:46-48). Ele provavelmente aprendeu em casa  e na sinagoga; recebeu a educação elementar comum à maioria dos meninos judeus daquele tempo. Os doutores da época admiravam-se da inteligência e sabedoria de Jesus, como pré-adolescente. Naturalmente, Ele era divino. mas, na ocasião, comportava-se como um menino judeu, educado pelos pais com todo o cuidado e zelo como era de se esperar. A educação de Jesus no lar e na sinagoga preparou-o para ser um cidadão completo. Além do ensino da Lei, dos livros sagrados, do Antigo Testamento, Ele foi ensinado a ter um oficio. Ele era carpinteiro (Mc 6:3), não somente filho do carpinteiro (Mt 13:55). Portanto, Jesus teve uma educação integral. Outro exemplo notável no Novo Testamento é o do jovem obreiro Timóteo. Sua educação no lar foi fundamental para a formação do seu caráter. Sua mãe e sua avó foram as responsáveis por isso. O apóstolo Paulo recomenda-o a permanecer inabalável nas Sagradas Escrituras, que havia aprendido ainda menino(2Tm 1:5,6; 3:14-17). O nosso Mestre por excelência, Jesus Cristo, é o maior incentivador do ensino. Ele não só ordena o ensino como também a observação da prática de seu ensino.  A palavra empregada por Ele na Grande Comissão (Mt 28:18-20), por si só, agrega os valores da Educação Cristã: ensinar e aprender. Neste e em outro contexto Jesus mostra a importância da prática do ensino religioso na vida do cristão (João 14:21

3. Na atualidade. Na atualidade, a Escola Bíblica Dominical é a maior e a mais acessível agência de educação cristã das igrejas evangélicas. É a maior escola do mundo. A Educação Cristã começa no lar. E é fortalecida na Escola Bíblica Dominical, onde os alunos são reunidos em classes de estudo, conforme sua faixa etária. Nela, é ensinada a Palavra de Deus, promovendo excelentes resultados, na formação espiritual, ética e moral de cada pessoa, que se converte ao Senhor Jesus Cristo. Todavia, é bom ressaltar que “a educação de nossos filhos deve começar, prioritariamente, em nosso lar, pois assim Deus recomenda em sua Palavra (Ef 6:1-4)”.

III. A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA FAMILIA

1. Os filhos são herança do Senhor. “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127:3). De acordo com o pr. Elinaldo Renovato, “galardão” é prêmio. Sempre os pais devem ser gratos a Deus pelo filho ou pela filha que nasceu no seu lar. São prêmios vivos que devem ser cuidados, guardados, e criados com muito amor. Quando alguém recebe da parte de Deus uma bênção material, um bem, como um veículo, uma casa, um dinheiro, normalmente demonstra gratidão. Há quem faça um culto de ação de graças; há quem dê um testemunho, diante da igreja local, exaltando a Deus pelas bênçãos recebidas. Mas, muitos, que são pais, esquecem-se de ser gratos a Deus pelo “galardão” vivo, que são seus filhos. Se considerarem o valor dos filhos diante de Deus, certamente terão o cuidado de dar-lhes a melhor educação que estiver ao seu alcance; procure ensiná-los e educá-los no temor do Senhor (Ef 6:1-4).

2. O ensino da Palavra de Deus no lar. Como foi dito supra, a educação cristã começa no lar. Os pais são, por natureza, os primeiros professores dos filhos. A criança conhece a Deus primeiramente através dos pais, por meio de suas atitudes e, principalmente, através do culto doméstico. Infelizmente, a maioria dos pais não faz o culto doméstico. Os filhos sequer sabem metade dos nomes dos apóstolos de Jesus. Mas grande parte sabe o nome dos personagens das novelas e dos filmes da Disney. A maioria dos filhos de cristãos não sabe o que é doutrina, e muito menos o que é admoestação. Mas, sem esses dois elementos educacionais, os filhos não poderão ter uma verdadeira formação cristã. Portanto, para criar os filhos “na doutrina e admoestação do Senhor”, faz-se necessária uma educação permanente, com ensinamentos da Palavra de Deus ministrados no próprio lar. Se isto for efetivado ainda na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida (Pv 22:6).

3. Leve seus filhos a Igreja. “A igreja deve ser a continuação do lar; e o lar, a continuação da igreja. Um deve completar o outro. Quando crianças, os pais devem leva-los à igreja. Quando adolescentes e jovens, devem ser persuadidos a ir à casa do Senhor. Se, desde crianças, forem acostumados a ir à igreja, quando jovens darão valor a essa prática saudável (Mc 10:13-16)” (pr. Elinaldo Renovato).

CONCLUSÃO
A educação cristã de nossos filhos deve ser de suma importância para nós, tanto quanto a educação secular nas escolas. Por isso, é importante levá-los à Escola Dominical, onde aprenderão sistemática e didaticamente a Palavra, por meio de histórias, leitura da Bíblia e outros meios utilizados para fazer com que as crianças entendam a fé cristã e tomem uma decisão por Cristo. Além de aprender a Palavra, eles desenvolverão amizades cristãs e já terão contato com ministérios próprios do culto, como a música e a adoração.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista.
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Revista Ensinador Cristão - nº 54 - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
A Família Cristã e os ataques do inimigo - Elinaldo Renovato - CPAD.
1. Júlio Severo - Defendendo a responsabilidade da família na educação dos filhos.









Publicado em 4 de Fevereiro de 2013 as 09:33:33 AM

Texto Áureo: Lc. 4.25,26 - Leitura Bíblica: I Rs. 17.8-16

Prof. José Roberto A. Barbosa


INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea matou Deus, preferiu fugir da Sua realidade. Mas, a Bíblia, a Palavra de Deus, nos mostra que Ele está vivo. Na lição de hoje estudaremos a respeito da viúva de Sarepta e da providência divina através do profeta Elias. Inicialmente trataremos a respeito do contexto no qual aquela viúva viveu, em seguida, a atuação de Elias diante da adversidade da viúva, e por fim, a providência de Deus como resposta à oração.


1. A VIÚVA DE SAREPTA Sarepta era uma pequena cidade costeira, fora das fronteiras de Israel, pertencia ao domínio dos sidônios. Aquela região também passou por dificuldades em razão dos três anos e meio de seca, a respeito da qual profetizou Elias. Durante a seca, o próprio profeta se refugiou próximo ao ribeiro de Querite, até que este secou. Por providência divina Elias era alimentado pelo Senhor, os corvos lhe traziam comida. Quando a privação chegou, o profeta recebeu uma orientação do Senhor, para que se dirigisse à Sarepta, pois ali seria alimentado por uma viúva (I Rs. 17.9). Ao chegar naquela pequena cidade, o homem de Deus se deparou com a viúva catando gravetos, isso mesmo, não era lenha, pois pretendia fazer um pequeno fogo. Isso mostra que a comida era escassa, e a dificuldade abundante. Depois de horas de viagem e de cansaço, o profeta do Senhor pede àquela mulher que lhe dê comida. A mulher, obedecendo ao instinto materno, responde que tem apenas um pouco de farinha e azeite, que comerá aquela porção com o seu filho, e depois morrerá (I Rs. 17.12). O profeta, por revelação divina, revela-lhe que se ela o alimentar, tendo em vista que estava faminto, o Senhor os preservaria. Essa declaração do profeta estava fundamentada em Deus, não em interesses meramente humanos. Há muitos falsos profetas nos dias atuais, pseudoevangélicos, que se apropriam indevidamente das posses das pessoas, com promessas que Deus não fez. Mas diante da Palavra de Deus, a mulher creu, e colocou a sua fé em ação, obedecendo à mensagem profética.


2. O PROFETA E A VIÚVA DE SAREPTA

De fato, a panela de farinha nunca esvaziou, e a botija de azeite jamais secou, o Senhor supriu as necessidades daquela família. Esse é um ensinamento relevante para os dias atuais, nos quais as pessoas querem sempre mais do que precisam. Ao invés de confiarem na providência de Deus, angustiam-se demasiadamente, vivem ansiosas, perdem a fé e a confiança em Deus (Mt. 6.26-30). A teologia da ganância está fazendo estragos na fé evangélica brasileira. O contentamento, ensinamento bíblico que nada tem a ver com comodismo, não é admoestado nos púlpitos (I Tm. 6.6; Hb. 13.5). A providência divina não nos isenta do sofrimento, pois depois disto adoeceu o filho da mulher, da dona da casa, e a sua doença se agravou tanto, que ele morreu (I Rs. 17.17). A viúva de Serepta, mesmo tendo crido na mensagem do profeta, teve um momento de fraqueza, e quis culpá-lo pela morte do seu filho. Essa teologia da causa e efeito é bastante comum ainda hoje, e antiga, desde os tempos dos amigos de Jó. As pessoas querem sempre encontrar um culpado pelos sofrimentos. Os próprios discípulos de Jesus queriam saber o porquê de o homem ter nascido cego (Jo. 9.1). Ao invés de tentar justificar a teologia equivocada da mulher, Elias resolveu agir, e confiante no Deus da providência, pediu o filho, tomou-o dos seus braços, o levou para cima, e o deitou sobre a cama (I Rs. 17.19). O silêncio de Elias teve uma razão de ser naquele contexto, pois há momentos em que simplesmente as palavras não resolvem. O profeta também não questiona Deus pelo ocorrido, ele se entrega à soberania dAquele que tem todas as coisas sob o Seu comando.


3. A PROVIDÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA ORAÇÃO


A confiança do profeta repousava sob a providência de Deus, com ternura Elias coloca o menino em sua cama, e recorre a último recurso do crente: a oração (I Rs. 17.20). O silêncio de Elias, diante da mãe daquele menino, se transformou em palavras diante do Senhor. Deus não receia nossa sinceridade, sua maior preocupação é com o nosso desdém em relação a Ele. Quantos hoje já não oram mais? Essa, certamente, é a geração que se esqueceu de orar. As pessoas, confiantes em seus aparatos tecnológicos, vivem como se Deus pudesse ser desconsiderado. A oração é uma necessidade para todo cristão. O apóstolo Paulo é incisivo ao orientar os crentes para que orem sem cessar (I Ts. 17). Jesus já havia orientado os Seus discípulos quanto à importância da oração (Mt. 26.41). Oramos não determinando o que Deus deve ou não fazer, pois é a vontade dEle que prevalece (I Jo. 5.14,15). O modelo de oração a ser seguido pelos cristãos não é o de Jabez, mas o de Cristo, pois Ele nos ensinou corretamente a orar (Mt. 6.5-13). Conforme nos instruiu o próprio Mestre, as orações não devam ser meras repetições, mas uma entrega total, e confiante na providência divina. Muitas vezes não sabemos orar como convém, mas o Espírito Santo nos auxilia na oração, com gemidos inexprimíveis (Rm. 8.26,27). A fé é um elemento imprescindível na oração, pois aquele que se aproxima do Senhor deve saber que Ele é galardoador dos que O buscam (Hb. 11.1,6). A perfeição não é condição para a oração, pois Elias, como bem lembra Tiago, era um homem simples, mas orou, e o Senhor o ouviu (Tg. 5.17,18).


CONCLUSÃO

Em resposta à oração do profeta Deus fez com que o menino revivesse (I Rs. 17.22-24).  Elias era um homem sujeito as mesmas paixões que nós, e não desprezou a oração. Esse é um estímulo para buscamos o Senhor em oração, sempre com a motivação maior, de nos relacionarmos com Ele. Jesus, o homem perfeito, também orou, e se Ele assim o fez, não podemos agir diferentemente (Mc. 1.35; Mt. 14.23; Lc. 6.12).


BIBLIOGRAFIA

GETZ. G. Elias: um modelo de coragem e fé. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.
SWINDOLL, C. R. Elias: um homem de heroísmo e humildade. São Paulo: Mundo Cristão, 2001.



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Texto Básico: 1Reis 18:36-40


“Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada”(1Rs 18:21).


INTRODUÇÃO

Nesta Aula veremos um dos embates mais espetaculares que as Escrituras Sagradas registram: o confronto entre o deus Baal e o Deus de Israel, ou seja, entre a mentira e a verdade, entre o falso e o verdadeiro. O Deus de Israel exporia Baal, Aserá e os falsos profetas destes falsos deuses, para deixá-los exatamente como eram: menos do que nada. E isto aconteceria em uma competição entre Elias e os “profetas” de Baal no monte Carmelo (1Rs 18:19). Assim como Elias foi chamado para mostrar que o Deus de Israel é o verdadeiro Deus, todos nós que pertencemos ao novo concerto somos chamados a defender o evangelho de Cristo contra distorções, transigência com o mal e desvio doutrinário, e que somente Jesus Cristo é o “Caminho, a Verdade e a Vida, e que ninguém vai ao Pai, senão por Ele”(João 14:6), e que “há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”(1Tm 2:5).



I. CONFRONTANDO OS FALSOS DEUSES

A diferença entre o Deus Criador de todas as coisas, o Deus da Bíblia, e os falsos deuses é tremendamente gritante. Primeiro, porque o Deus da Bíblia é o Deus vivo e eterno, criador de todas as coisas - “Mas o Senhor é o Deus verdadeiro; ele é o Deus vivo; o rei eterno”(Jr 10:10). Segundo, os falsos deuses, são apenas imaginação do homem sem Deus, logo eles são inacessíveis, porque não existem.
Uma das características fundamentais do Deus da Bíblia, que o difere dos falsos deuses, é o fato de Ele sempre procurar se comunicar com suas criaturas. O Deus da Bíblia, em sua transcendência, sempre quis e quer comunicar-se com o ser humano, de forma imanente, para demonstrar seu amor e seu cuidado, visando à sua salvação. Os deuses, criados pela imaginação humana, sempre se mostraram inacessíveis ao relacionamento com seus adoradores, porque eles simplesmente não existem. Veja o caso do profeta Elias no Monte Carmelo, quando do embate que teve com os 850 “profetas” dos falsos deuses Baal e Aserá (1Rs 18:19).

- Os seguidores do falso deus Baal: “E, tomando o novilho que se lhes dera, prepararam-no, e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até o meio-dia, dizendo: Ah Baal, responde-nos! Porém não houve voz; ninguém respondeu. E saltavam em volta do altar que tinham feito. Sucedeu que, ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e necessite de que o acordem. E eles clamavam em altas vozes e, conforme o seu costume, se retalhavam com facas e com lancetas, até correr o sangue sobre eles. Também sucedeu que, passado o meio dia, profetizaram eles até a hora de se oferecer o sacrifício da tarde. Porém não houve voz; ninguém respondeu, nem atendeu“(1Rs 18:26-29).

- Elias, o seguidor do Deus vivo: “Sucedeu, pois que, sendo já hora de se oferecer o sacrifício da tarde, o profeta Elias se chegou, e disse: Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas.  Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.  Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego“(1Rs 18:36-38).
Perceberam a diferença? Os falsos deuses são apenas imaginação humana, eles não existem. O Deus da Bíblia é vivo e verdadeiro e ouve a nossa oração e se comunica com o seu povo. Hoje, através de Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens, o ser humano tem acesso ao Soberano Senhor do universo e de todas as coisas.


1. Conhecendo o falso deus Baal. Era o deus supremo dos cananeus. Em hebraico, Baal significa senhor. Seus adoradores acreditavam que o ídolo fosse o responsável pela abundância da terra e pela fertilidade do ventre. Sendo o deus da fertilidade, seu culto era marcado pela crueldade e por uma devassidão que envergonharia até Sodoma e Gomorra. Em suas cerimônias havia sacrifícios de vítimas humanas, orgias e os mais inimagináveis desregramentos; e, logicamente, louvores a Baal.

- O Moderno culto a Baal. O velho Baal continua o mesmo; tudo faz para induzir os santos à impureza. Seus profetas e adoradores também não mudaram. Vejamos, a seguir, alguns exemplos, como os seus cultos manifestam-se em nossos dias:

a) Pornografia. Não são poucos os filhos de Deus que se acham arruinados espiritualmente em consequência de revistas, filmes, vídeos pornográficos, internet e a maioria das novelas. O Senhor não atura tais coisas; são abomináveis aos seus olhos. Ele é Santo! E de seus filhos exige vida santa e irrepreensível - “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1:15; veja ainda: Lv 20:7; Ex 19:6).

b) Diversões carnais. Infelizmente, somos obrigados a mencionar os shows promovidos em nossos púlpitos. Cantores e artistas, dizendo-se evangélicos, mas flagrantemente divorciados da graça de Deus, além de nos roubarem todo o tempo da Palavra, arrastam nossos jovens a uma vida leviana e descompromissada com Deus. A Igreja do Senhor não necessita de artistas e animadores em seus cultos, mas de homens e mulheres comprovadamente santos. Cheios do Espírito Santo, hão de adorar ao Pai em espírito e em verdade (João 4:23,24).
c) Infidelidade conjugal. Numa sociedade permissiva e erotizada como a nossa, o adultério não é visto mais como algo reprovável. É toleravelmente aceito; é socialmente incentivado; é legalmente ignorado. A Bíblia não mudou! Adultério é adultério. Pecado é pecado. Ainda que busquemos justificativas teológicas a tais comportamentos, a verdade bíblica não será alterada (Ex 20:14; Mt 5:28).


2. Identificando a falsa divindade Aserá. Aserá era uma falsa deusa cananéia muito antiga. Uma inscrição suméria datando de 1750 a.C. se refere a ela como a esposa de El, o deus pai do panteão cananeu. Como o símbolo astrológico de Baal era o Sol, Aserá é frequentemente associada com a Lua, mas seu símbolo era o planeta Vênus.
Na época do profeta Jeremias as mulheres hebréias e canaanitas amassavam pães com sua figura e eram benditos e comidos ritualmente. Pode-se constatar isso em Jeremias 7:18 - “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira“.

Os cananeus, povo que vivia entre os israelitas, adoravam Aserá como deusa da fertilidade, talvez mesmo como deusa da sexualidade. Os misteriosos “postes-ídolos” associados aos ritos de adoração a deusa eram aparentemente troncos de árvores sem galhos. A função exata desses postes-ídolos - muitas vezes ligados à prostituição masculina e feminina - não é clara. Sabe-se somente que os profetas os consideravam repulsivos e ordenavam aos reis de Israel que os derrubassem onde quer que estivessem erigidos. O profeta Jeremias refere-se a Aserá quando menciona a “rainha dos céus” nos capítulos 7:18 e 44:17,19.

Em cada escavação arqueológica importante na Palestina são encontradas figuras femininas, datadas entre 2.000 a.C até 600 a.C. É possível que as mulheres usassem estas diminutas imagens para pedir a Aserá sua ajuda no parto ou para que lhes concedesse fertilidade. 

Aserá foi a deusa de Tiro e de Sidom em épocas longínquas, ao menos desde 1200 a.C, e foi provavelmente uma esposa sidônia de Salomão quem a introduziu na corte deste rei de Israel. No reinado de Roboão, filho de Salomão, se adorava Aserá (1Rs 14:23); e isto persistiu em vários reinados de Judá (cf. 1Rs 15:13; 2Cr 15:16), num claro ato de sincretismo religioso, provocando à ira o Senhor Jeová.
No reino do Norte, o rei Acabe de Israel se casou com Jezabel, filha de um rei da Sidônia, e o culto a Aserá e ao seu filho Baal foi estabelecido na corte. O culto à Aserá em Israel, persistiu até 722 a.C., mas permaneceu em Betel, pois lemos que Josias, rei de Judá, destruiu os altares que haviam sido erigidos por Jeroboão e como destruiu os postes-ídolos de Aserá - “Demais disto também Josias tirou todas as casas dos altos que havia nas cidades de Samaria, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem à ira o Senhor; e lhes fez conforme todos os atos que tinha feito em Betel” (2Rs 23:19)
Em fim, a repugnante e falsa deusa Aserá exerceu uma influência negativa muito grande em Israel e em Judá (Jz 2:13; 3:7; 1Rs 11:33), o que serviu de laço para o desvio espiritual destes dois reinos, e o desvirtuamento do verdadeiro culto ao Senhor Jeová. Por isso a persistência tão exaustiva dos profetas em combater a esta maligna idolatria.



II. CONFRONTANDO OS FALSOS PROFETAS

Numa impressionante demonstração de coragem e fé, Elias desafiou 850 falsos profetas, que eram sustentados pela esposa do rei, a enfrentá-lo no Monte Carmelo. Eles aceitaram o desafio, e o povo de Israel foi testemunhar a grande disputa. Este era o mesmo povo que Elias procurava converter. Ele queria mostrar-lhe a grande diferença entre o Deus verdadeiro e os falsos deuses que o rei deles adorava - “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1Reis 18:21).
Os israelitas, tão acostumados a seguir cegamente seus chefes religiosos, não responderam. Seus sentimentos estavam tão embotados por gerações de tradições pecaminosas que eram praticamente incapazes de distinguir o certo do errado.
Deus mostrou ao povo a diferença. Elias e os profetas de Baal prepararam dois sacrifícios. Construíram altares, puseram lenha neles e prepararam seus sacrifícios de novilhos. Elias convidou os profetas de Baal a serem os primeiros a oferecer seus sacrifícios, exceto que eles não acenderiam o fogo. Eles deveriam orar ao seu deus para que mandasse fogo para consumir o sacrifício. Elias sabia que Deus podia fazer isto, porque já tinha consumido outros sacrifícios em gerações anteriores. Mas, e Baal? Poderia produzir fogo? Seus profetas oraram, dançaram, e até se feriram para obter sua atenção, mas Baal não respondeu. Elias escarneceu-os, sugerindo que deveriam gritar mais alto para acordar seu deus. Eles berraram com mais força, mas o impotente Baal nada fez.
Elias preparou seu sacrifício. Para ter certeza de que ninguém pudesse reclamar que ele tivesse usado de alguma trapaça, ele pediu que fosse trazida água para molhar totalmente o sacrifício, a madeira e o altar. Eles trouxeram tanta água que o rego que ele tinha escavado em volta do altar encheu-se. Somente a ação de Deus poderia incendiar este sacrifício! E foi exatamente isto que aconteceu. Elias orou: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles” (1Reis 18:37). Deus não deixou dúvida. “Então, caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (1Reis 18:38-39). Os falsos profetas de Baal que tinham enganado o povo foram mortos.



III. CONFRONTANDO A FALSA ADORAÇÃO

Elias pediu que o povo, os profetas de Baal e de Aserá se apresentassem num lugar determinado por ele. O povo se reuniu e Elias, sem medo, apresentou-se ao povo, exigindo dele uma definição resoluta - “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o e, se é Baal, segui-o” (1Rs 18:21). Apesar da grande demonstração do poder de Deus, numa seca que já durava três anos e seis meses, numa clara prova de que Baal não era deus algum, não detinha controle algum sobre a natureza, o povo ainda estava coxeando entre dois pensamentos, preferindo as benesses do poder oferecidas por Jezabel no culto a Baal, bem como as seduções deste culto, que era um culto sensual, depravado e repleto de tudo aquilo que agradava a natureza pecaminosa do homem. Dinheiro, prazer, posição social eram ofertados pelos baalins e, assim, muitos, apesar de todas as evidências do poder do Senhor, continuavam titubeantes e, neste duvidar, acabavam sendo arrastados para a idolatria.
Elias desafiou o povo a fazer uma escolha definitiva entre seguir a Deus ou a Baal. Os israelitas achavam que podiam adorar o Deus verdadeiro e também Baal. O pecado deles era o de terem o coração dividido, querendo servir a dois senhores. O próprio Cristo advertiu contra essa atitude fatal (Mt 6:24; combine com Dt 30:19). O desafio de Elias foi apresentado: o Deus verdadeiro deveria responder com fogo a aceitação do sacrifício que lhe fosse dado. Elias tinha experimentado o pleno domínio de Deus sobre a natureza e tinha, assim, portanto, convicção de que somente Deus responderia com fogo a um sacrifício. Os profetas de Baal e de Asera, num total de oitocentos e cinquenta (1Rs 18:19), tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus deuses para o sacrifício, sem resultado.
Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que Baal respondesse ao sacrifício, oferece o seu sacrifício diante de Deus. Como Deus não é Deus de confusão (1Co 14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como pôs água abundante para que não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem iria operar. Este cuidado do profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a operação de Deus é algo de que devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada deve ser feito sem a devida preparação espiritual, a devida santificação (o reparo do altar), como também tudo deve ser feito às claras diante do povo, com transparência, decência e ordem (1Co 14:40). Quantos altares desmantelados na atualidade têm buscado o “fogo divino”! e, como Deus não opera em lugares assim, recorrem a subterfúgios, a astuciosos estratagemas para impressionar o povo. Entretanto, não nos iludamos, Deus não é Deus de confusão.
Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida, Elias fez uma oração. Elias não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua “determinação” era a disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência que devesse ser feita, como muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos dias. Elias fez uma oração, um pedido a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o Seu senhorio - “e que eu sou teu servo“(1Rs 18:36). Ele poderia chamar Deus de Senhor, porque havia experimentado o controle de Deus sobre todas as coisas: o corvo, a panela da viúva, a vida do filho da viúva. Relembrou ao povo, que o escutava, que Deus era o Deus do pacto feito com os patriarcas, o Deus que havia formado a nação de Israel e que ele, Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou a oração, o Senhor consumiu tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma: só o Senhor é Deus! (1Rs 18:36-39).
A luta contra a falsa adoração continua ainda hoje por parte dos que desejam ser fiéis a Deus. Não há como negar que ao nosso redor ecoam ainda os dons advindos de vários cultos falsos, alguns deles, transvestidos da piedade cristã. Assim como Elias, uma igreja triunfante deve levantar a sua voz a fim de que a verdadeira adoração prevaleça. É bom ressaltar que Deus não procura somente adoração, Ele procura verdadeiros adoradores (João 4:24).



IV. CONFRONTANDO O SINCRETISMO RELIGIOSO ESTATAL

1. O perigo do sincretismo religioso. Sincretismo é a fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, seja nas filosóficas. Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes, ou, a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra.

O sincretismo que apresentamos aqui como elemento condenável, refere-se aquele que de uma forma muito direta desobedecia e afrontava os padrões morais estabelecidos para o povo de Israel, e o próprio Senhor Deus; falando especificamente do culto sensual - aonde eram incluídas imoralidade sexual religiosa, tendo para isso prostitutas cultuais -, e da adoração a outros deuses, conhecendo a verdade existencial do Deus verdadeiro que se revelou às nações por meio de Israel. Essa prática sem dúvida atraia muitos israelitas. Deus, por sua vez, exigia padrões morais para o seu povo, vida de consagração, adoração com reverência. Em Israel, à época de Acabe e Jezabel, a adoração verdadeira ao Deus verdadeiro havia se misturado com a falsa, ao deus Baal, e o resultado não podia ser mais desastroso.
Não há uma precisão da época em que começou o sincretismo entre os israelitas. Os registros bíblicos relacionam ao período da saída do povo de Israel do Egito e entrada na terra de Canaã. Israel viveu 430 anos sob o domínio egípcio e sob a influência de suas religiões. O povo egípcio sempre foi politeísta, adorava os deuses  (deus do sol), Toth (sabedoria, conhecimento, representante da Lua), Hórus (céu), Osiris (vida após a morte), Isis (amor, magia), Ged (terra), entre outros. Os filhos de Israel certamente se envolveram com estas divindades e seu culto, conforme comprova Josué: “Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor” (Js 24:23).
Com base nisto, é possível afirmar que Israel começou a praticar o sincretismo já no Egito, pois também eram conhecedores do Deus dos patriarcas de Israel. O primeiro caso que a Bíblia apresenta da prática do sincretismo pelos israelitas, depois da saída do Egito, foi quando Moisés subiu ao monte para falar com Deus no início da caminhada pelo deserto do Sinai. O povo vendo que ele tardava em descer pediu a Arão que fizesse um deus para eles. Isto demonstra que a adoração a outros deuses além do Deus criador, não era algo novo entre os filhos de Israel. Mas, este sincretismo sempre acarretou consequências drásticas aos israelitas, pois eram recorrentemente julgados por Deus por causa disso. Israel deveria ser modelo de obediência a Deus para outras nações, porém desobedeceu e foi infiel à Aliança. As muitas derrotas em batalhas, destruição do Reino do Norte e até o cativeiro Babilônico são tidos como consequências do sincretismo.
Principalmente no reino do Norte, o sincretismo religioso estatal era insistente e ameaçador. Apesar dos profetas, dia e noite, terem alertados sobre perigo do sincretismo, os reis não absorveram as mensagens transmitidas pelos profetas do Senhor. O reino de Acabe foi o mais danoso ao povo de Israel. A adoração verdadeira havia se misturado com a falsa e o resultado não podia ser mais desastroso.
A fidelidade a Jeová e à sua aliança era a condição necessária para que o rei e a nação tivessem a bênção do Senhor; se o rei fosse infiel, ele e o povo sofreriam as consequências. Quando Israel entrou em Canaã lhe foi dito “(…) não vos mistureis com estas nações que restaram entre vós. Não façais menção dos nomes dos seus deuses, nem por eles façais jurar, nem os sirvais, nem os adoreis”  (Josué 23:7). Antes, misturaram-se com eles e adoraram os seus deuses, fizeram tudo o que lhes ordenara que não fizessem.
O sincretismo foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Porém, o povo de Israel não atendeu o clamor dos profetas, pelo contrário, desprezou-os. E isto lhe custou muito caro: foi desterrado da terra que o Senhor lhe dera. Deus usou a Assíria para punir ferozmente o povo de Israel por causa dos pecados continuados, da idolatria, das práticas pagãs, da desobediência à lei de Deus e do desprezo pelos profetas.


2. A resposta divina ao sincretismo.Seguir a falsos deuses é abandonar o Deus vivo e isto constitui em um terrível pecado, passível de punição. O texto sagrado diz que logo após o Senhor ter respondido com fogo a oração de Elias (1Rs 18:38), o profeta deu a seguinte instrução ao povo: “Lançai mão dos profetas de Baal, que nem um deles escape. Lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom e ali os matou” (1Rs 18:40). A decisão de Elias não foi tomada por sua própria conta, mas seguia a orientação divina dada pelo Senhor a Moisés: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20:3); “O que sacrificar aos deuses e não só ao SENHOR será morto” (Ex 22:20).
O culto é bíblico ou anátema. Deus não quer sacrifício, Ele requer obediência (1Sm 15:22,23). Não podemos sacrificar a verdade para atrair as pessoas à igreja, nem podemos acrescentar coisa alguma aos preceitos de Deus. O pragmatismo se interessa pelo que dá certo, e não pelo que é certo. Ele busca o que dá resultados, e não o que é verdade. Ele tem como objetivo agradar o homem, e não a Deus.
Hoje vemos florescer o sincretismo religioso nas igrejas ditas evangélicas, principalmente promovidas pelo segmento dito neopentecostalismo. Práticas pagãs são assimiladas nas igrejas para atrair as pessoas. Cerimônias e ritos totalmente estranhos à Palavra de Deus são introduzidos no culto para agradar o gosto dos adoradores. O sincretismo está na moda. Mas ele ainda continua provocando a ira de Deus!
O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão - “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co 14:26). Portanto, não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, e difundir mal testemunho e confusão.
Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus” (Dt 8:19-20). Pense nisso!



CONCLUSÃO

Do mesmo modo que Israel foi punido pela adoração e misturas de praticas religiosas de outras divindades, também qualquer povo será assim tratado a partir do momento em que se voltar a uma prática religiosa a outros deuses, depois de terem conhecido o Deus verdadeiro.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 53 - CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck. 
Comentário Bíblico Beacon, v.2 - CPAD.
Porção Dobrada - Pr. José Gonçalves - CPAD.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço









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Texto Básico: Zc 1:1; 8:1-3,20-23
Eis que vem dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na Terra” (Jr 23:5).


INTRODUÇÃO



Zacarias, como um dos três profetas pós-exílio, juntamente com Ageu e Malaquias, ministrou para os judeus remanescentes que retornaram a Judá para reconstruir o Templo e sua nação. Como Ageu, ele encorajou o povo a concluir a reconstrução do Templo, mas sua mensagem foi muito além daqueles muros físicos e das questões daquela época. Com uma espetacular imagem apocalíptica e os detalhes que mencionou, ele falou a respeito do Messias, aquele a quem Deus enviaria para salvar o seu povo e reinar sobre toda a terra. Zacarias é um dos mais importantes profetas. No livro que leva o seu nome são registradas referências messiânicas detalhadas que foram claramente cumpridas na vida de Jesus Cristo. Ele diz que a reconstrução do Templo foi apenas o primeiro ato no drama dos tempos do fim e a introdução da era messiânica. Zacarias proclamou uma mensagem comovente de esperança para estes ex-exilados: “seu Rei chegaria logo! “. Jesus está voltando para estabelecer o seu reino milenar, e Ele reinará para todo o sempre. Há indicativos fortes para este acontecimento: a nação de Israel é o relógio Deus.




I. O LIVRO DE ZACARIAS







1. Conteúdo histórico. Zacarias era um contemporâneo mais jovem do profeta Ageu. Esdras 5:1 declara que ambos animaram os judeus, em Judá e Jerusalém, a persistirem na reedificação do Templo nos dias de Zorobabel (o governador) e de Josué (o sumo sacerdote). O contexto histórico para os capítulos 1-8, datados entre 520-518 a.C., é idêntico ao de Ageu. A situação espiritual de Judá é a mesma descrita no livro de Ageu, conforme estudamos anteriormente: indiferença religiosa, mornidão espiritual e acomodação em relação à obra de Deus. Juntamente com Ageu, seu contemporâneo, Zacarias foi usado por Deus para encorajar o povo a reconstruir o Templo de Jerusalém, que havia sido destruído por Nabucodonosor em 586 a.C. Em 538 a.C., Ciro, rei da Pérsia, promulgara um decreto, permitindo aos judeus exilados voltarem à pátria para reconstruir Jerusalém e o Templo, cumprindo, assim, as profecias de Isaías e Jeremias (Is 45:1-3; Jr 25:11,12; 29:10-14), e a intercessão de Daniel (Dn 9). Como resultado do ministério profético de Zacarias e Ageu, o Templo foi completado e dedicado em 516-515 a.C.




2. Vida Pessoal de Zacarias. O nome Zacarias, bastante comum em Israel, significa “o Senhor lembra” (isto é, o Senhor lembra de responder as orações dos pais por um filho). Ele era de uma família sacerdotal, assim como o profeta Jeremias(Jr 1:1) e Ezequiel (Ez 1:3). Dentre o grupo dos profetas menores, é reconhecido como o único sacerdote que foi profeta. Portanto, temos em tela mais um caso de uma pessoa nascida com uma função que posteriormente foi mudada pelo próprio Deus. Lembremo-nos de que ser sacerdote, naqueles dias, era menos difícil do que ser profeta, dado ao fato de que o sacerdote intercedia pelos homens a Deus, e o profeta falava aos homens sobre Deus. 



Da mesma forma que Ageu, Zacarias ministrou aos israelitas a fim de que eles retornassem a cuidar do término da construção do templo do Senhor.

No início do Livro é dito que este profeta é “filho de Baraquias” e neto “de Ido” (Zc 1:1). Esdras, por outro lado, menciona que é “filho de Ido” (Ed 5:1; 6:14). Esta discrepância é mais aparente que real. É facilmente explicada quando se considera que Baraquias morreu antes de Ido, e Zacarias sucedeu seu avô na chefia da ordem sacerdotal de Davi. Há vários exemplos no Antigo Testamento em que os homens são chamados filhos de seus avôs (Gn 29:5; cf. Gn 24:47; 1Rs 19:16; cf. 2Rs 9:14,20). Em Israel, no Antigo Testamento, o avô era considerado o fundador da casa, assim, no caso de Zacarias, Ido era o chefe de sua família quando saiu da Babilônia e estabeleceu-se novamente em Jerusalém. O fato de Esdras referir-se a Zacarias como filho de Ido deve ser entendido no sentido geral de descendente.

Em todo caso, este profeta era membro da família sacerdotal de Ido, que voltou da Babilônia para Jerusalém sob as ordens de Ciro (Ne 12:4). O livro de Neemias acrescenta a observação de que no sumo sacerdócio de Joiaquim, filho de Josué, Zacarias foi nomeado chefe da casa de Ido (Ne 12:10,16). Se este é o profeta que intitula este livro, como é razoável supor, então Zacarias era jovem em 520 a.C. e criança quando foi para Jerusalém numa caravana da Babilônia. O livro de Esdras nos informa que Zacarias compartilhava com Ageu o trabalho de animar Zorobabel e Josué a reconstruírem o Templo (Ed 5:1,2; 6:14).

A carreira profética de Zacarias começou “no oitavo mês do segundo ano de Dario” (Zc 1:1). A primeira fase de seu ministério durou até o nono mês do quarto ano do reinado do rei Dario, em 518 a.C. (Zc 7:1). Nada sabemos sobre os anos restantes da vida ou ministério do profeta, com exceção da declaração de nosso Senhor de que foi morto “entre o santuário e o altar” (Mt 23:35).



3. Estrutura e mensagem.



a)  Estrutura. O livro do profeta Zacarias tem duas partes bem delineadas: a primeira diz respeito a oito visões que o profeta teve da parte de Deus, visões onde se encontravam mensagens relativas ao atual estado espiritual do povo, uma corroboração da mensagem dada, na mesma época, pelo profeta Ageu, na qual se conclama o povo a reconstruir o templo e a dar prioridade a Deus e à Sua obra. Já a segunda parte do livro, que se inicia no capítulo 9, o profeta traz diversas mensagens a respeito do futuro de Israel e do final dos tempos, numa renovação das promessas messiânicas dos profetas anteriores ao exílio, numa clara afirmação de que Deus não havia Se esquecido, mas, antes, estava bem recordado das promessas que haviam sido proferidas ao Seu povo antes e durante o cativeiro.

Zacarias é, mesmo, depois de Isaías, o profeta que mais referências faz ao Messias, o que deve ser bem levado em conta diante do caráter diminuto de seu livro. As profecias mais famosas de Zacarias a respeito do Messias predizem sua entrada triunfal em Jerusalém (Zc 9:9), sua traição por trinta moedas de prata (Zc 11:12,13), sua morte como pastor ferido (Zc 13:7), sua segunda vinda (Zc 14:4) e o estabelecimento do seu reino milenar, no qual governará como Rei e sumo sacerdote (Zc 14:9). Um dos versículos mais dramáticos das Escrituras proféticas é encontrado em Zc 12:10, quando, na maioria dos manuscritos a primeira pessoa é usada: “E olharão para Mim, a Quem traspassaram”. Jesus Cristo, pessoalmente, profetizou Sua definitiva recepção pela nação de Israel.

Embora várias profecias de Zacarias tivessem aplicação ou cumprimento parcial na época desse profeta, muitas delas ainda aguardam cumprimento num futuro próximo. 




b) Mensagem. A mensagem de Zacarias compõe-se de duas etapas:



b.1) Mensagem entregue durante a reconstrução do Templo(Zc 1:1-8:23). Zacarias encorajou o povo a abandonar o pecado em suas vidas e continuar a reconstruir o Templo. Suas visões descreveram o juízo dos inimigos de Israel, as bênçãos preparadas para Jerusalém e a necessidade de o povo de Deus permanecer puro - evitando a hipocrisia, a superficialidade e o pecado. As visões de Zacarias proveram esperança ao povo. Nós também precisamos seguir cuidadosamente as instruções para que permaneçamos puros até a volta de Cristo.



b.2). Mensagens entregues depois da reconstrução do Templo (Zc 9:1-14,21). Além do encorajamento e da esperança, as mensagens de Zacarias eram também uma advertência de que o reino messiânico não começaria assim que a obra do Templo fosse concluído. Os inimigos de Israel seriam julgados e o Rei viria, mas o próprio povo judeu enfrentaria muitas circunstâncias difíceis antes de experimentar a bênção da vinda do Messias. Nós, também, podemos enfrentar muita tristeza, decepção e angústia antes de entrarmos no Reino eterno de Cristo.



4. Unidade literária. A unidade do livro é seriamente questionada pelos estudiosos, principalmente pelos liberais. As duas divisões principais, capítulos 1 a 8  e os capítulos 9 a 14,  são tão dessemelhantes em estilo e ponto de vista histórico que tornou-se comum atribuir a cada uma destas divisões um autor diferente. Por causa disso, não faltaram entre os “críticos bíblicos” quem dissesse que somente a primeira parte do livro seria do profeta Zacarias e que a segunda parte teria sido acrescida posteriormente por algum “autor apocalíptico”, teorias que, como costuma ocorrer com os “críticos bíblicos”, não têm qualquer evidência histórica. O certo é que o livro de Zacarias sempre foi reconhecido e tido como uma única obra e completa com 14 capítulos, e isto pelos judeus que, como sabemos, não aceitam Jesus como sendo o Messias, o que é bastante para crermos na sua integridade e autenticidade na forma como se encontra no cânon judaico. Ademais, como dissemos, o fato de Zacarias ter apresentado mensagens messiânicas é uma consequência natural do plano divino para com a humanidade, pois uma das principais funções dos profetas era, como nos ensina Paulo, manter viva a promessa messiânica entre os judeus (cf. Rm 1:2,3).







II. PROMESSA DE RESTAURAÇÃO



1. Sião. A palavra “Sião” é mencionada pela primeira vez na Bíblia em 2Samuel 5:7: “Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi“. Portanto, Sião era originalmente o nome da fortaleza jebusita na cidade de Jerusalém. Sião passou a significar não só a fortaleza, mas também a cidade onde a fortaleza se encontrava. Depois que Davi capturou “a fortaleza de Sião”, Sião passou a ser chamada de “a Cidade de Davi” (1Reis 8:1; 1Cr 11:5; 2Cr 5:2). Após a morte do rei Davi, o termo Sião passou a se referir ao monte em Jerusalém, o Monte Sião, onde se encontrava o Templo de Salomão. Mais tarde, Sião passou a se referir ao próprio Templo e aos terrenos do Templo. Depois disso, Sião foi usado para simbolizar Jerusalém e a terra prometida.


Quando Salomão construiu o Templo de Jerusalém, a palavra Sião expandiu o seu significado para incluir também o Templo e a área ao seu redor (Salmo 2:6;48:2,11-12;132:13). Sião foi eventualmente usado como um nome para a cidade de Jerusalém, a terra de Judá e o povo de Israel como um todo (Is 40:9; Jr 31:12; Zc 8:2,3, 9:13).




2. O zelo do Senhor - “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Zelei por Sião com grande zelo e com grande indignação zelei por ela” (Zc 8:2). Assim como a ira de Deus deve ser compreendida em relação à aliança, também deve ser compreendido seu ciúme, ou zelo. O sentido original para este texto sugere uma erupção de sentimentos como a que é vista no rosto vermelho de uma pessoa em virtude de emoções fortes. É como se Deus não pudesse se conter mais diante da obstinação e do pecado do seu povo. Ele está se consumindo de ciúmes por ela, ou melhor, ‘com grande zelo’(Zc 8:2). Tão grande, de fato, é o amor de Deus por Sião que ele anuncia a sua intenção de voltar e habitar em Jerusalém, cuja triste sorte será revertida quando ela vier se tornar a Cidade da Verdade, isto é, o lugar onde a crença e a boa conduta andam de mãos dadas (cf. Is 26:2,3; Jr 3:17), e assim será distinta de todos os outros lugares - um monte Sagrado(Zc 8:3).

O zelo de Deus pelo seu povo nasce do amor pactual e da dedicação divina a ele (Zc 1:14). Isto, por sua vez, requer do povo uma verdadeira lealdade a Deus, pois a Sua santidade jamais deve ser violada, sob pena de punição. Está escrito: “porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex 20:5).




3. Restauração de Jerusalém (Zc 8:3b). A chave para a plena restauração de Jerusalém é a volta de Jesus Cristo a Sião. Pois indica a ocasião em que Cristo voltará, em plena glória, para implantar o seu reino sobre as nações. Nessa ocasião, a presença divina fará de Jerusalém a cidade da verdade e da fidelidade. E o monte do Senhor será santo, isto é, separado à sua adoração. “Assim diz o Senhor dos Exércitos: voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade de verdade, e o monte do Senhor dos Exércitos, monte de santidade” (Zc 8:3). Portanto, um Dia Cristo governará em seu Reino na Terra. Então todo os seu povo viverá com Ele. Esta verdade deve nos encorajar a esperar ansiosamente pelo reinado do Messias.







III. O REINO MESSIÂNICO



Quando Deus formou Israel, Seu propósito era o de que fosse um “reino de sacerdotes” para o Senhor (Êx 19:6), proclamando-o entre os gentios (1Rs 8:60). A fé e a obediência de Israel à Aliança Mosaica eram para trazer-lhe tamanha bênção que, por conseguinte, conduziria o mundo pagão ao Senhor. Porém, depois dos reinados de Davi e de Salomão, os israelitas não foram fiéis à aliança. Por isso, Deus foi obrigado a discipliná-los, o que resultou na sua expulsão da terra de Israel, via exílio assírio (722 a.C.) e exílio babilônico (586 a.C.). Os profetas israelitas já haviam profetizado esses eventos, mas sempre acrescentavam que a nação seria redimida e restaurada à sua glória do passado, através da vinda do Messias.

O profeta Daniel também indicou que um período conhecido como “os tempos dos gentios” interviria (Dn 9:20-27). Assim, como parte de Sua disciplina para com Israel, Deus colocou a nação sob a dominação gentílica até que o Messias venha. Quando o Messias veio, pela primeira vez, muitos em Israel estavam procurando essa redenção (ler Lc 2:25-32). Entretanto, Deus havia determinado que o Messias seria rejeitado e morreria (At 2:23). Por conseguinte, a instituição do Reino Israelita e suas prerrogativas de banimento dos malfeitores foi adiada, para dar condições de que o Evangelho chegasse até os gentios. Enquanto isso, Israel permaneceria debaixo do domínio dos gentios; daí desenvolveu-se a perspectiva equivocada de que Israel foi rejeitado para sempre. No Segundo Advento (Segunda Vinda) do Messias, o Reino Israelita será estabelecido em Jerusalém e o Messias reinará sobre o mundo inteiro em justiça.

Todavia, a Bíblia ensina claramente, que o Reino Messiânico não virá sem uma batalha, tanto espiritual, quanto literal. Satanás não renunciará à sua autoridade voluntariamente e lutará para matar e destruir tantos quantos for possível, até o seu fim. Ele também tentará destruir Israel, para impedir que chegue ao arrependimento. Contudo, ao final da Grande Tribulação, quando os exércitos do mundo cercarem e invadirem Jerusalém, o Senhor retornará para guerrear por Israel.

Os capítulos 12 a 14 de Zacarias descrevem, vividamente, essa batalha: “Naquele dia, farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra. Naquele dia, diz o Senhor, ferirei de espanto a todos os cavalos e de loucura os que os montam; sobre a casa de Judá abrirei os olhos e ferirei de cegueira todos os cavalos dos povos. (…) Naquele dia, o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o Anjo do Senhor diante deles” (Zc 12:3-4,8).

Combinado com a ação do dragão e da besta em Apocalipse 11-13 e 19, surge um panorama dessa batalha do final dos tempos: os exércitos romanos (ou ocidentais, especialmente a Europa) e o Anticristo (a Besta do Apocalipse) invadirão o Oriente Médio e Israel, onde o Anticristo conquistará o Templo (cf 2Ts 2:4) e nele erigirá sua imagem, para que o mundo o adore (Ap 13:15). Ainda que a intenção dele seja a de exterminar Israel, Deus protegerá um remanescente fiel. Então os exércitos do mundo todo se ajuntarão no Vale de Armagedom, área que se tornará o palco da batalha por Jerusalém.

Quando a situação parecer extremamente desesperadora, os líderes de Israel se arrependerão e reconhecerão Jesus como seu Messias (Zc 12:9-14). Essa atitude disparará o retorno do Messias (Zc 14:4; Ap 19) para derrotar os inimigos de Israel e estabelecer o Seu governo sobre o mundo inteiro, a partir de sua sede em Jerusalém.

Esse Reino Messiânico não é o final da história. Após o reinado de mil anos do Messias (Ap 20), Deus criará novos céus e uma nova terra - o Estado Eterno -, bem como edificará uma Nova Jerusalém, onde todos os seus filhos, a sua igreja, viverão juntos, em igualdade, por toda a eternidade (Ap 21-22). Essa nova Jerusalém é a cidade celestial que foi feita para ser o local onde Deus habitará juntamente com os homens que lhe foram fiéis e aceitaram a sua oferta de submissão e obediência à sua Palavra. É o local que substituirá o Éden como morada de Deus com os homens. Ela é explicitamente mencionada e revelada no capítulo 21 do livro do Apocalipse. O próprio Jesus já havia mencionado existir um lugar que seria por Ele preparado para que os seus servos nele habitassem para sempre com o Senhor (João 14:1-3).  O objetivo de Deus é fazer com que tenhamos, novamente, um lugar onde possamos habitar com Deus, e a Nova Jerusalém é este local.


CONCLUSÃO



Não temos dúvida de que o reino messiânico é uma realidade iminente. A Bíblia está eivada de profecias a respeito deste tempo tão promissor e de grande expectativa, tanto para a Igreja como para o povo judeu. Assim como todas as profecias sobre os impérios passados e acerca da primeira vinda de Cristo cumpriram-se fielmente, as profecias escatológicas igualmente se cumprirão. Os acontecimentos atuais, principalmente com os que tem ocorrido com a nação de Israel, pregam com bastante penetração que estamos no limiar  de um novo tempo e de uma nova forma de Deus tratar com o ser humano. O reino messiânico será o único período da história em que “o efeito da justiça será paze a operação da justiça, repouso e segurança para sempre”(Is 32:17). Como diz o Salmista: “A misericórdia e a verdade se encontraram;a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85:10).  “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:



William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).



Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão - nº 52 - CPAD.

A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon, v.5 - CPAD.




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Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.
ComentaristaEsequias Soares.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa.

Lição 7
Miqueias — A importância da obediência

18 de novembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“[...] Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor é do que o gordura de carneiros” (1 Sm 15.22). - O obedecer é melhor do que o sacrificar: embora Samuel obviamente não acredite na desculpa de Saul (veja V. 19), mostra que, mesmo na hipótese de haver verdade nisso, a lição é que a prática de rituais não tem valor quando não é acompanhada por um espírito sincero e submisso. Veja denuncias semelhantes de rituais sem conteúdo, feitas posteriormente por outros profetas de Israel (Is 1.10-17;Jr 6.19-20; 7.21-26; Os 6.6; Am 5.21-24; Mq 6.6-8; Sl 51.16-17; Pv 15.8; 21.3,27).

VERDADE PRÁTICA

A mensagem de Miqueias leva-nos a pensar seriamente acerca do tipo de cristianismo que estamos vivendo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Miqueias 1.1-5; 6.6-8.


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Explicar a estrutura da mensagem de Miqueias.
  • Definir a obediência bíblica.
  • Conscientizar-se de que o ritual religioso não proporciona relacionamento íntimo com Deus e nem salvação.

Palavra Chave
Obediência: 
1. Cumprimento da vontade alheia.

2. Submissão.

3. Preito de homenagem.

4. Domínio, autoridade.
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COMENTÁRIO

introdução

O ministério profético de Miquéias tem lugar numa época dominada por um enorme contraste, tanto em Israel quanto em Judá, entre os excessivamente ricos e os pobres oprimidos, devido à exploração da classe média de Israel (veja 2.1-5). Os ricos opressores eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel. Em razão dessa má liderança, toda a nação tornou-se corrupta e digna de julgamento. Miquéias é levantado por Deus nesse cenário, para proclamar que o Santo e Justo não tolerará mais a maldade de seu povo. Os pecados morais e religiosos da ganância e da idolatria daqueles dias foram o fator desencadeador do ministério profético de Miquéias. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. O LIVRO DE MIQUEIAS

1. Contexto histórico. Ele profetizou nos dias de Jotão , Acaz e Ezequias, reis de Israel e de Judá entre 750 e 680 a.C., antes e depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 a.C., tendo sido contemporâneo de Oséias e de Isaías. Não há muitas informações sobre a sua vida pessoal, sabemos que ele era Morastita, ou seja, morador de Moreseti- Gate. O local fica na área em redor de Beit-Jibrim, situada a aproximadamente 32 km ao sudoeste de Jerusalém e a 27 km a oeste de Tecoa, onde vivia Amós. Seu nome (מִיכָיְהּMikhayhu), significa “quem é como Jeová?” Aparentemente ele faz um jogo de palavras sobre isto em 7.18: “Quem, ó Deus, é semelhante a ti?”. Contemporâneo de Isaias e como este, serviu no reino do sul, Judá, sendo que, seu ministério iniciou depois do de Isaías e provavelmente, tenha terminado um pouco antes.Por sua origem camponesa se assemelha à Amós, com quem compartilha uma aversão às grandes cidades e uma linguagem concreta e franca, nas comparações breves e nos jogos de palavras.
2. Estrutura e mensagem. O assunto do livro divide-se em três seções: na primeira condena os pecados da Samaria e de Judá, principalmente as injustiças praticadas pelos ricos e poderosos que despojavam injustamente os pobres; a segunda começa com um vaticínio sobre a restauração de Jerusalém, sobre a qual virão as nações estrangeiras e das quais esta se libertará; a terceira corresponde a um processo contra Jerusalém devido às suas idolatrias. A mensagem de Miquéias dirigia-se a Israel e Judá, endereçada primeiramente as respectivas capitais, Samaria e Jerusalém. Suas três ideias principais eram: os pecados, a destruição e a restauração deles. Tais ideias no livro são mistura das, com transições súbitas da descrição da desolação presente à da glória futura. Samaria era a capital do reino do norte, seus governantes eram responsáveis direto pela corrupção nacional dominante. Sendo que 200 anos antes apostataram de Deus e adotaram o culto do bezerro e a baal e outros ídolos e práticas idólatras dos cananeus. Deus lhes enviara Elias, Eliseu e Amós pra fazê-los abandonar os ídolos, não aceitaram as mensagens dos profetas, já estavam amadurecidos para o golpe de morte. Miquéias chegou a ver a realização de suas palavras, os assírios levaram todo norte de Israel e em Samaria mesma tornou-se um montão. Na fronteira dos filisteus, na própria cidade natal de Miquéias foi invadida e devastada e pelos assírios, enquanto o reino do norte era derribado.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O livro de Miqueias tem como assunto principal a ira divina sobre os pecados de Samaria e Judá.

II. A OBEDIÊNCIA A DEUS

1. O conceito bíblico de obediência. O verbo hebraico šāma’ (raiz primitiva): “ouvir com inteligência – com implicação de atenção, obediência. Basicamente significa ouvir. O uso mais conhecido deste termo é para introduzir o Shemá, “Ouve, Israel”, seguido pelo conteúdo daquilo que os israelitas devem entender acerca do Senhor, seu Deus, e sobre como devem responder a Ele (Dt 6.4). Miqueias apresenta sua profecia a Judá e Israel, mostrando que Deus é o responsável por julgar a falta de temor do povo para com seu Deus. Ele denuncia os falsos profetas, os líderes desonestos e os sacerdotes ímpios que enganavam o povo e o conduziam ao pecado, ao invés de direcioná-los a uma vida mais próxima de Deus. Por mais que se pratique de forma correta os rituais que a Lei ordena, esses rituais não podem ser suficientes se o coração do povo mantinha seus pecados. Deus estava irado com Samaria e Jerusalém, pois o povo não o adorava de coração. Isso não significa que Deus abomina rituais. Ele mesmo prescreveu em Levítico a liturgia e as festas religiosas. O que deixou Deus irado foi o povo imaginar que seguindo corretamente os rituais, estariam isentos de uma vida de fé e das obrigações sociais da Lei quanto ao auxílio dos pobres. “Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros? De dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? O fruto do meu ventre, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.7,8). O profeta deixa claro o desejo de Deus para os israelitas, numa referência que serve também para a Igreja do Senhor: a prática da justiça, o amor à bondade e o andar de forma não soberba diante de nossos pares e do próprio Deus.
2. A desobediência das nações. O julgamento do Senhor contra Israel e Judá exemplifica e configura o julgamento divino contra todos os povos que comentem idolatria e crimes sociais.
3. A ira de Deus sobre o pecado (1.3-5). Como Miquéias estava muito interessado na injustiça social, não é de surpreender que a sua profecia fosse dirigida a Samaria e Jerusalém (Mq 1.1,5). Estas cidades eram habitadas pelas classes mais ricas e privilegiadas da sociedade, e havia muitas desumanidades sendo cometidas contra os grupos menos afortunados. Miqueias apresenta sua profecia a Judá e Israel, mostrando que Deus é o responsável por julgar a falta de temor do povo para com seu Deus. Ele denuncia os falsos profetas, os líderes desonestos e os sacerdotes ímpios que enganavam o povo e o conduziam ao pecado, ao invés de direcioná-los a uma vida mais próxima de Deus.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
A obediência deve ser precedida de compreensão e amoroso acatamento da mensagem divina.

III. O RITUAL RELIGIOSO

1. O rito levítico. O termo hebraico para rito é mê’mar (rito, determinação, mandato), derivado do aramaico e corresponde ao termo mâ’amar (alguma coisa oficialmente dita; um decreto; mandamento). Esta palavra se origina do verbo aramaico comum amar, que significa dizer. Rito é o conjunto de cerimônias e práticas litúrgicas através das quais externamos a fé. A maioria dos grupos protestantes concordam entre si que Cristo deixou à Igreja duas observâncias - ou ritos – ou sacramentos - a serem incorporadas no culto cristão: o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. (O protestantismo, seguindo os reformadores, tem rejeitado a natureza sacramental de todos os ritos menos os dois originais). Desde os tempos de Agostinho, muitos têm seguido a opinião de que tanto o batismo quanto a Ceia do Senhor servem como "sinal exterior e visível de uma raça interior e espiritual". O problema não está na prática dos ritos, mas na interpretação do seu significado (por exemplo, o que subentende uma "graça interior e espiritual"?). Estes ritos históricos da fé cristã são normalmente chamados sacramentos ou ordenanças. Alguns empregam os termos de modo intercambiável, ao passo que outros defendem que o entendimento correto das diferenças entre os conceitos é importante para a correta aplicação teológica. O Catolicismo Romano, a Ortodoxia Oriental e algumas das denominações protestantes usam o termo "sacramento" para se referir a "um sinal/ritual que resulta na graça de Deus sendo transmitida para o indivíduo". Geralmente existem sete sacramentos nessas denominações. Eles são o batismo, a confirmação, a sagrada comunhão, a confissão, o casamento, as ordens sagradas e a unção dos enfermos. Segundo a Igreja Católica, "há sete sacramentos. Eles foram instituídos por Cristo, devem ser administrados pela igreja e são necessários para a salvação. Os sacramentos são os veículos da graça que eles transmitem." A Bíblia, ao contrário, diz-nos que a graça não é dada através de símbolos externos e nenhum ritual é "necessário para a salvação". A graça é gratuita (Tt 3.4-7). Esses cerimonialismos, contudo, não substituem o relacionamento sincero com Deus, nem proporcionam salvação (1 Sm 15.22; Sl 40.6-8; 51.16,17; 1 Co 1.14-17; 11.28,29).
2. O diálogo de Deus com o povo (6.6). O texto do capítulo 6 apresenta um exemplo clássico da ação judicial profética, onde o Senhor pleiteia os termos da aliança contra o seu povo desobediente. A mensagem inicia com uma cena de julgamento na qual o Senhor é aquele que apresenta a queixa, Miquéias é o seu enviado, os montes são as testemunhas, e Israel é o acusado (6.1,2) Como o representante de Deus, Miquéias deve acionar a causa de Deus contra o povo. Os versículos 6 a 8 apresentam uma réplica de Israel ao processo de Deus, no qual se reivindica ignorância, apresentando questões ao Senhor acerca do que é aceitável para ele. A resposta implícita é que nada é aceitável, a menos que essa pessoa esteja num relacionamento adequado com Deus e seu próximo. A perícope também mostra a inadequação do sistema sacrificial inteiro, sem o acompanhamento de uma fé obediente (Hb 9.11; 10.1-14).
3. Sacrifício humano (6.7). Mediante a progressão retórica dos sacrifícios – bezerros... milhares de carneiros... o meu primogênito - Miquéias expôs o absurdo da dependência de Israel dos ritos e sacrifícios vazios para merecer o favor divino. Tal confiança demonstrava uma profunda falta de compreensão da graça divina, pois a salvação de Israel era gratuita e não por méritos (6.4,5). Além disso, as obrigações da aliança por parte de Israel subentendiam justiça social, e não somente liturgia (6.8).

SINOPSE DO TÓPICO (III)
O ritual religioso não substitui o relacionamento intenso com Deus e, muito menos, proporciona salvação.

IV. O GRANDE MANDAMENTO

1. A vontade de Deus. Deus estava realmente procurando uma resposta ética de seu povo da aliança. Os mestres da Lei encontraram 613 preceitos, no Salmo 15 estes estão reduzido a 11, em Isaías 33.15 a 6 mandamentos; Miquéias condensa-os a três: ser honesto em tudo o que fizer; cultivar fidelidade compassiva, e comprometer-se a viver em submissão a Deus. A Bíblia valoriza a obediência de todo o coração acima da conformidade religiosa externa. O ritual de sacrifícios, ou qualquer outra religiosidade externa, sem uma mudança de atitude interior do espírito, fica aquém do arrependimento verdadeiro.
2. O sumário de toda a lei (6.8b). Benevolência, chesed; Strong 02617: Generosidade, misericórdia, bondade, amor infalível; ternura, fidelidade. Chesed ocorre 250 vezes na Bíblia. Ela pode ser melhor traduzida como “bondade”, embora, fidelidade seja, às vezes, a ideia principal. Na maioria das vezes, nas Escrituras, chesed é usada para a misericórdia de Deus. Em Mateus 9.13 Jesus chama misericórdia de assunto mais importante da lei (Mt 23.23). A bondade é uma característica que Deus espera que o homem possua. O homem é tendencioso a ser escrupulosamente atento às coisas externas e esquecer dos princípios fundamentais de moralidade. O Novo Testamento considera a obediência cristã como a prática de boas obras. Os crentes são ricos de boas obras. Não obstante isso, o legalismo distorce a obediência, a motivação e o propósito e jamais produzirá boas obras (Mt 22.37-40).

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O grande mandamento é este: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

CONCLUSÃO
Nesta lição vimos que por mais que se pratique de forma correta os rituais que a Lei ordena, esses rituais não podem ser suficientes se o coração do povo não estiver livre de seus pecados. Deus estava irado com Samaria e Jerusalém, pois o povo não o adorava de coração. O povo de Israel e Judá na sua ignorância acerca da vontade do Senhor preferia multiplicar os holocaustos e dar toda a atenção ao cerimonial. Eles não percebiam que o que Deus queria era uma vida de justiça, misericórdia e fé. Muitos crentes também estão presos no ritualismo vazio sem jamais buscarem pela justiça e demais qualidades dadas por Deus. Miquéias deixa claro o desejo de Deus para os israelitas, numa referência que serve também para a Igreja do Senhor: a prática da justiça, o amor à bondade e o andar de forma não soberba diante de nossos pares e do próprio Deus.
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Outubro de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. Qual o assunto do livro de Miqueias?
R. O assunto do livro é a ira divina em relação aos pecados de Samaria e de Jerusalém.
2. Qual a definição de obediência?
R. É acatar ordens de autoridade religiosa, civil ou familiar.
3. Qual o significado da palavra “rito” e quais são os dois rituais do cristianismo?
R. Cerimônia religiosa, uso, costume, hábito, forma, processo, modo. E os dois rituais do cristianismo são o batismo e a ceia do Senhor.
4. Desde quando o estilo de vida que agrada a Deus foi comunicado ao povo?
R. Desde Moisés.
5. Qual é a maior declaração do Antigo Testamento?
R. Os três preceitos — praticar a justiça, amar a beneficência e andar humildemente com Deus.



NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;
 - Louis Berkhof – Teologia Sistemática – p. 68
- http://www.monergismo.com/textos/atributos_deus/moral_berkhof.htm
- Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD. 2009.
- SOARES, E. O Ministério Profético na Bíblia: A voz de Deus na Terra. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
- SCHULTZ, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento Ed. Vida Nova SP 1. Edição
- CHAMPLIM, Russel Normam. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia . Ed. Candeia 3. Edição 1995 São Paulo
[a] - http://www.priberam.pt/dlpo/


Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa



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4 Trim_2012_Lição 5: Obadias — O princípio da retribuição


Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.
ComentaristaEsequias Soares.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa.

LIÇÃO 05
Obadias — O princípio da retribuição

04 de novembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça”(Ob 1.15).

VERDADE PRÁTICA

Obadias mostra que a lei da semeadura e o princípio da retribuição constituem uma realidade da qual ninguém escapará.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Obadias 1.1-4,15-18


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·         Conceituar soberania divina e livre arbítrio.
·         Elencar os elementos contextuais do livro de Obadias.
·         Saber o princípio da retribuição divina

Palavra Chave
Soberania: Qualidade ou condição de soberano. Do lat. superanus”, um adjetivo qualificativo derivado de “super”, que significa “sobre”. “Soberano” é, portanto, aquele que está “sobre” algo ou alguém; Nesta lição, autoridade inquestionável que Deus exerce sobre todas as coisas criadas no céu e na terra.

COMENTÁRIO

introdução

A afirmação de que Deus é absolutamente soberano na criação, na providência e na salvação é básica à crença bíblica e ao louvor bíblico. A visão de Deus reinando de seu trono é repetida muitas vezes (1Rs 22.19; Is 6.1; Ez 1.26; Dn 7.9; Ap 4.2; conforme Sl 11.4; 45.6; 47.8-9; Hb 12.2; Ap 3.21). Somos constantemente lembrados, em termos explícitos, que o SENHOR reina como rei, exercendo o seu domínio sobre grandes e pequenos, igualmente (Êx 15.18; Sl 47; 93; 96.10; 97; 99.1-5; 146.10; Pv 16.33; 21.1; Is 23.23; 52.7; dn 4.34-35; 5.21-28; 6.26; Mt 10.29-31). O domínio de Deus é total: ele determina como ele mesmo escolhe e realiza tudo o que determina, e nada pode deter seu propósito ou frustrar os seus planos. Ele exerce o seu governo no curso normal da vida, bem como nas mais extraordinárias intervenções ou milagres. Obadias é um livro pequeno, mas que apresenta uma grande verdade: Deus retribui as ações arrogantes do homem no devido tempo. Não importa quanto tempo se passe desde que ajamos de forma perversa com as pessoas que nos cercam: nossos atos não ficam impunes diante de Deus. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. A SOBERANIA DE DEUS

1. Conceito. A soberania divina é a garantia de que as promessas de Deus jamais falham e a análise desta prerrogativa do Senhor é importantíssima para o fortalecimento de nossa fé. A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. Ele é apresentado como o Criador, e Sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de Sua obra criadora, o céu, a terra e tudo o que eles contêm Lhe pertencem. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. Ele sustenta todas as coisas com a Sua onipotência, e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir. Ele governa como Rei no sentido mais absoluto da palavra, e todas as coisas dependem dele e Lhe são subservientes. As provas bíblicas da soberania de Deus são abundantes, mas aqui nos limitaremos a referir-nos a algumas das passagens mais significativas: Gn 14.19; Ex 18.11; Dt 10.14, 17; 1 Cr 29.11, 12; 2 Cr 20.6; Ne 9.6; Sl 22.28; 47.2, 3, 7, 8; Sl 50.10-12; 95.3-5; 115.3; 135.5, 6; 145.11-13; Jr 27.5; Lc 1.53; At 17.24-26; Ap 19.6. Dois dos atributos requerem discussão sob este título, a saber, (1) a vontade soberana de Deus, e (2) o poder soberano de Deus (Louis Berkhof – Teologia Sistemática – p. 68). O chefe de família diz: Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? e o Deus dos céus e da terra te faz esta mesma pergunta nesta manhã. Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Não existe atributo de Deus que ofereça mais conforto aos seus filhos do que a doutrina da Soberania Divina. Nas circunstâncias mais adversas, nas mais severas inquietações, eles crêem que a Soberania ordenou as suas aflições, acreditam que ela as governa e os santificará completamente.[ C.H. Spurgeon]. Questionar a moralidade das ações divinas é inadequado. As criaturas não têm o direito de objetar ao que seu Criador faz. Este ensinamento jamais deveria nos levar a pensar que uns são mais dignos que outros, mas sim, que o Criador controla toda a criação. Não há base para o ensino que afirma que podemos exigir de Deus, ou de alguma forma ‘pressioná-Lo’ a fazer algo. A criatura não tem o direito de exigir nada do seu Criador visto que sua existência depende dEle. O domínio de Deus é total: ele determina como ele mesmo escolhe e realiza tudo o que determina, e nada pode deter seu propósito ou frustrar os seus planos. Ele exerce o seu governo no curso normal da vida, bem como nas mais extraordinárias intervenções ou milagres. Para os calvinistas não há livre arbítrio, mas sim, livre agência. “Livre-arbítrio”, tem sido definido, como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua criação, para escolher entre o bem e o mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o bem ou o mal”. “Livre Agência ou Capacidade de Escolha: Existe no homem uma capacidade tal que lhe dá condições de fazer escolhas, de acordo com o que lhe é agradável. O homem sempre e em qualquer condição, faz as suas escolhas, de tal forma que ele é responsabilizado por elas. “Essa capacidade ou aptidão é um aspecto inalienável da natureza humana normal”. Ele é livre para escolher o que lhe agrada, de acordo com suas inclinações. Sobre este aspecto da existência humana a CFW diz o seguinte: “Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza.” (Tg 1.14; D. 30.19; Jo 5.40; Mt 17.12; At 7.51; Tg 4.7).
2. Livre-arbítrio. As criaturas racionais de Deus, angélicas ou humanas, gozam de livre arbítrio, isto é, têm o poder de tomar decisões pessoais quanto àquilo que desejam fazer. Não seríamos seres morais, responsáveis perante Deus, o Juiz, se não fosse assim. Nem seria possível distinguir – como as Escrituras fazem – entre os maus propósitos dos agentes humanos e os bons propósitos de Deus, que soberanamente, governa a ação humana como meio planejado para seus próprios fins (Gn 50.20; At 2.23; 13.26-39). Contudo, o fato da livre ação nos confronta com um mistério. O controle de Deus sobre os nossos atos livres – atos que praticamos por nossa própria escolha – é tão completo como o é sobre qualquer outra coisa. Mas não sabemos como isso pode ser feito. Apesar desse controle, Deus não é e não pode ser autor do pecado. Deus conferiu responsabilidade aos agentes morais, no que concerne aos seus pensamentos, palavras e obras, segundo a sua justiça. O Sl 93 ensina que o governo soberano de Deus (a) garante a estabilidade do mundo contra todas as forças do caos (vs. 1-4); (b) confirma a fidedignidade de todas as declarações e ensinos de Deus (v. 5) e (c) exige a adoração do seu povo (v. 5). O salmo inteiro expressa alegria, esperança e confiança no Todo-Poderoso. (Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 991). Calvino disse o seguinte acerca da situação do homem: As Escrituras atestam que o homem é escravo do pecado; o que significa que seu espírito é tão estranho à justiça de Deus que não concebe, deseja, nem empreende coisa alguma que não seja má, perversa, iníqua e impura; pois o coração, completamente cheio do veneno do pecado, não pode produzir senão os frutos do pecado. O homem, após a queda não possui mais o livre-arbítrio, não pode mais escolher algo que é contrário a sua natureza pecaminosa. Ele está morto, cego, é escravo do pecado. Esta doutrina defendida pelos calvinistas, pelos reformados, que por sua vez é negada pelos arminianos, não se trata apenas de uma posição teológica diferente, e sim de afirmação bíblica. Nega-la é o mesmo que renunciar a Palavra de Deus neste assunto.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O livre-arbítrio não nega a soberania divina; pelo contrário, a confirma.

II. O LIVRO DE OBADIAS

1. Contexto histórico. Obadias não tem uma história pessoal. Sem dúvida o seu nome, (nome teofórico, עבדיה, Ovadyah, "Servo ou Cultuador de YHWH"), é sugestivo.Esse era um nome muito comum entre os semitas, especialmente após o cativeiro. Obadias ou Abdias é um profeta do Antigo Testamento, parte dos "Profetas Menores" (o quarto, na ordem do cânon hebraico e da Vulgata Latina, e o quinto na Tradução dos Setenta, a Septuaginta). É o menor livro do Antigo Testamento, tem apenas 21 versículos. Obadias é um profeta de Deus que usa esta oportunidade para condenar Edom pelos pecados contra Deus e Israel. Os edomitas são descendentes de Esaú e os israelitas são descendentes de seu irmão gêmeo, Jacó. A briga entre os irmãos tem afetado seus descendentes por mais de 1.000 anos. Esta divisão causou os edomitas a proibir que Israel atravessasse as suas terras durante o êxodo dos israelitas do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigem agora uma forte palavra de julgamento do Senhor.
2. Estrutura e mensagem. O seu livro, constituído por apenas 21 versículos, é o menor do Antigo Testamento e trata do tema da falta de solidariedade do povo de Edom(descendentes de Esaú - Genesis 36.1) para com Israel, considerado como seu povo irmão. O livro se divide em duas partes: o "Profecia contra Edom" e a "Proclamação do Dia de YHWH". Assim, toda a mensagem de Obadias pode ser resumida em duas frases: 1. A destruição de Edom (versos 1-16). 2. A restauração de Israel (versos 17-21). Sem dúvida o profeta dirige suas palavras, não tanto como uma admoestação a Edom, mas como uma mensagem de consolo a Israel. O livro pode ser assim dividido: 1. A ruína de Edom, mesmo estando abrigada com segurança em meio às serras rochosas (Versos 1-9). 2. Os motivos, isto é, a sua crueldade com Israel e o seu regozijo pela adversidade de Judá (Versos 10-14). 3. A retribuição divina a Edom e a restauração de Israel.
3. Posição no Cânon. No Hebraico ele é o quarto, seguindo esta ordem: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, etc. No Grego ele é o quinto: Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Obadias, Jonas, etc. Isso mostra claramente que os organizadores do Cânon (200 a.C) consideravam Obadias como primitivo.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
Com apenas vinte e um versículos, Obadias é o livro mais curto do Antigo Testamento.

III. EDOM, O PROFANO

1. Origem. Edom (hebreu : אֱדוֹם, EdomʾĔḏôm, "vermelho") é um nome dado a Esaú na Bíblia Hebraica, bem como à nação descendente dele. O nome da nação latim, Idumæa ou Idumea, de onde vem o termo português Idumeia. Os edomitas foram um grupo tribal vizinhos de Judá ao sul, de língua semítica habitantes do Deserto de Negev e do vale de Arabá do qual é hoje o sul do Mar Morto e vizinho ao Jordão. A região tem muitos arenitos avermelhados, o que pode ter levado à origem do nome "Edom". A nação de Edom é conhecida por ter sobrevivido aos séculos VIII e IX a.C, e a Bíblia o data muitos séculos antes desses. Provas arqueológicas recentes podem indicar uma nação Edomita tão antiga quanto ao Século XI a.C. Os edomitas eram nômades ou semi-nômades semitas, que se estabeleceram no sul do território do rio Zered, na margem sudeste do Mar Morto. Seu território erguia-se sobre uma longa elevação de mais de cinco mil pés de altura, onde a altitude lhe garantia a chuva necessária para praticar a agricultura ao longo da crista do planalto. Gn 36.1, 8, 19 e 43 liga os edomitas com o caçador Esaú, afirmando: “Assim Esaú estabeleceu-se na montanha de Seir. Esaú é Edom” (Gn 36.8). Em Am 1.11, Edom é rejeitado porque perseguiu seu irmão de Israel: “Assim falou Yahweh: pelos três crimes de Edom, pelos quatro não o revogarei! Porque perseguiu à espada o seu irmão...” Talvez aqui se encontre uma referência a Gn 25.21-24, onde Esaú e Jacó lutavam dentro de Rebeca, antes mesmo de nascer. Em Ml 1.2-4 encontra-se também esta referência à luta entre Esaú e Jacó, sendo Jacó o amado de Yahweh e Esaú o rejeitado: “Não era por acaso Esaú irmão de Jacó? – oráculo de Yahweh. Contudo, eu amei Jacó e odiei a Esaú. Eu fiz de suas montanhas um deserto, e de sua herança, pastagens da estepe. Se Edom disser: ‘Fomos destruídos, mas reconstruiremos as ruínas’, assim diz Yahweh dos exércitos: ‘Eles construirão e eu demolirei!’Chamá-los-ão: ‘Território da impiedade’ E o povo contra quem Yahweh está irado para sempre” (Ml 1.2-4). Em Dt 2.12-22 e Gn 14.6 e 36,21s encontramos a afirmação de que os edomitas expulsaram aos horitas de seu território. Ora, este território, ocupado pelos edomitas, se estendia ao sul do Mar Morto pelos dois lados, desde ،ãrābā até o golfo de el-،aqaba. Historicamente, houve choques entre os israelitas e os edomitas, já que o grande caminho comercial e as minas de metal importantes se encontravam em território edomita (cf. Nm 20.17; 21.22). Nos escritos reais assírios, os edomitas aparecem com o nome de udumu, no tempo de Adadnirani III (séc. VIII a.C.), porém nos escritos babilônicos não há menção dos edomitas. No entanto, os textos de Jr 27.3; 49.7-12 e Ez 32.29 dão a entender que os edomitas foram submetidos por Nabucodonosor[a].
2. O Deus soberano. “Sabei que o SENHOR é Deus…” (Sl. 100:3). Não são essas palavras do salmista a expressão da fé de todo verdadeiro filho de Deus? O cristão crê que o seu Deus de fato é DEUS. Ele é o Deus absolutamente soberano dos céus e da terra. Ele é aquele que criou o mundo por seu poder soberano. Ele é aquele que mesmo agora sustenta o mundo e tudo o que nele há. Ele é aquele que soberanamente governa e dirige todos os assuntos do mundo, por seu conselho eterno e poder onipotente. Até o homem está absolutamente sujeito à sua vontade. Ninguém pode frustrar a vontade de Deus, nem pode alguém questionar os seus caminhos e obras. Ele é aquele que é Deus também na salvação. Ele salva seu povo soberanamente. Na eternidade escolheu aqueles a quem salvaria. No tempo ele somente aplica a obra de Cristo ao seu povo, e os leva à vida eterna na glória. Assim, o filho de Deus declara: “Quem é Deus tão grande como o nosso Deus? Tu és o Deus que fazes maravilhas…” (Sl 77.13-14). De fato, “o SENHOR é Deus” [b].
3. Preparativos do assédio a Edom (v.1c). Deus convoca as nações para se levantarem contra Edom em batalha. (V 1). Apesar de sua posição aparentemente segura, far-se-á que Edom desça. (Vs 2-4). Ladrões ou ceifeiros levariam apenas o que desejassem e deixariam algo para trás; quando Edom cair, ele será completamente saqueado; será enganado por aqueles com quem entrou num pacto, e seus sábios e poderosos sofrerão destruição. (Vs 5-9) A casa de Esaú receberá a mesma espécie de tratamento que dispensou a Judá; a casa de Esaú deixará de existir. (Vs 15, 18)
4. O rebaixamento de Edom. O hebraico bíblico tem um tempo verbal que se chama "perfeito profético", que usa o tempo passado para descrever coisas futuras quanto ao que Deus prometeu. Assim Davi diz: "Esta é a casa do Senhor Deus" (1 Cr. 22:1), ainda quando o templo havia sido prometido por Deus. Tal era sua fé naquela palavra prometida que Davi usou o tempo presente para descrever coisas futuras. A Escritura está repleta de exemplos da presciência de Deus. Deus estava tão certo de que Ele cumpriria suas promessas a Abraão, que lhe disse: "À tua descendência deiesta terra..." (Gn. 15:18) em uma época em que Abraão nem sequer tinha semente. Neste mesmo período, antes que a semente (Isaque/Cristo) nascesse Deus prometeu: "Por pai de muitas nações te tenho posto" (Gn. 17:5). Verdadeiramente, Deus "chamou aquelas coisas que não eram como se fossem".
5. O orgulho leva à ruína. O motivo da profecia foi o tratamento ‘nada fraterno’ que os edomitas dispensaram aos “filhos de Judá” quando estes sofreram derrota. Os edomitas, através de seu ancestral, Esaú, eram aparentados aos israelitas. Os edomitas regozijaram-se com a calamidade de Judá, participaram em tomar despojos dos judeus, impediram-nos de fugir da terra e até os entregaram ao inimigo. (Ob.12-14) Como fica evidente numa comparação da profecia de Obadias com as palavras de Jeremias (25:15-17, 21, 27-29; 49:7-22) e de Ezequiel (25:12-14; 35:1-15), isto deve ter acontecido por ocasião da destruição de Jerusalém pelos exércitos babilônios e, por conseguinte, situaria a composição do livro por volta do ano 607 aC.

SINOPSE DO TÓPICO (III)
A arrogância humana e a soberba espiritual levaram os edomitas à ruína.

IV. A RETRIBUIÇÃO DIVINA

1. O princípio da retribuição. Retribuição significa “pagar na mesma moeda”. Tal princípio acha-se na Lei de Moisés (Êx 21.23-25; Lv 24.16-22; Dt 19.21). Esta lei encontra paralelo na A lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. É uma das mais antigas leis existentes.
2. O castigo de Edom. Embora irmãos, contudo, sempre inimigos dos judeus, perpetuando assim o ódio de Esaú contra Jacó em Gênesis 27.39-41. Recusaram passagem a Moisés (Números 20.14-21), e estavam sempre prontos a ajudar os inimigos de Israel. Obadias, nos vv. 12-14, cita oito atos pecaminosos praticados pelos edomitas contra os judeus no saque de Jerusalém. Edom age com grande ódio contra Israel, derramando sangue inocente (Jl. 3:19). O profeta Amós, nos dias do rei Uzias, acusa-lhe gravemente ao dizer: "Perseguiu à espada a seu irmão, e violou todo afeto natural; o seu furor conservou para sempre, e perpetuamente guardou rancor" (1.11). Mais tarde o profeta Jeremias acusa Edom de arrogância e soberba. O fato de habitar nos lugares altos tinha feito o seu coração enaltecer como as águias (Jer. 49:16). Quando Israel cai nas mãos de Nabucodonosor, Edom se alegra. O mesmo Jeremias o adverte no seu livro de Lamentações (4:21); e não somente isso, pois aproveitou a oportunidade para tomar vingança das antigas ofensas (Ez. 25:12). A reclamação mais sentida, no entanto, faz o profeta Obadias. Mas não é somente o profeta que fala: é o próprio Deus. Edom tem fracassado uma e outra vez em seu afeto fraternal, e agora Deus lhe cobra a conta. Escárnio, orgulho, roubo, e crueldade exerceu malignamente Edom contra o seu irmão Israel. “Como tu fizestes, assim se fará contigo; a sua recompensa tornará sobre a tua cabeça" (v. 15). O castigo a Edom é a sentença de Deus sobre a falta de amor fraternal, em todo tempo, também –e sobre tudo– no nosso, mais para cá da cruz. Não só o roubo e a crueldade, mas também a ira contra o irmão (Mt 5.22) é razão suficiente para que Deus nos ponha no mesmo triste lugar de Edom.
3. Esaú e Jacó (v.18). A Palavra de Deus nos mostra a realidade de gêmeos que lutavam no ventre da mãe. Vemos de forma maravilhosa o Senhor de forma soberana, declarando a Rebeca mais uma vez os seus intentos: “Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço”.

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
A verdadeira adoração não consiste em rituais externos ou em cerimônias litúrgicas, mas no espírito quebrantado e num coração contrito.

CONCLUSÃO
As condições de nossa época exigem em altos brados um reexame e nova apresentação da onipotência, da suficiência e da soberania de Deus. É necessário que se proclame vigorosamente que Deus continua vivo, continua observando, continua reinando. A nossa fé está sendo testada, a cada dia, e o homem precisa aprender que o coração e a mente não encontram lugar de descanso satisfatório, exceto no firme conhecimento de que Deus está entronizado. A paz se acha onde Deus é Deus, onde Deus é Soberano! Com Edom, aprendemos que colhemos o que plantamos e na proporção que plantamos: “Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (2Co 9.6). Há um tempo entre a semeadura e a ceifa: “Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa”(Mc 4:26-29). Sabedores dees lei espiritual, devemos perseverar em plantar boas sementes bem como, arrancar as sementes ruins antes que germinem (Ec 11.6; Ec 3.2).
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Outubro de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. O que é a soberania divina?
R. É o direito absoluto de Deus governar totalmente as suas criaturas segundo a sua vontade.
2. Qual o tema do livro de Obadias?
R. O julgamento divino contra Edom.
3. Quem é o pai dos edomitas?
R. Esaú.
4. O que significa o uso do “perfeito profético”?
R. Um recurso retórico que consiste em um acontecimento futuro, que é descrito como seja tivesse sido cumprido.
5. Como Charles L. Feinberg classifica os versículos 10 a 14 de Obadias?
R. “Boletim de ocorrência” dos crimes cometidos pelos edomitas contra os judeus.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;
 - Louis Berkhof – Teologia Sistemática – p. 68
- Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 991
[a] 
http://www.metodista.br/arqueologia/artigos/jordania-petra-e-os-nabateus; [b] http://www.monergismo.com/textos/soberania_divina/soberania-Deus-salmos_houck.pdf
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- HARRISON, R. K. Tempos do Antigo Testamento: Um Contexto Social, Político e Cultural. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
- MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 5 ed., RJ: CPAD, 2005..

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa


Joel - O Derramamento do Espírito Santo - Luciano de Paula Lourenço

Texto Básico: Joel 1:1;2:28-32


“E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos”(At 2:17)


INTRODUÇÃO


Joel é conhecido como “profeta de Pentecostes”. Se o primeiro grande ensino em Joel é o arrependimento diante das adversidades, o segundo é o derramamento do Espírito Santo sobre toda a carne e as maravilhas decorrentes (cf Jl 2:28-32). Em nenhuma outra parte do Antigo Testamento encontramos uma promessa tão abrangente cujo cumprimento significasse o cumprimento das palavras de Moisés: “Tomara que todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito”(Nm 11:29). O Dia de Pentecostes marcou o inicio deste cumprimento (cf Atos 2). Desde então, tem se cumprido com abundancia cada vez maior. É uma promessa universal (Jl 28:29). É uma promessa de um novo concerto (Jl 2:32). É uma promessa aos que creem (Jl 2:32). Podemos dizer, então, que esse Dia marcou o início de uma nova adoração por parte de todos aqueles que crerem no Espírito Santo, assim como o início do julgamento de todos aqueles que o rejeitarem.


I. O LIVRO DE JOEL NO CÂNON SAGRADO

1. Contexto histórico. Joel, cujo nome significa “O Senhor é Deus”, identifica-se como “filho de Petuel”(Jl 1:1). Suas numerosas referencias a Sião e ao ministério do Templo indicam que ele era profeta em Judá e em Jerusalém, e sua familiaridade com os sacerdotes sugere ter sido ele um profeta “sacerdotal” (cf Jr 28:1,5) que proclamou a verdadeira palavra do Senhor.
Não há informação precisa sobre o tempo de Seu Ministério. Porém, pelas circunstâncias contidas em seu Livro, o tempo é sugerido como sendo logo após o reinado da rainha Atália, que reinou entre 841 e 835 a.C (cf 2Rs 11:2,3). Se assim for, então Joel teria exercido seu Ministério no Reinado de Joás (cf 2Cr 22 a 24 e 2Reis 12). Seu Livro teria sido escrito por volta do ano 825 a.C. Se a data procede, então enquanto Joel profetizava no Sul, ou em Judá, Elias profetizava no Norte, ou em Israel. O Ministério de Elias foi exercido entre 850 e 798 a.C.


O contexto histórico da profecia de Joel foi uma época de pânico nacional em face das devastações causadas por uma terrível praga de gafanhotos, seguida de um período de seca, gerando fome e muito sofrimento, havido no tempo de Joel. Na opinião do profeta, a praga era uma advertência solene de julgamento vindouro no “Dia do Senhor”, que é a ideia central do livro de Joel.
Esse “Dia do Senhor”, biblicamente, começará com o Arrebatamento da Igreja e se prolongará até após o milênio. Será, portanto um “Dia” com mais de mil anos. A partir deste acontecimento o profeta Joel projetou, profeticamente, uma imagem de como seria “O Dia do Senhor”. Ele usa a expressão “Dia do Senhor” cinco vezes: Jl 1:15;2:1, 11, 31 e 3:14. Em Jl 1:15 ele diz que esse Dia “… virá como uma assolação do Todo-Poderoso”em 2:11 - “… o “Dia do Senhor” é grande e mui terrível”; em 2:31 - “… o sol se converterá em trevas e a lua em sangue“; em 3: 14 - “Multidões, multidões no vale da Decisão!“. Não há dúvida de que esse período descrito por Joel é o mesmo descrito por Jesus, em Mateus 24, e por João, em Apocalipse 6 a 19. O Profeta Joel estava falando, portanto, de um acontecimento ainda futuro, ou seja, a Grande Tribulação.

2. Posição de Joel no Cânon Sagrado. A ordem dos Profetas Menores em nossas versões da Bíblia é a mesma do Cânon judaico e da Vulgata Latina. Joel não menciona nenhum rei, e sua curta profecia traz poucas indicações cronológicas, o que dificulta a datação. As propostas variam do século X ao século V a.C. A posição de Joel no “Livro dos Doze”, nome dado pelos judeus aos Profetas Menores, mostra que eles o consideravam um profeta antigo. Seu estilo corresponde mais ao período clássico remoto do que à era pós-exílica de Ageu, Zacarias e Malaquias. A ausência de referencias a reis pode indicar que o livro foi escrito quando o sumo sacerdote Joiada era regente (na infância de Joás, o qual reinou entre 835-796 a.C.). Além disso, os inimigos de Judá são os fenícios, os filisteus (Jl 3:19), os egípcios e os edomitas (Jl 3:19), e não seus adversários posteriores, os sírios, os assírios e os babilônios.

3. Estrutura e mensagem.

a) Estrutura. O conteúdo do livro de Joel divide-se em três seções:

(1) A primeira seção (Jl 1:2-20), descreve a devastação de Judá ocasionada por uma grande praga de gafanhotos, que arrancou a folhagem das vinhas, árvores e campos (Jl 1:7,10), reduzindo o povo a indescritível penúria. Em meio à calamidade, o profeta conclama os lideres espirituais de Judá a guiar a nação ao arrependimento (Jl 1:13,14).

(2) A segunda seção (Jl 2:1-17), registra a iminência de um juízo divino ainda maior, proveniente do Norte (Jl 2:1-11), na forma de (a) outra praga de gafanhotos descrita metaforicamente como um exército de destruidores, ou (b) uma invasão militar literal. De novo, o profeta soa a trombeta espiritual em Sião (Jl 2:1,15), conclamando grande assembleia solene para que os sacerdotes e todo o povo busquem sinceramente a misericórdia divina, com arrependimento, jejuns, clamores e genuíno quebrantamento, diante do Senhor (Jl 2:12,17).

(3) A seção final (Jl 2:18-3:21), começa declarando a misericórdia de Deus em face do arrependimento sincero do povo. O humilde arrependimento de Judá e a grande misericórdia de Deus dão ocasião às profecias de Joel a respeito do futuro, abrangendo a restauração (Jl 2:19b-27), o derramamento do Espírito Santo sobre toda a humanidade (Jl 2:28-31), o juízo e a Salvação no final dos tempos (Jl 3:1-21).


b)  Mensagem. O oráculo foi entregue ao profeta Joel por meio da Palavra (Jl 1:1). Joel falou à nação de Judá desde o reinado de Joás até o reinado de Acaz, o que o torna o primeiro profeta a registrar seus oráculos por escrito. A mensagem do livro diz respeito ao juízo que viria sobre o povo de Deus, que foi identificado como sendo o cativeiro da Babilônia. Mas a mensagem de Joel também fala do futuro, menciona o derramamento do Espírito Santo e o “Dia do Senhor”, o acerto de contas que Deus fará com a humanidade impiedosa. Joel foi mencionado por Pedro no sermão inaugural da Igreja no dia de Pentecostes, exatamente por causa de sua profecia do derramamento do Espírito Santo. Por isso, Joel é conhecido como “o profeta pentecostal”.


II. A PESSOA DO ESPIRITO SANTO

O  Espírito Santo não é simplesmente uma influência benéfica ou um poder impessoal. É uma pessoa, assim como Deus-Pai e Jesus o são.


1. Sua personalidade. A crença na personalidade do Espírito Santo é uma das características da fé cristã. Esta crença deriva do exame preciso e cuidadoso de passagens bíblicas. Algumas seitas apresentam o Espírito Santo como sendo uma influência impessoal, uma força ou uma energia. Entretanto, a Palavra de Deus nos revela que o Espírito Santo é uma pessoa, pois menciona atitudes e ações do Espírito que somente uma pessoa pode ter. Ele possui uma mente, vontade e emoções, que são características de uma pessoa e não de uma influência ou força.
O Espírito Santo age e interage como uma pessoa completa e perfeita. Vejamos algumas provas bíblicas:



a) O Espírito Santo entristece - “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4:30). Somos admoestados a não entristecer o Espírito Santo, retratando, portanto, que Ele possui as emoções de uma pessoa. Ele sofre quando pecamos e se entristece com as manifestações do nosso pecado.



b) O Espírito Santo tem ciúmes - “Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?”(Tg 4:5)Quando traímos a Deus através dos nossos pecados - ambiguidades, contradições, negações da fé, amasiamentos com o mundo -, o Espírito de Deus sente ciúmes, como o marido, quando a mulher adultera e vice-versa. Ele sente ciúmes do adultério moral (impureza), espiritual (idolatria),econômico (amor ao dinheiro) e político (paixão e esperanças políticas mais acentuadas em relação ao programa humano que ao Reino de Deus). O Espírito Santo não é simplesmente alguém que entra em nós e depois sai. Ele vem e fica. Além disso, Ele não está presente para energizar-nos a vida. Não. Ele é uma pessoa com a qual mantemos relações pessoais.



c) O Espírito Santo pensa (Rm 8:27) - E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos“. Neste texto, as Escrituras dizem que o Espírito Santo examina os corações, ou seja, examinar é raciocinar, é calcular, é emitir juízos. Uma força jamais pode calcular, jamais pode examinar, só uma pessoa pode fazê-lo.



d) O Espírito Santo fala(Atos 8:29) - “Então disse o Espírito a Filipe: aproxima-te desse carro e acompanha-o…” . Aqui, percebemos que o Espírito Santo é um Ser que fala. Ora, uma força não pode falar, mas uma Pessoa, sim. Tanto é certo que o Espírito Santo fala que, em At 13:2, isto é explicitamente mencionado, como também em 1Tm 4:1 e Hb 3:7, bem assim em todas as cartas que Jesus enviou às igrejas da Ásia Menor (Ap 2:7,11,17,29; 3:6,13,22), como num instante em que se fazia a revelação a João das coisas que brevemente hão de acontecer (Ap 14:13).


e) O Espírito Santo ensina (João 14:26) - “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito“. Só uma Pessoa pode nos ensinar, somente uma Pessoa pode ser Mestre e o Espírito Santo tem como uma de suas principais funções a de ensinar os discípulos do Senhor Jesus enquanto aqui estiverem aguardando o seu Salvador.

2. Sua divindade. A Bíblia não se limita a mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, mas também nos revela que é uma Pessoa Divina, ou seja, é uma das Pessoas que compõem este mistério que é a Santíssima Trindade, este Deus que é triúno, ou seja, um Único Deus que está em três Pessoas.
O Espírito Santo é chamado Deus (At 5:3,4) e Senhor (2Co 3:18). Quando Isaías viu a glória de Deus (Is 6:1-3), escreveu: “Ouvi a voz do Senhor…vai e diz a este povo” (Is 6:8-9). O apóstolo Paulo citou essa mesma palavra e disse: “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías dizendo: Vai a este povo” (cf. At 28:25, 26). Com isso, Paulo identificou o Espírito Santo com Deus. Ele faz parte da Santíssima Trindade. Ele é mencionado junto com o Pai e o Filho (Mt 28:19; 2Co 13:13) e, a Bíblia afirma que os três são um (1João 5:7).
O texto mais explícito a respeito da divindade do Espírito Santo está em At 


5:3,4 -Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?… Não mentiste aos homens, mas a Deus“. Indagado por Pedro a respeito do valor da venda da propriedade, Ananias mentiu, dizendo que o valor depositado ao pé dos apóstolos era o efetivo valor da venda. Diante desta mentira, Pedro diz que Ananias havia mentido ao Espírito Santo e, por isso, havia mentido não aos homens, mas a Deus. Temos, portanto, explicitamente reconhecida a divindade do Espírito Santo, prova de que os apóstolos reconheciam o Espírito Santo como Deus, ou seja, que a doutrina da divindade do Espírito Santo é a genuína e autêntica doutrina da igreja primitiva. A propósito, se Ananias mentiu ao Espírito Santo, temos mais uma prova de que o Espírito Santo não é uma força, pois não se pode mentir senão a uma Pessoa.

3. O derramamento do Espírito(Jl 2:28-32). O derramamento do Espírito Santo, profetizado por Joel, ocorreu por ocasião do Pentecostes (Atos 2). Enquanto no passado o Espírito Santo parecia estar disponível a reis, sacerdotes e profetas, Joel predisse um tempo em que este poder estaria disponível a todos os crentes. Ezequiel também falou sobre o derramamento do Espírito Santo (Ez 39:28,29). Atualmente, o Espírito Santo é derramado, de uma forma efusiva, sobre qualquer pessoa que venha a Deus em busca de sua salvação (Jl 2:32).
O derramamento do Espírito não acontece antes, mas depois que o povo de Deus se arrepende e se volta para ele. Esperar o derramamento do Espírito sem tratar do pecado é ofender a Deus. Buscá-lo sem voltar-se para Deus é atentar contra a santidade do Senhor.



4. Como uma pessoa pode ser derramada? Esta é uma das perguntas que alguns grupos  religiosos fazem frequentemente, com a finalidade de “provar” que o Espírito Santo não é Deus nem  uma pessoa. Por duas vezes a palavra profética afirma “derramarei o meu Espírito” (Jl 2:28.29), o  que é ratificado em o Novo Testamento (At 2:17,18). Se, aqui, o derramamento do Espírito Santo fosse evidência contra sua personalidade então o apóstolo Paulo também não seria uma pessoa, pois escreveu acerca de si próprio: “mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebida…”(Fp 2:17; 2Tm 4:6 - tradução do Novo Mundo). Uma vez que o apóstolo Paulo obviamente é uma pessoa real, e pode ser mencionado nas Escrituras como “derramado”, então a mesma expressão referindo-se ao Espírito Santo, dificilmente poderia ser usada como uma prova contra a sua personalidade. Também, o fato de alguém ser ou estar cheio do Espírito Santo (At 2:4), ou revestido dele, não quer dizer que o Espírito Santo seja impessoal.
Ainda apresentando a mesma linha de raciocínio desses grupos religiosos, perguntamos: como pode Jesus ser uma pessoa e alguém ser morada dele? - “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada (João 14:23). Paulo declara:“meus filhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós“(Gl 4:19). Como pode Jesus ser formado em alguém, sendo ele uma pessoa? Ainda em Gálatas 2:20, Paulo disse: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim“. Como esses grupo religiosos explicam esse mistério? Negam também a personalidade de Jesus por causa disso? É claro que não! Então por que negam a personalidade do Espírito Santo, valendo-se do mesmo argumento? Certamente, negam essa verdade bíblica porque não se preocupam em ensinar a Bíblia, mas de impor crenças peculiares.


III. HORIZONTES DA PROMESSA


1. Ponto de partida - “Acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito…”(Jl 2:28). O rev. Hernandes Dias Lopes citando Warren Wiersbe diz que a palavra “depois”,neste texto de Joel, refere-se aos acontecimentos descritos em Joel 2:18-27, quando o Senhor sara a nação depois da invasão Assíria. Contudo, não significa logo em seguida, pois se passaram muitos séculos antes do Espírito Santo ser derramado. Quando Pedro citou esse versículo em seu sermão no dia de Pentecostes, o Espírito Santo o dirigiu a interpretar o “depois” como “nos últimos dias” (At 2:17). Os “últimos dias” começaram com o ministério de Cristo na terra e se encerrarão com “o Dia do Senhor“.
O que Deus promete, ele cumpre, pois vela pela sua Palavra para cumpri-la. Quando ele age, ninguém pode impedir sua mão de agir. Deus hipotecou sua Palavra e empenhou sua honra nessa promessa. As promessas de Deus são féis e verdadeiras e nenhuma delas pode cair por terra. O derramamento do Espírito cumpriu-se no dia de Pentecostes (At 2:16-21) e ninguém pôde deter o braço de Deus em promover o crescimento da igreja. O Sinédrio judeu tentou abafar a obra do Espírito prendendo e açoitando os apóstolos. Os imperadores romanos, com fúria implacável, quiseram acabar com a igreja, jogando os cristãos nas arenas, queimando-os em praças públicas e matando-os ao fio da espada. Mas a igreja, com destemor e poder, espalhou-se como rastilho de pólvora por todos os quadrantes do império e o sangue dos mártires tornou-se a sementeira do evangelho. Ao longo dos séculos muitas perseguições sanguinárias tentaram neutralizar a obra de Deus, mas a Igreja revestida com o poder do Espírito Santo jamais recuou, jamais descansou as armas, jamais se intimidou.
Antes do Pentecostes, os discípulos estavam com as portas trancadas de medo; depois do Pentecostes, eles foram presos por falta de medo. O problema da igreja não são as ameaças externas, é a fraqueza interna. Não é a falta de poder econômico e político, mas a falta do poder do Espírito Santo!



Mas não podemos pensar que esse derramamento ficou restrito apenas ao Pentecostes. O derramamento do Espírito Santo é uma promessa vigente e contemporânea. Não podemos pensar que já recebemos tudo que deveríamos receber do Espírito Santo. Há mais para nós. Há infinitamente mais (Ef 3:20).


A igreja não pode se contentar com pouco. Não podemos nivelar a vida com Deus às pobres experiências que temos tido. O Senhor pode fazer infinitamente mais. O Espírito pode ser derramado outras e outras vezes sobre um povo sedento, que anseia por Deus mais do que o sedento por água, mais do que a terra seca por chuva (Is 44:3). Essa promessa é para nós, para nossos filhos e para aqueles que ainda estão longe, para quantos o Senhor nosso Deus chamar (At 2:39).


2.Comunicação divina. Desde a formação do homem, Deus sempre quis e quer se comunicar com ele. Antes da queda, Deus se comunicava com o homem pessoalmente e verbalmente. É o que se percebe através do texto de Gênesis 3:8-10. Após a queda, embora à distância, Deus sempre quis falar com o homem, transmitindo sua vontade divina e soberana.
No texto de Joel 2:28,29 vemos outra forma de Deus se comunicar com o ser humano. Deus disponibilizou recursos espirituais para manter a comunicação com o seu povo por meio de sonhos, visões e profecias, independentemente de idade, sexo e posição social (Jl 2:28b,29). O apóstolo Pedro, em Atos 2:17, diz que isto se daria nos “últimos dias”, os quais teve início com o nascimento da Igreja no dia de Pentecostes. Essa comunicação se daria sem acepção de pessoas.
a) A quebra do preconceito etário (Jl 2:28) -  ” . . . ] vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões“. Deus enche do seu Espírito os jovens e os velhos. Deus usa os velhos e os jovens. Ele não se limita à experiência do velho nem apenas ao vigor do jovem. Ele torna o jovem mais sábio que o velho (Sl 119:100) e o velho mais forte que o jovem (Is 40:29-31). O Espírito de Deus não tem preconceito de idade. O idoso pode ser cheio do Espírito e sonhar grandes sonhos para Deus, enquanto o jovem pode ter grandes visões da obra de Deus. O velho pode ter vigor e o jovem discernimento e sabedoria. Onde o Espírito de Deus opera, velhos e jovens têm a mesma linguagem, o mesmo ideal, a mesma paixão e o mesmo propósito.
b) A quebra do preconceito social’(Jl 2:29) - “Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. O Espírito de Deus não é elitista. Ele vem sobre o rico e sobre o pobre, sobre o doutor mais ilustrado e sobre o indivíduo mais iletrado. Quando o Espírito Santo é derramado sobre as pessoas, elas podem ser rudes como os pescadores da Galiléia, mas, na força do Senhor, revolucionam o mundo (1Co 1:27-29). Mesmo que tenhamos muitas limitações, o Espírito pode nos usar ilimitadamente. A obra de Deus não avança com base na nossa sabedoria e força, mas no poder do seu Espírito (Zc 4:6).
Todavia é bom ressaltar, que a Bíblia Sagrada é a revelação de Deus ao homem e, por isso, tudo que quisermos saber a respeito de Deus e que é relevante para a nossa salvação se encontra neste Livro sagrado, fruto de uma revelação progressiva que o Senhor foi dando aos escritores sagrados, durante um espaço de mais de mil e quinhentos anos.
Como a Bíblia Sagrada tem como seu único autor o próprio Deus, temos que esta Obra apresenta uma unidade, um conjunto de ensinamentos que foi sendo revelado aos homens durante o tempo da inspiração das Escrituras. Estes ensinos dizem respeito a Deus, ao homem e ao processo pelo qual Deus deseja ter o homem em sua companhia, mesmo depois que o homem quis se tornar independente de Deus, negando-lhe obediência. Está escrito: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, eproveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça“(2Tm 3:16).


IV. O FIM DOS TEMPOS

1. Sinais. O derramamento do Espírito sinaliza grandes intervenções de Deus (Jl 2:30-32). Duas grandes intervenções de Deus são apontadas pelo profeta Joel.
a) O derramamento do Espírito aponta para o julgamento de Deus às nações (Jl 2:30,31) - “Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor”. Joel vislumbrou fenômenos que acompanharão o desdobramento do drama humano, no futuro, nos “últimos dias”, antes da Parousia de Cristo. O apóstolo João, exilado na ilha de Patmos, fez referência oitocentos anos depois de Joel a esses mesmos fenômenos: “E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue” (Ap 6:12).
De acordo com a profecia de Joel, os sinais sobrenaturais do céu ocorrerão “antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor”. Neste contexto, “O Dia do Senhor” se refere à sua volta à Terra para destruir seus inimigos e reinar em poder e grande glória.
b) O derramamento do Espírito aponta para a salvação de Deus a todos os povos (Jl 2:32 - “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo…”.  Eis as boas-novas para todas as Eras, a salvação oferecida a todos os povos com base na fé do Senhor. Naquele grande e terrível “Dia do Senhor” haverá salvação para aqueles que invocarem o nome do Senhor, pois o derramamento do Espírito anunciou também o caminho da salvação. Esse derramamento do Espírito sobre toda a carne abre as portas da salvação para todos os que creem. O Pentecostes foi um evento de salvação. Naquele dia, o apóstolo Pedro compreendeu que se cumpria a profecia de Joel (At 2:16). O evangelho foi pregado e cerca de três mil pessoas foram convertidas (At 2:39-41). O apóstolo Paulo citando Joel em sua carta aos Romanos diz que todo aquele que invoca o nome do Senhor é salvo (Rm 10:13). A salvação em Cristo, recebida pela fé, agora, é estendida a todos os povos, de todos os lugares, de todos os tempos. Nos dias de Joel, como nos dias de Paulo e também nos nossos, invocar o nome do Senhor é o único caminho da salvação.


2. Etapas.  Os acontecimentos do Pentecostes não foram o cumprimento total da profecia de Joel. Grande parte dos fenômenos descritos nos textos de Joel 2:28-32 não ocorreu nessa ocasião. O que aconteceu no Pentecostes foi um deleite antecipado daquilo que sucederá nos últimos dias, antes do grande e glorioso “Dia do Senhor”. A citação de Joel é um exemplo da “Lei da dupla referência“, de acordo com a qual as profecias bíblicas se cumprem de forma parcial em uma época e total numa ocasião posterior.
O Espírito de Deus foi derramado no Pentecostes, mas não literalmente sobre “toda a carne”. O cumprimento final da profecia se dará no fim do período da Grande Tribulação. Antes da volta gloriosa de Cristo, haverá milagres no céu e sinais na Terra (Mt 24:29,30). O Senhor Jesus Cristo aparecerá na Terra para eliminar seus inimigos e estabelecer seu Reino. No início do reinado milenar de Cristo, o Espírito de Deus será derramado sobre “toda a carne”, tanto de judeus quanto de gentios, uma situação que persistirá, de modo geral, durante todo o Milênio. O Espírito Santo se manifestará nas pessoas de várias maneiras, independentemente de sexo, idade ou condição social. Alguns “terão visões”, e outros “sonharão”, uma situação que surge a recepção de conhecimento; outros, ainda, “profetizarão”, ou seja, passarão esse conhecimento adiante. A tônica será sobre os dons de revelação e comunicação. Tudo isso ocorrerá no tempo descrito por Joel como “últimos dias” (cf At 2:17). Trata-se, obviamente, de uma referência aos últimos dias de Israel, e não da Igreja. É bom ressaltar que os “últimos dias” começaram com a primeira vinda de Cristo e o derramamento do Espírito Santo sobre o povo de Deus, e que terminarão com a segunda vinda do Senhor.


CONCLUSÃO

Em Joel, vemos a revelação de Deus como um ser que quer viver em cada ser humano através do Seu Espírito, mas que, apesar de Seu grande amor, é também um Deus justo, que fará, a seu tempo, o juízo sobre os impenitentes. Deus está no controle de todas as coisas. A justiça e a restauração estão em suas mãos. Devemos ser fiéis a Deus e colocar nossa vida sob a orientação e o poder de seu Santo Espírito.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).Bíblia de Estudo Pentecostal.Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.Revista Ensinador Cristão - nº 52 - CPAD.A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon, v.5 - CPAD.Joel ( o profeta do pentecostes) - Rev.Hernandes Dias Lopes.


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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Luciano de Paula Lourenço


Texto Básico: Oséias 1:1,2;2:14-17,19,20

INTRODUÇÃO

A relação de Deus com Israel era como uma aliança conjugal. Israel havia se “casado” com o Senhor no Sinai. Israel prometeu a Deus fidelidade. Porém, logo se desviou da aliança e começou a flertar com outros deuses. Não tardou para que Israel abandonasse a Deus, seu “marido”, para prostituir-se com outros deuses. A idolatria é infidelidade a Deus; é rompimento da aliança; é quebra dos votos de fidelidade. A idolatria é uma torpeza.
A profecia de Oséias foi a última tentativa de Deus em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniquidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. A ideia central da mensagem de Oséias é que o amor poderoso e inextinguível do Senhor por Israel não descansará enquanto não reconciliar toda a nação consigo. Mas, consequências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a Deus, e em rejeitar-lhe o seu amor redentor.


I. O LIVRO DE OSÉIAS

1. Contexto histórico. O contexto histórico do ministério de Oséias é situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro reis de Judá (Usias, Jotão, Acaz e Ezequias; ver Oséias 1:1), isto é, entre 755 e 715 a.C. As datas revelam que o profeta não somente era um contemporâneo mais jovem de Amós, como também de Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa parte de seu ministério mediante uma referência a quatro reis em Judá, e não aos breves reinados dos últimos seus reis de Israel, pode indicar ter ele fugido do Reino do Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). Ali, compilou suas profecias no livro que lhe leva o nome (fonte:Bíblia de Estudo Pentecostal).
Oséias, cujo nome significa “salvação”, é identificado como filho de Beeri (Os 1:1). Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Oséias profetizou ao reino de Israel(reino do Norte – formado das 10 tribos). O ministério de Oséias, ao Reino do Norte, seguiu-se logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente. Oséias é um dos dois únicos profetas do Reino do Norte a terem um livro profético no Antigo Testamento(o outro é Jonas).
Oséias foi vocacionado por Deus a profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a fazer o mesmo em Judá. Quando Oséias iniciou o seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Porém, logo após a morte de Jeroboão II(753 a.C.), a nação começa a deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas deportados à Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações.
Foi nesse cenário de luxo e de lixo, de glória humana e opróbrio espiritual, de ascendência econômica e decadência moral, que Deus levantou Oséias para confrontar os pecados da nação e chamá-la ao arrependimento. A riqueza sem Deus é pior do que a pobreza. A riqueza sem Deus afasta o homem da santidade mais do que a escassez.
Deus ordenou a Oséias que tomasse “uma mulher de prostituições”(Os 1:2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel. Embora há os que interpretem o casamento do profeta como alegoria, os eruditos conservadores consideram-no literal.
Nesse declínio moral de Israel, todas as classes da sociedade se desmoralizaram. Os príncipes, amantes da riqueza e do luxo, viviam desenfreados no pecado. Os sacerdotes, que deveriam ensinar a verdade ao povo, tornaram-se bandidos truculentos e cheios de avareza.
As coisas foram de mal a pior, até que o profeta exclamou: “não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios” (Os 4:1,2).
A religião de Israel tornou-se sincrética, e o povo misturou o culto a Deus com o culto a Baal. A idolatria sensual desembocou na mais repugnante imoralidade. A vida Familiar caiu no abismo da dissolução. Não resta dúvida de que Oséias viveu durante os tempos mais turbulentos e inquietos pelos quais a nação jamais passara. Os séculos passaram, e hoje ainda assistimos a esse mesmo desvio religioso denunciado por Oséias.


2. Estrutura. O Livro de Oséias é o primeiro dos Profetas Menores e o mais extenso deles. Como nenhum outro, este Livro aborda de forma eloquente o amor perseverante de Deus a um povo rebelde e recalcitrante. Ele contém cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel, sendo que mais da metade deles relaciona-se à idolatria. Mais do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento, Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles.
O Livro pode ser dividido em duas partes principais: A primeira parte, composta dos capítulos 1-3, descreve o casamento entre Oséias e Gômer. Os nomes dos três filhos são sinais proféticos a Israel: Jezreel (“Deus-espalha”), Lo-Ruama (“Não-compaixão”) e Lo-Ami (“Não-meu-povo”). A infidelidade da esposa de Oséias é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. Se o casamento de Oséias com Gômer retratava o amor de Deus a um povo ingrato e infiel, os filhos de representavam o juízo de Deus a esse povo.
A segunda parte, composta dos capítulos 4-14, contém uma série de profecias que mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oseías. Quando Gômer abandona Oséias, e vai à procura de outros amantes(cap. 1), está representando o papel de Israel ao desviar-se de Deus (caps. 4-7). A degradação de Gomer (cap. 2) representa a vergonha e o juízo de Israel (caps. 8-10). Gomer vai atrás de outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete prostituição física; Israel, prostituição espiritual. Ao resgatar Gomer do mercado de escravos (cap. 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no futuro (caps. 11-14).
O Livro de Oséias enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de Deus e sua chamada ao arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado.


3. Mensagem. O Livro de Oséias fala de julgamento e esperança. Cada uma das três partes principais do livro começa com a ameaça de juízo divino sobre Israel (Os 1:2-2:13; 4:1-10:15; 12:1-13:16) e termina com a promessa de restauração divina (Os 2:14-3:5; 11:1-11; 14:1-9).
O teor da profecia de Oséias é um testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do concerto firmado. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no âmbito das questões públicas e particulares. O propósito de Oséias era o de convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem, restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo e perdoador.
O próprio Deus chama o povo a voltar-se para ele: “Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados estás caído. Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor” (Os 14:1,2). Deus promete curar a infidelidade do povo (Os 14:3) e ser para ele o bálsamo restaurador (Os 14:5-7).

II. O MATRIMÔNIO
O matrimônio é uma feliz celebração do amor. É o santo mistério de duas pessoas que se tornam uma, o início de uma vida em comum e de compromissos. O casamento é um mandamento de Deus e ilustra seu relacionamento com seu povo. Portanto, não pode existir tragédia maior do que a violação desses votos sagrados.
Deus ordenou a Oséias que buscasse uma esposa e revelou-lhe antecipadamente que ela lhe seria infiel. Embora desse à luz muitos filhos, alguns deles seriam de outros pais. Em obediência a Deus, Oséias casou-se com Gômer e seu relacionamento com ela, a infidelidade dela e seus filhos tornaram-se exemplos vivos e proféticos de Israel.
Esse casamento é certamente um símbolo do adultério espiritual de Israel. A sua profanação por parte de Gômer, fez o profeta compreender o verdadeiro significado do pecado de Israel: adultério espiritual e até prostituição. O pecado do adultério tem sido definido como “busca de satisfação em relações ilícitas”. A prostituição é ainda pior, é o pecado de “prostituir bens superiores por causa de dinheiro e de lucro”. A prostituição é tanto física quanto religiosa. O povo de Israel era culpado de ambas.
O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “Oséias”(o amor de Deus em ação), destaca duas interpretações principais acerca do casamento do profeta Oséias:
- Em primeiro lugar, Gômer era uma mulher casta antes do casamento, mas tornou-se infiel depois do matrimonio. Vários eruditos entendem que Gômer era uma mulher casta antes do casamento e só se prostituiu depois que contraiu matrimonio com Oséias. A razão principal para essa interpretação é que seria incompatível com o caráter santo de Deus ordenar a seu profeta algo moralmente reprovável e expor seu mensageiro a tal opróbrio.
Embora essa interpretação nos seja mais aceitável, não é isso que o texto diz. Vejamos: “Quando pela primeira vez falou o Senhor por intermédio de Oséias, então lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor” (Os 1:2, ARA). Como Gômer, Israel começou como idólatra, “casou-se” com Jeová e acabou voltando à idolatria. Se Oséias tivesse se casado com uma mulher casta que mais tarde tornou-se infiel, a expressão “mulher de prostituições” em Oséias 1:2 deveria significar, então, “uma mulher com tendência ao meretrício que viria a prostituir-se posteriormente”, o que parece uma interpretação forçada desse versículo.
- Em segundo lugar, Gômer já era uma mulher prostituta antes do profeta se casar com ela. Embora esse fato ofereça algumas dificuldades e nos cause certo constrangimento, é exatamente isso que o texto afirma. Vários eruditos subscrevem essa posição. Oséias amava Gômer não com base em suas virtudes, mas apesar de seus pecados. É importante ressaltar que Oséias está representando o amor incompreensível de Deus a um povo infiel. Quando Deus chamou Abrão para formar por meio dele uma grande nação, tirou-o do meio de um povo idólatra. Israel continuou ao longo dos anos sendo infiel a Deus, quebrando sua aliança e indo após outros deuses. Ao se envolver com outros deuses, Israel adulterou, e o esposo podia receitá-lo. A insistência de Israel na idolatria, com várias divindades, configurava mais que adultério; era prostituição. O casamento estava terminado; havia motivo mais que justificado.
É importante destacar, ainda, que Oséias não desobedece, não questiona nem protela a ordem de Deus. O Senhor lhe disse: “Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição…” (Os 1:2). A resposta de Oséias é imediata: “Foi-se, pois, e tomou a Gômer…” (Os 1:3). Nada se diz a respeito dos sentimentos de Oséias nem sobre o processo pelo qual ele cumpriu a ordem. A palavra eficaz de Deus Jeová estava em ação. A desobediência seria inconcebível.

III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

1. O casamento restaurado. Na ira, Deus se lembra da sua misericórdia e faz promessas de restauração ao seu povo. Os três oráculos desastrosos são totalmente alterados. O nome de cada filho é transformado, passando de sinal de juízo para sinal de graça.
De modo repentino, Oséias passa da tragédia para a promessa. Ele reúne palavras de muito conforto às suas sombrias predições. Nos textos de 1:10 a 2:1, o profeta prediz cinco grandes bênçãos a Israel: (a) crescimento nacional (Os 1:10a); (b) conversão nacional (Os 1:10b); (c) reunião nacional (Os 1:11a); (d) direção nacional (Os 1:11b); (e) restauração nacional (Os 2:1). Portanto, a restauração é maior do que a queda.
Por não ter ouvido a voz de Deus, Israel precisou receber a disciplina de Deus. O cativeiro tornou-se o amargo remédio da cura. O fracasso de Israel, porém, não destruiu os planos de Deus. Onde abundou o pecado do povo, superabundou a graça divina. O amor de Deus prevaleceu sobre a sua ira; seu povo foi restaurado, e sua infidelidade curada. Da noite escura do pecado brotou a luz da esperança.
Embora Deus castigue seu povo pelos pecados cometidos, Ele encoraja e restaura os que se arrependem. O verdadeiro arrependimento abre o caminho para um recomeço. O Deus de toda a graça ainda restaura o caído. Deus ainda cura a infidelidade do seu povo. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oséias ecoa em nossos ouvidos. A palavra de Deus é sempre atual.
Ainda existe esperança para os que se voltam para Deus. Nenhuma lealdade, realização ou honra pode se comparar ao amor a Ele. Volte-se para o Senhor enquanto o convite ainda está de pé. Não importa o quanto você tenha se desviado, Deus sempre está disposto a perdoá-lo. É tempo de nos voltarmos para o Senhor!

2. O vale de Acor e a porta de esperança. Deus rejeita Israel: é este o vale de Acor. Deus reivindica Israel: esta é a porta da esperança. Deus transforma desespero em esperança - “E lhe darei, dali, as suas vinhas, e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa corno nos dias da sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito”(Os 2:15,ARA). Deus descreveu seu argumento contra a nação de Israel; isto é, seus pecados a levariam à destruição (caps. 4, 6, 7 e 12), provocariam sua ira e resultariam em castigo (caps. 5; 8 a 10 ; 12 a 13). Mas, mesmo em meio à imoralidade de seu povo, Deus se mostra misericordioso, oferece-lhe a esperança como a expressão de seu infinito amor por Israel (cap. 11), e mostra-lhe que o arrependimento traria as suas bênçãos (cap. 14).
O vale de Acor foi o lugar na entrada da terra prometida onde Israel foi derrotado por Ai, em virtude do pecado de Acã (Js 7:24-26). Agora, Deus transforma o cenário de desespero, tribulação e derrota, o vale da inquietação, em porta de esperança. O vale de Acor é batizado por outro nome; em lugar de derrota e fracasso, despontam a esperança e a vitória. Assim Deus afugenta os fantasmas do passado de Israel.

3. A reconciliação. Deus transforma separação amarga em casamento permanente. A sentença de divórcio (Os 2:2) será anulada: “desposar-te-ei comigo para sempre” (Os 2:19). Essa aliança é eterna. Não haverá divórcio nesse casamento. É evidente que o tom deste texto é escatológico. Essa reconciliação terá seu ápice quando Cristo (o Messias) for reconhecido e aceito pela nação de Israel no Dia de sua vinda (Os 3:5).
O propósito divino era e é a recuperação de Israel, e seu elemento motivador era e é o seu amor. Deus queria o povo de volta, perdoaria, refaria o casamento, passaria uma borracha em tudo o que houve e se dispunha a amar com mais intensidade uma esposa que não valia a pena. Nessa nova aliança, a esposa conhece ao seu marido, o Senhor. “[ . . . ] e conhecerás ao Senhor” (Os 2:20b). Conhecer, neste caso, não significa a percepção de um objeto por um sujeito ou observador, mas, antes, o contato intimo e a comunhão que dois associados experimentam quando entre eles existe o verdadeiro amor. Esta é uma das promessas supremas da nova aliança com Israel – “Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam” (Jr 31:34). Esse conhecimento não será apenas teórico, mas experimental. Haverá intimidade, comunhão, lealdade e amor. Israel se deleitará em Deus, e Deus se deleitará em seu povo, Israel.

IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

1. Meu marido, e não meu Baal. Deus transforma infidelidade em fidelidade - “E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que me chamará: Meu marido; e não me chamará mais: Meu Baal” (Os 2:16). Temos aqui um nítido tom escatológico. “Naquele dia”, aponta para o grande dia, o Dia do Senhor. Para nós, esse dia raiou no primeiro advento, embora só vá alcançar o seu pleno fulgor no segundo. Quando esse Dia chegar, em vez de Israel dirigir-se a Baal chamando-o de Baali, “meu senhor, meu mestre”, se dirigirá ao Senhor, chamando-o de ishi, “meu marido”. Nesse tempo, a infidelidade cessará, e a fidelidade a Deus será declarada. Esse será o tempo da restauração. É importante esclarecer que Baal não é propriamente o nome de uma divindade; é um termo genérico, significando “dono, senhor, possuidor, marido, mestre”.
Israel deixará o amante Baal, com quem vivia, e voltará para o esposo que a espera, Jeová. Baal era um título padrão para divindades, desde o litoral da Filístia até o vale da Mesopotâmia. Entretanto, foi Acabe quem, incentivado por sua ímpia esposa Jezabel, de Tiro, na Fenícia, tentou combinar o culto a Baal com a adoração a Deus, de forma que o primeiro veio a suplantar o segundo.

2. O fim do baalismo. “E da sua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória”(Os 2:17). A idolatria cega as pessoas. Israel chegou a consultar um pedaço de pau (Os 4:12). Aqueles que se entregam à idolatria, Deus os entrega ao engano de seus corações. Eles ouvem a resposta de seus ídolos mortos (Os 4:12b) para a sua própria destruição. Israel correu atrás dos ídolos, seus amantes, e atribuiu a eles as dádivas que vinham das mãos de Deus. Mas, no devido tempo, Deus restaurará Israel. Inteiramente purificado do culto a Baal, o povo se esquecerá dos “nomes dos baalins”.
Após a primeira diáspora o povo judeu já não mais pratica idolatria a ídolos, a ponto de serem dezenas, senão centenas os casos de martírios e genocídios de judeus, ao longo dos séculos, precisamente pela recusa terminante de adoração a outros deuses. Aliás, esta é a principal razão pela qual os judeus afirmam rejeitar a Jesus e ao Cristianismo, por entenderem que há, entre os cristãos, indevida divinização de Jesus e do Espírito Santo.
O “baalismo” praticado pelos israelitas desprezava a religião espiritual que o Senhor dos céus e da terra, o Redentor de Israel, exigia do seu povo. Essa religiosidade focada no material, na prosperidade financeira mais do que nas coisas espirituais, está de volta em nossos dias com outras roupagens. Nossa geração corre atrás da bênçãos, mas não quer o abençoador. Nossa geração anda atrás de coisas, e não de Deus. Ela está interessada no que Deus pode dar, e não em quem Deus é. Mas chegará o Dia em que, conforme Jeremias 10:11 e Zacarias 13:2, os ídolos desaparecerão da Terra.

3. A conversão de Israel. Após o período de provação, de perda das instituições políticas e religiosas (Os 3:4), Israel (entendido aqui não o reino do norte, mas o remanescente fiel das doze tribos), finalmente, converter-se-á ao Senhor e ao Seu Ungido, aqui chamado de Davi, na verdade, o Messias (Os 3:5). Israel ressurgiu enquanto nação politicamente organizada mas ainda tem de ressurgir espiritualmente, como reino sacerdotal peculiar de Deus (cf. Ex 19:5,6), o que somente se dará por ocasião da vinda gloriosa de Jesus ao término da Grande Tribulação (Zc 12:1-3; Ap 1:7;19:11-21).
A conversão de Israel é fato que ocorrerá somente no término da septuagésima semana de Daniel(Dn 9:24). Somente com esta conversão é que haverá a extinção da transgressão na nação israelita, em que Israel, enquanto povo escolhido de Deus, será libertado do pecado (cf. Rm 11:25-32;Is 59:20; Sl 14:7; Zc 13:1).


CONCLUSÃO

Assim como Gômer, corremos o risco de procurar outros amores — amor ao poder, ao prazer, ao dinheiro ou à fama. As tentações deste mundo podem ser muito sedutoras. Será que somos leais a Deus e permanecemos completamente fiéis a Ele, ou outros “amores” vieram ocupar seu legitimo lugar? Não deixe que os costumes mundanos diminuam seu amor por Deus, ou o sucesso cegá-lo para a necessidade de seu amor divino.
Lembre se, Deus não quer que o nosso relacionamento com ele seja constituído de palavras bonitas e de rituais vazios, de corações que se enchem de entusiasmo num dia e no dia seguinte estão frios. Um ritual superficial jamais pode substituir o amor sincero e a obediência fiel (l Sm 15:22,23; Am 5:21-23; Mq 6:6-8; Mt 9:13; 12:7).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 52 – CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.5 – CPAD.
O Grande Amor de Jeová Dr. Caramuru Afonso Francisco.
Oséias (o amor de Deus em ação) – Rev.Hernandes Dias Lopes.




Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.
Comentarista: Ezequias Soares.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
LIÇÃO 01
A atualidade dos Profetas Menores
7 de Outubro de 2012

TEXTO ÁUREO

Mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé” (Rm 16.26).

VERDADE PRÁTICA
Por ser revelação de Deus, a mensagem dos profetas é perfeitamente válida para os nossos dias.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
2 Pedro 1.16-21.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Descrever o panorama geral dos profetas menores.
  • Analisar a procedência da mensagem dos profetas menores.
  • Compreender que os escritos dos profetas menores são divinamente inspirados.

Palavra Chave
Atualidade: Qualidade ou estado do que é atual; momento ou época presente.

COMENTÁRIO

introdução
Pela misericórdia do Senhor, iniciamos o estudo do último trimestre deste ano, estudando os chamados Profetas Menores. Temos a satisfação de ter como comentarista, o pastor Esequias Soares, um dos mais renomados biblicistas do pentecostalismo brasileiro, Mestre em Ciências das Religiões, graduado em línguas orientais e autor de várias obras publicadas pela CPAD. Veremos que o surgimento do profetismo em Israel e Judá se deu no período monárquico, com a finalidade de restaurar o monoteísmo hebreu, combater a idolatria, denunciar as injustiças sociais, proclamar o Dia do Senhor e reacender a esperança messiânica, tendo sido iniciado por Amós, foi encerrado por Malaquias. João Batista é visto como o último representante deste movimento. Portanto, a mensagem milenar desses profetas continua atual e urgente hoje. Nós costumamos afirmar que aceitamos toda a Bíblia como a Palavra Inspirada de Deus, mas de fato e de verdade, a maioria de nós negligencia o Antigo Testamento, a maior porção de toda Bíblia, e dento do Antigo Testamento, a parte mais negligenciada é a parte destinada aos Profetas Menores. A grande maioria de nós sequer tem a mínima ideia a respeito do conteúdo dos livros dos Profetas Menores e da sua relevância para as nossas vidas nos dias de hoje, apesar de tantos séculos nos separarem. Portanto, “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” (Os 6.3a). Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. SOBRE OS PROFETAS MENORES

1. Autoridade. São conhecidos como Profetas Menores os doze últimos livros proféticos do antigo Testamento, São assim chamados, pois abordaram os fatos ocorridos com o povo de Deus, Israel (Reino do Norte) e Judá (Reino do Sul), de forma sucinta. Muitos deles foram contemporâneos e algumas profecias proferidas ao mesmo tempo, não tendo nenhuma relação com a relevância de suas mensagens. Podemos dizer que se dividem em três grupos:
- Os profetas de Israel: Jonas, Amós e Oséias.
- Os profetas de Judá: Obadias, Joel, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias.
- Os profetas pós-cativeiro: Ageu, Zacarias e Malaquias.
Entretanto, cronologicamente temos:
- Obadias e Joel ................................................. 850-800 a.C.
- Jonas, Oséias, Amós e Miquéias...................... 780-700 a.C.
- Naum, Sofonias e Habacuque........................... 700-600 a.C.
- Ageu, Zacarias e Malaquias............................... 520-420 a.C.
O Antigo Testamento Hebraico, a Tanak (Hb. תנ״ך), sigla que vem das inicias da divisão Torah (תורה), Neviim (נביאים), Kethuviim (כתובים). A disposição em que encontram os livros do Antigo Testamento hebraico é diferente das outras versões, pois se constitui de 24 livros: todavia, são exatamente iguais aos 39 das Bíblias protestantes, pois os profetas menores são um único livro, assim como são os dois livros de Samuel, dos Reis, das Crônicas e Esdras-Neemias, totalizando um total de 24. Segundo a tradição judaica, a estrutura em que se encontram os livros do Antigo Testamento está ligada a história do Templo e das instituições sacerdotais de Jerusalém. O estabelecimento do Cânon hebraico foi resultado de um longo processo, no qual intervieram fatores internos e externos ao judaísmo. O Antigo Testamento, a primeira das duas principais partes da Bíblia, em nossas versões protestantes, contém 39 livros, classificados em quatro grupos: Lei, Históricos, Poéticos e Proféticos. Essa ordem é padronizada, aqui, no Ocidente, pois em outros cânones há alterações, ainda mais nos outros ramos do cristianismo como os católicos romanos, ortodoxos, armênios, etíopes, cópticos, siríacos, nestorianos, que incluem os livros apócrifos, e em alguns casos os pseudígrafos. O Antigo testamento Hebraico não contém os apócrifos, porém, estão arranjados de forma diferente.
2. Origem do termo. O colecionamento dos profetas menores em um grupo de doze, é confirmado por Jesus, filho de Siraque, como em voga, no ano 200 A.C. Sua linguagem dá a entender a existência do grande grupo formado pelos livros de Josué, Juizes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, que formavam a segunda divisão do cânon hebreu, caps. 46-49. A existência da tríplice divisão das Escrituras em “Lei, Profetas e os outros que os acompanharam”; ou “a Lei, os Profetas e os outros livros”, ou, “a Lei, os Profetas e o resto dos livros”, é confirmada já no ano 182 A.C. juntamente com a existência de uma versão grega da mesma época, atestada pelo neto de Jesus, filho de Siraque. O judeu Filo, que nasceu em Alexandria no ano 20 A.C. e ali morreu no reinado de Cláudio, possuía o cânon, e citou quase todos os livros, com exceção dos Apócrifos.
3. Cânon e cenário dos Doze. Flavio Josefo, historiador judeu (37 a 100 d.C.), contemporâneo de Paulo declarou: “Porque não temos entre nós uma quantidade enorme de livros, que discordem e se contradizem entre si (como acontece com os gregos), mas apenas 22 livros, que contém os registros de todos os tempos passados, que cremos justamente serem divinos... e quão firmemente damos crédito a esses livros de nossa própria nação fica evidente pelo que fazemos; porque durante tantos séculos que já se passaram, ninguém teve ousadia suficiente para acrescentar nada a eles, cancelar qualquer coisa, nem fazer neles qualquer modificação; tendo-se tornado natural a todo judeu desde seu nascimento estimar esses livros como contendo doutrinas divinas, e perseverar nelas; e caso necessário morrer voluntariamente por elas.”Conclui-se que a estrutura da Bíblia hebraica reproduz a provável ordem em que seus livros foram canonizados, formando a Tanak: primeiramente a Lei escrita em hebraico Torah, antes do exílio babilônico, depois os profetas (ou Neviim), no retorno desde e, finalmente, os Escritos (Ketuviim) ou Hagiógrafos, possivelmente só depois da destruição do Segundo Templo. O arranjo no cânon judaico classifica os profetas do AT em “profetas anteriores”, também denominados de “profetas orais”, “profetas não-escritores” ou, ainda, “profetas não-clássicos”. Os “profetas anteriores” são todos os profetas levantados por Deus e que não tiveram o mandado divino de reduzir a escrito as suas mensagens proféticas, o que foi feito posteriormente pelos que foram inspirados a escrever o texto sagrado. O grupo dos "anteriores" são seis livros de caráter histórico: Josué, Juízes, 1 e 2Samuel, 1 e 2Reis. O conjunto dos posteriores é formado por Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze profetas menores, assim nomeados não porque o seu conteúdo seja de menor importância, mas porque são notavelmente menores que os escritos dos "três grandes profetas". Por outro lado, enquanto que o índice da LXX (que é o adaptado pela Almeida) inclui Lamentações e Daniel entre os livros proféticos, a Bíblia Hebraica os coloca na terceira seção, entre os Escritos (ketubim).

SINOPSE DO TÓPICO (I)
Os escritos dos Profetas Menores têm a mesma autoridade que os outros livros do Cânon Sagrado.

II. A MENSAGEM DOS PROFETAS MENORES

1. Procedência (vv.16-18). Profeta é uma palavra derivada do vocábulo grego profetés, composto pela preposição pro, que tem valor locativo e equivale a "diante de", "na presença de", e o verbo femí, que significa "dizer" ou "anunciar". Na LXX, encontramos profetés como tradução da palavra hebraica nabí, relacionada esta última a várias outras semíticas cujo sentido principal é anunciar ou comunicar alguma mensagem. Em âmbitos alheios ao texto da Bíblia, é frequente dar o nome de profeta a alguém que transmite mensagens da parte de alguma divindade ou que se dedica à adivinhação do futuro. Porém, se restringe o uso da palavra ao seu sentido bíblico, profeta é especialmente alguém a quem Deus escolhe e envia como o seu porta-voz, seja diante do povo ou de uma ou várias pessoas em particular. Não se trata, pois, na Bíblia, de adivinhos, magos, astrólogos ou futurólogos entregues a predizer acontecimentos futuros, mas de mensageiros do Deus de Israel, enviados para proclamar a sua palavra em precisos momentos históricos. Em certas ocasiões, a mensagem profética se referia a algum evento futuro, porém sempre vinculada a uma situação concreta e imediata na qual surgia a profecia (cf., p. ex., Is 7.1-25). Para descreverem o fato histórico, estão destinadas certas passagens que, na maioria dos livros, contemplam acontecimentos bem conhecidos e datados (p. ex., Jr 1.3, a conquista de Jerusalém Ez 1.1-3, a deportação para a Babilônia Is 1.1, Os 1.1, cronologias reais). Para se compreender o profundo sentido da palavra de Deus transmitida pelos profetas, deve-se prestar máxima atenção ao contexto histórico em que foi originalmente proclamada. Somente dessa forma será possível também atualizar a mensagem profética e aplicar o seu ensinamento às necessidades e circunstâncias do momento atual.
2. “A palavra dos profetas” (v.19a). Os profetas eram homens que Deus revestia do seu Espírito para uma missão especial no sentido de alertar o povo e os governantes quanto a necessidade de viverem uma vida religiosa e moral de acordo com princípios divinos. Tornavam-se assim guias espirituais, da mesma forma como num momento específico da história, os juízes se tornaram líderes políticos e militares para orientar o povo de Deus. Os profetas habitualmente introduzem as suas mensagens mediante fórmulas expressivas como "Assim diz o SENHOR", "Palavra do SENHOR que veio a..." ou outras semelhantes e, frequentemente, apresentam-se a si mesmos como enviados de Deus e investidos de autoridade para proclamar a sua palavra. Essa certeza pessoal de terem sido divinamente escolhidos para comunicar determinadas mensagens é um sinal característico da consciência profética. Assim, Isaías, que responde ao chamado do SENHOR: "Eis-me aqui, envia-me a mim" (Is 6.8) ou Jeremias, que escuta a voz do SENHOR: "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras" (Jr 1.9) ou Ezequiel, que ouve a ordem de Deus: "Vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras" (Ez 3.4) ou Amós, que se sente separado das suas tarefas pastoris e transforma-se em porta-voz de Deus: "Vai e profetiza ao meu povo de Israel" (Am 7.15).
3. “Como a uma luz que alumia em lugar escuro” (v.19b). Os profetas exerceram uma influência decisiva tanto na religião de Israel quanto posteriormente no Cristianismo. Contudo, foram bem menos as ocasiões em que os primeiros destinatários da mensagem prestaram a devida atenção (cf. Ag 1.2-15). Pelo contrário, segundo o testemunho dos próprios textos bíblicos, a princípio faziam-se de surdos à voz dos profetas, as suas palavras caíam no vazio ou eram rechaçadas sem terem obtido a resposta requerida. Mais ainda, quando a comunicação profética molestava os ouvidos dos seus receptores, estes tratavam frequentemente de fazer calar o mensageiro de Deus.Como diz Isaías: "Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR.Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões;... não nos faleis mais do Santo de Israel" (Is 30.9-11) e Amós acusa Israel: "Aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis" (Am 2.12 cf. 7.10-13).

SINOPSE DO TÓPICO (II)
A mensagem dos Profetas é de procedência divina. Jamais por inspiração humana.

III. A INSPIRAÇÃO DIVINA DOS PROFETAS

1. A iniciativa divina. Os verdadeiros profetas eram porta-vozes de YAWEH. Muito mais do que predizer as coisas, a função precípua do profeta consistia em convocar o povo ao arrependimento. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do SENHOR dos Exércitos.” (Ml 2.7). As profecias bíblicas atinentes ao Messias e sua missão foram cumpridas cabalmente na pessoa de Jesus e são a confirmação da Bíblia como a palavra verdadeira e fiel de Deus aos homens. Muitas profecias do Antigo Testamento tiveram seu cumprimento no próprio Antigo Testamento, outras, se cumpriram no Novo Testamento e, outras tem se cumprido no passar dos séculos. É impressionante a maneira como se cumprem as profecias da Bíblia. O que Deus disse sucederá. “Disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha Palavra para a cumprir.” (Jr 1.12).
2. A inspiração dos profetas. É função do profeta proclamar os oráculos de Deus, a fim de conduzir o povo à obediência das leis de Deus. Em Deuteronômio 18 fica claro que o profeta é sempre chamado por Deus (v.18), tem a autoridade de Deus (v.19) e o que ele diz será provado verdadeiro (v.22). O profeta era então conhecido como servo de Deus (2 Rs 17.13,23; Jr 7.25).O profeta sempre defendia os padrões de Deus e chamava o povo para Ele (Dt 13), era isso que distinguia o profeta verdadeiro do falso (por exemplo, 1 Rs 13.18-22; Jr 28). Os profetas não eram simplesmente indivíduos perceptivos no sentido político ou social. Eram pessoas que, pela revelação de Deus, tinham conhecimento da importância dos eventos e das necessidades do povo comum. Em seu trabalho eles falavam de acontecimentos futuros, de modo a advertir sobre as consequências dos atos presentes (ver Am 1.2), e no geral falavam contra a sociedade em que viviam. [...] Havia muito mais profetas do que aqueles que conhecemos pelas profecias registradas ou eventos históricos" (GOWER, Ralph Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro, CPAD, 2002, pp.367-369). “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (MT 24.11-ARA); “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do SENHOR” (Jr 28.9-ARA). Temos de julgar as profecias e discernir os espíritos (1Co 12.20; 14.29; 1Jo 4.1).
3. A autoridade dos Profetas Menores. As palavras dos profetas são a mensagem de Deus ao seu povo. O assunto do Antigo Testamento é a redenção humana. O Antigo Testamento não é um tratado de Teologia Sistemática, mas a teologia está presente do começo ao fim, nos relatos históricos, nas poesias, nas profecias, nos preceitos morais e cerimoniais. É, portanto, a fonte de toda a teologia. Não é também um compêndio sistemático da fé de Israel em Deus, cujo clímax dessa revelação é Jesus (Jo 1.18). Toda a história do Antigo Testamento mostra como Deus operou no processo da redenção humana. Registra o relacionamento de Deus com o homem até que o plano de redenção fosse realizado na cruz do Calvário. O AT era aceito pelos primeiros cristãos como coletânea de livros inspirados por Deus (2 Tm 3.16). Os cristãos e os judeus preservaram o Antigo Testamento até os nossos dias. A Igreja usou essa parte das Escrituras para a evangelização no seus primeiros dias (At 17.2,3; 24.14; 26.22). O fato de esses cristãos serem judeus justificaria a preservação de suas Escrituras, mas essa preservação não foi só por isso. Além disso, eles reconheciam-na ainda como o núcleo básico de sua fé ampliada em Jesus. O NT apresenta com muita frequência o AT como a base para a fé cristã. (SOARES, Ezequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p.23-4). Paulo citando Oseias e Isaías, reconhece a inspiração e a autoridade divinas de ambos.

SINOPSE DO TÓPICO (III)
Os livros dos Profetas Menores têm autoridade divina e são genuinamente inspirados por Deus.

CONCLUSÃO
Pode nos parecer a princípio, que a mensagem anunciada há milhares de anos atrás, tenha sido apenas para um determinado povo e nação. Muito pelo contrário, ela trata de temas absolutamente importantes, urgentes e atuais. O estudo dos Profetas Menores vem ratificar a semelhança da situação do povo daquela época com a situação que vivemos nos dias de hoje, conclamando grande necessidade para uma mensagem Profética que venha denunciar a corrupção, as injustiças sociais, o abuso de autoridade, o afrouxamento dos padrões de moralidade e a frieza espiritual do povo de Deus tão comum na mensagem dos Profetas Menores. E, diante dessa semelhança, podemos afirmar com bastante convicção que: OS PROFETAS DE ONTEM FALAM HOJE. O mesmo quadro de corrupção, injustiça social, abuso de autoridade, afrouxamento dos padrões de moralidade, idolatria e frieza espiritual do povo de Deus que acontecia naquele tempo continua se repetindo. A leitura dos Profetas Menores vem, portanto, ratificar a semelhança da situação do povo daquela época com a situação que vivemos nos dias de hoje. Os profetas eram homens de seu tempo, de carne e osso, falando e escrevendo a homens de carne e osso também de seu tempo, e esta é uma das principais razões de sua atualidade para nós.
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Campina Grande, PB
Junho de 2012,
Francisco de Assis Barbosa,


EXERCÍCIOS
1. De onde vem o termo “Profetas Menores”?
R. A expressão “Profetas Menores” advém da Igreja Latina.
2. Qual a procedência da “palavra dos profetas”?
R. A mensagem dos profetas é de procedência divina.
3. Desde quando os profetas de Deus existem?
R. Desde o princípio do mundo.
4. Como estaríamos sem a palavra dos profetas?
R. Estaríamos à deriva no mundo.
5. Por que devemos dar aos Profetas Menores à mesma atenção dispensada aos demais livros da Bíblia?
R. Porque todos os livros da Bíblia têm o mesmo grau de inspiração e autoridade.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 4º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, 
Título: Os Doze Profetas Menores — Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo. Comentarista: Ezequias Soares; CPAD;OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. 
GOWER, Ralph Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro, CPAD, 2002, pp.367-369;
-. 
SOARES, Ezequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p.23-4.
-. ZUCK, R. B. 
Teologia do Antigo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD. 2009, pp.429-30;
Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.
Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lição 13 - A Verdadeira Motivação do Crente (8) - Luciano de Paula Lourenço

Texto Básico: Mc 1:35-45




"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará publicamente” (Mt 6:6).



INTRODUÇÃO
A palavra “motivação” pode ser definida como o “motivo para a ação”; é o ímpeto que leva o ser humano ao movimento; é aquela força interna que o dinamiza a realizar o seu intento; é uma mescla entre razão e emoção que se concentram para alcançar algo. A experiência nos ensina que podemos ir muito mais longe se nossa motivação for correta, ao passo que desmotivados teremos pouca chance de triunfo. O cristão motivado é aquele que embora passe por lutas está sempre confiando e sempre aguardando as promessas de Deus para a sua vida (Hb 6:15). A motivação tem uma relação estreita com a fé, pois pela fé somos motivados a crer no impossível (Hb 11:1). Também relaciona-se com a perseverança - a motivação nos encoraja a perseverar na fé (Rm 12:12;Mt 24:13). Também a motivação se relaciona com a alegria, que faz parte do fruto do Espírito Santo (Gl 5:22) - apesar das circunstâncias o cristão não tem razões para andar triste, cabisbaixo ou carrancudo (1Ts 5:16; 2Co 6:10; 5:6-7).
Cada cristão deve sempre ter uma motivação em sua vida, ou seja, a motivação é um meio importante para nunca desistirmos daquilo que almejamos alcançar. Mas, pode um crente ser tentado com motivação errada? Sim, e o risco disse é ser conduzido por caminhos errados, a fim de receber recompensas erradas. Quando nosso objetivo é a auto-glorificação, deixamos de fazer o que Deus nos chamou a fazer e passamos a administrar nossa própria vida, centrados em nós mesmos.
Nesta Aula, iremos entender qual deve ser a verdadeira motivação do crente, iremos nos conscientizar de que não fomos chamados para a fama e saberemos que o anonimato não é sinônimo de derrota.

I. A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO DO CRENTE

1.  A verdadeira motivação do crente: Jesus Cristo. Cristo é a fonte de motivação que nos capacita a viver acima de todas as circunstancias e de nossos próprios sentimentos. Era Cristo que enchia continuamente o coração dos apóstolos. O apóstolo Paulo chegou a exclamar com total propriedade: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21). Ainda que Paulo tivesse de morrer, ele se alegraria. Ele sempre tinha Cristo em mente, e isso lhe dava novas forças todos os dias para vencer as adversidades. Esse é o lema de todos os cristãos que conhecem, amam e buscam servir ao Senhor com fidelidade.
2. A verdadeira motivação do crente: o amor de Cristo - “ Porque oamor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram”(5:14). O que levava o apóstolo Paulo a servir de forma tão incansável e abnegada na pregação do Evangelho? Neste versículo, uma das mais importantes da carta de 2Corintios, Paulo revela sua motivação: o amor de Cristo. O amor de Cristo nos constrange, nos impele, como uma pessoa é impelida em uma multidão. Ao contemplar o amor extraordinário que Cristo havia demonstrado por ele, Paulo não podia deixar de ser impelido a servir a esse Senhor maravilhoso.
Por causa do sacrifício vicário de Jesus Cristo somos agora nova criatura(2Co 5:17), ou seja, temos uma nova posição em relação a Deus e ao mundo. Temos agora uma nova forma de viver, na qual desaparece a vida pregressa e os velhos costumes. Por ocasião da conversão, não apenas viramos uma página de nossa vida velha, começamos um novo estilo de vida sob o controle do Espírito Santo. Esse novo estilo de vida é consequência lógica da conversão, pois o amor de Deus pela humanidade (João 3:16) constrange-nos a viver integralmente para Ele.
3. A verdadeira motivação do crente: servir a Jesus. Servir a Jesus significa ter a mesma  motivação que Ele teve. Tal pessoa é honrada pelo Pai na mesma medida que o próprio Senhor Jesus foi honrado. Isso Ele nos prometeu: “E, se alguém me servir, o Pai o honrará”.
4. A verdadeira motivação do crente: a Santificação -“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(Hb 12:14).Qual a motivação se sermos santos? Vermos a face do Senhor. A santificação deve ocorrer em ‘todo o vosso espírito, e alma, e corpo’, conforme lemos em 1Tessalonicenses 5:23. Isso significa que devemos ser santos em nosso viver, e em nossa conduta — isto é, em nosso caráter, inteiramente —, e em nosso proceder, externamente. Mantenhamo-nos, pois, separados do mundo pecaminoso.
5. A verdadeira motivação do crente: Céu e Eternidade. No cristianismo, alguns afirmam que todos receberão salvação. Mas essa posição de inclusivismo não está baseada na Bíblia e não foi a posição histórica da ortodoxia cristã. Passagens como Mateus 25:46, João 3:36, 2Tessalonicenses 1:8-9 e várias outras ensinam claramente que nem todos serão salvos. Ser salvo ou não ser salvo deve ser um fator de motivação para todo  crente compartilhar sua fé, porque está em jogo a eternidade.
Enquanto vemos Deus preparando o cenário para o drama dos eventos do fim dos tempos, devemos estar motivados a servi-lo ainda mais até que Jesus venha. Que o nosso coração se ocupe com Suas palavras: "E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas" (Ap 22:12-14).

II. NÃO FOMOS CHAMADOS PARA A FAMA

Fama é a “opinião geral sobre a excelência de alguém”; “é a qualidade daquilo que é notório; reputação”. As Escrituras sagradas relatam que a Fama de Jesus era notória em todas as cidades de Israel(cf Mt 4:24;Mt 9:31;Mc 1:28; Lc 4:14, 37; 5:15). Não dava para escapar, as características especiais de Jesus o fazia famoso, mesmo contra a sua vontade. Certa vez Jesus estava em uma cidade e de repente um homem cheio de lepra vendo a Jesus se prostrou e afirmou com muita intensidade: “Mestre! se você quiser, agora mesmo eu posso ser limpo”, e Jesus cheio de compaixão reafirmou dizendo que queria. Nesse exato momento a lepra desapareceu! Mas fez uma exigência para aquele rapaz, que não dissesse nada a ninguém, apenas que se apresentasse ao sacerdote e oferecesse o sacrifício estipulado pela lei de Moisés. No verso seguinte a Bíblia fala que a Fama de Jesus se propagava como o fogo e que muitas pessoas juntavam-se para ouvir as suas palavras e por Ele serem curadas das suas enfermidades(cf Lc 5:12-16). O mais interessante de toda essa história é que em vez de Jesus se inflamar com toda essa repercussão de seu ministério, Ele se retira para o deserto, um lugar solitário para orar. O que chama à atenção aqui é o fato de que a Fama e Jesus não era algo buscado por Ele; pelo contrário, Ele se afastava para estar sozinho. Jesus não veio para exibir fama, não! Ele “veio buscar e salvar o que se havia perdido”(Lc 19:10). Hoje muitos exercem seu ministério para serem famosos e reconhecidos pelas pessoas e não para Deus; fazem de tudo para estarem em evidência. Mas, assim como Jesus, o crente salvo não foi chamado para Fama.
Paulo escrevendo aos crentes de Colossos admoesta-os que, se efetivamente ressuscitaram com Cristo, devem buscar “as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3:1b,2). O autêntico cristão está procurando o Céu e pensando no Céu. Seus pés estão na Terra, mas a cabeça está no Céu. Vive como cidadão do Céu enquanto ainda está na Terra.
Paulo, ao escrever aos seus maiores colaboradores, os crentes de Filipos, disse que “…uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13b,14); “(…) a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20). A autoridade espiritual que Paulo possuía, a sua posição privilegiada na igreja do Senhor não o fazia almejar a glória e a fama nesta Terra, mas seu fim, seu objetivo era morar no Céu, eram as coisas de cima, as bênçãos espirituais.
Lamentavelmente, muitos crentes, nos nossos dias, estão caminhando no mesmo erro dos gnósticos daquele tempo. Buscam não as coisas que são de cima, mas as coisas da Terra. Estão atrás do evangelho e de Jesus para enriquecerem nesta vida, para terem prosperidade material, para terem saúde física, para terem “unção”, ou seja, “poder espiritual” apenas para angariarem reconhecimento dos semelhantes, a fim de serem servidos pelos outros, tendo após si uma série de discípulos e de admiradores. É uma característica dos falsos mestres quererem se cercar de seguidores e discípulos, aparecendo em lugar de Cristo, crescendo em orgulho e soberba, quando, na verdade, os verdadeiros servos do Senhor são humildes e preferem desaparecer em favor de Cristo, assim como procedeu João Batista (João 3:30) que, não por outro motivo, foi apontado por Jesus como o maior dos homens que já existiu (Mt 11:11).
Muitos são os que não temem mentir para alcançar projeção, fama e reconhecimento no meio dos crentes. Quantas “visões”, “revelações”, “profecias” não são simplesmente mentiras? Entretanto, a Bíblia, que é a Palavra de Deus e permanece para sempre (1Pe 1:25a), continua a dizer que os mentirosos não têm parte alguma com Deus e que todos aqueles que amam e cometem mentira ficarão fora da Pátria celestial (Ap 21:8; 22:15). Tomemos muito cuidado, vigiemos e não pratiquemos, de forma alguma, a mentira, nem dela tiremos proveito, amando-a. A pessoa realmente liberta do jugo do pecado, a pessoa realmente liberta por Jesus, não mente (João 8:36).
Devemos parar um pouco e refletir: por que somos crentes? para que somos crentes? o que temos feito tem correspondido ao porquê e ao objetivo de sermos crentes? Por que e para que temos ido para a igreja? Por que e para que temos exercido esta ou aquela função na igreja? Por que e para que temos vivido quando estamos fora do templo, no nosso dia-a-dia? A resposta a estas questões é fundamental para sabermos se estamos buscando ou pensando nas coisas que são de cima ou se estamos voltados para as coisas que são da Terra.

III.  O ANONIMATO  NÃO É SINÔNIMO DE DERROTA

Há um clichê em moda hoje, balbuciado por muitos animadores de auditório: “você vai sair do anonimato!”. Através desse chavão, vemos um exército de novos pregadores, desestabilizados espiritualmente, com o objetivo de chegar ao topo da fama. Ser famoso é o alvo pretendido; é a busca incessante. A mídia é o meio mais pretendido por esses ufanistas para se lançar à fama. Eles gostam de usar o exemplo de Davi, que Deus o tirou de trás da malhada das ovelhas e o tornou rei de Israel. Proliferam esse modismo como se o anonimato fosse sinônimo de derrota.
A verdadeira motivação que existia há um tempo era: tornar-me um pregador ou um cantor para a edificação da igreja e alcançar os perdidos para Deus. Hoje, as reais motivações estão ligadas aos interesses pessoais, como pregar para um grande público, ter o nome conhecido, sair do anonimato. Será que se esqueceram do grande pregador do deserto, João Batista, que pregava até para reis, mas sua motivação era: “que Ele (Jesus) cresça e eu diminua” (João 3:30)?
O apóstolo Paulo tinha poucos amigos que cooperavam incansavelmente no seu ministério, dentre eles estava “Jesus, chamado Justo”(Cl 4:11); não se tem nenhuma informação a seu respeito, é o tipo do crente cooperador, cujo serviço, que é eficaz, só Deus ver.
O próprio Senhor Jesus não buscou fama ou reconhecimento popular, pois pedia que não anunciassem o que Ele estava fazendo(cf Lc 5:13,14).
O caminho da humildade, do anonimato (“Teu Pai que vê em secreto te recompensará” -Mt 6:6), da cruz, está sendo esquecido, e agora está sendo criado um caminho egoísta, diabólico e cheio de orgulho humano.
Gostaria que o Evangelho da cruz, do arrependimento e da renúncia saísse do anonimato e nós permanecêssemos escondidos debaixo das asas do Todo Poderoso! É oportuno observar que o anonimato entre os homens na obra de Deus nada significa diante do Senhor, e querer “aparecer”, “fazer aparecer o nome” pode não ser uma boa conduta entre os servos do Senhor, os quais devem se alegrar “… antes por estarem os seus nomes escritos nos céus”(Lc 10:20).
1. A verdadeira sabedoria. A sabedoria deste mundo é meramente efêmera, e suas qualidades não condizem com o caráter de um povo separado do pecado. É uma sabedoria que exclui Deus, que glorifica a auto-suficiência humana, que faz do homem a autoridade suprema e que se recusa a reconhecer a revelação de Deus em Jesus Cristo. A sabedoria deste mundo direciona as pessoas para a inveja, espírito faccioso, perturbação e toda obra perversa. Por isso Tiago diz que a sabedoria deste mundo é “terrena, animal e diabólica”(Tg 3:15,16). Ela determina o modo ímpio de viver do povo deste mundo.
A verdadeira sabedoria é mais que conhecimento, o qual é simples acumulo de fatos; é mais que percepção humana: é discernimento celestial. Ela envolve o conhecimento de Deus e dos labirintos do coração humano. É mais que simples conhecimento é aplicação correta do conhecimento em assuntos morais, espirituais ao enfrentar situações confusas; na complexidade das relações humanas. O conhecimento é obtido pelo estudo, mas quando o Espírito Santo enche um homem, Ele concede sabedoria para usar e aplicar esse conhecimento de maneira correta.
A verdadeira sabedoria nem sempre é estimada. Para ilustrar essa verdade, Salomão comenta o caso de uma “pequena cidade” habitada por poucas pessoas e, portanto, indefesa. Certo dia, um rei poderoso a sitiou com artilharias com o fito de conquistá-la. A situação parecia perdida quando um “homem pobre, porem sábio”, propôs um plano para salvar a cidade. Naquele momento, o sujeito se tornou um herói, mas pouco tempo depois caiu no esquecimento. Tão logo a cidade se viu livre do perigo, o conselho daquele homem pobre passou a ser desprezado, e ninguém se interessou por ele (cf Ec 9:13-16).
Apesar da ingratidão e da indiferença do ser humano, as palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais que os gritos de um tirano que governa entre tolos( Ec 9:17). O povo logo esqueceu o pobre sábio, mas ele não deu importância alguma para isso, pois o que mais queria era livrar, de uma vez por toda, a sua querida cidade das mãos do tirano. Da mesma forma, o que importa, no final, não é o reconhecimento e a gratidão que recebemos pela obra que realizamos, mas as almas das pessoas em quem semeamos sementes de justiça.
É melhor ser um sábio calado e honesto que, apesar de esquecido, deixa um rastro de muitos benefícios, do que um tolo arrogante e vociferante que embora aplaudido por muitos “destrói muitas bens” (Ec 9:18).
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl  111:10; Pv 9:10).
2. A simplicidade. A simplicidade não tem nada a ver com pobreza. Ao contrário, a riqueza está na simplicidade. Simplicidade é a ausência de artifícios, é o caminho para se chegar a humildade, ser servil, ser menos “eu” para ser mais “o outro” combatendo atos e sentimentos que insistem em nos afastar do centro da vontade de Deus. Jesus foi o maior exemplo de simplicidade que conhecemos, no falar, no agir, no ensinar. Ele que é o Filho de Deus, não ousou ser como Deus. Ele que possui tudo que há na Terra(cf Sl 24:1), nunca a percorreu com soberba e altivez. Jesus ensinava seus discípulos, concedendo-lhes sabedoria, para que pudessem ser enviados para pregar o evangelho com simplicidade no viver e no ensinar, fazendo-se exemplo, como ele, Jesus, foi exemplo, para que soubessem ser prudentes e cheios de amor.
Quando o crente perde a simplicidade cristã torna-se orgulhoso e insuportável, inclusive para o próprio Deus(ler 1Pe 5:5).  “Deus vela pelos simples”(Sl 116:6).
3. O equilíbrio. Vivemos num mundo sob pressão, um mundo competitivo que exige que as pessoas seja sempre melhores para que possam suplantar os obstáculos e atinjam os objetivos determinados. A busca convulsa pelas coisas deste mundo tem tornado as pessoas  estressadas, ansiosas e egoístas. Isso não ocorre somente no mundo ímpio, não! Infelizmente, o fardo da competitividade tem se alastrado no meio da irmandade cristã, contrapondo, assim, os princípios norteadores da Palavra de Deus, os quais delineiam o viver do genuíno cristão.
Não estamos aqui para adquirir fama ou sucesso, estamos aqui para triunfo(2Co 2:14). E o verdadeiro triunfo, o verdadeiro êxito, é o de obter a salvação na pessoa bendita de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Somente neste fim, diz o profeta Malaquias, veremos a diferença entre o justo e o ímpio (Ml 3:18), entenderemos quem, na verdade, é o exitoso, o triunfante, pois de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mc 8:36). Portanto, você não precisa mostrar nada a ninguém. Não se transforme num ser que você não é só para ganhar fama. Nunca foi a vontade de Jesus que seus filhos se curvassem à fama, ao sucesso, à riqueza ou ao poder.
Devemos estar cônscios de que estamos no mundo mas não somos daqui, o nosso alvo é o Céu, é viver com Cristo eternamente. Se você é talentoso, se Deus te deu capacidade especial de sobressair em determinados aspectos da vida, quer secular, quer espiritual, não deixe que isso lhe ufane e desperte em seu coração o orgulho. Seja equilibrado, moderado, tenha autocontrole. A glória deve ser dada sempre a Deus, o dono de tudo.

CONCLUSÃO

Esta é a motivação do cristão: a fé na Palavra de Deus. Uma fé inabalável onde não podemos ter medo de enfrentar problemas e dificuldades. Devemos sim nos esforçar para dar o melhor de nós. É certo que, em certas alturas da nossa vida, acabamos por falhar. Mas não é por isso que devemos parar de tentar, ficar desmotivados. Todos os dias devemos lutar, esforçar-nos para vencer as barreiras. O medo não é compatível com os vencedores. É preciso substituí-lo com a coragem. Na Bíblia, Deus pronunciou 366 vezes a frase “Não temas!”. Todos os dias Deus diz para mim, para você: “Não temas!”. Cabe a nós procurar a nossa força interior para superar o nosso medo e vencer.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com









LIÇÃO 11
Inveja, um grave pecado

9 de setembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).– Uma mente tranquila traz boa saúde física; a inveja de outros a arruína. Atitude e saúde são percebidas como relacionadas desde tempos antigos.
VERDADE PRÁTICA

O cristão verdadeiro não se deixa levar pela inveja e não age com maldade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 João 2.9-15


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·       Saber que a inveja está presente no coração do homem desde a queda.
·       Discutir a respeito das consequências da inveja na vida do crente.
·                     Conscientizar-se dos males advindos da maldade.

Palavra Chave
Inveja: 1. Desgosto pelo bem alheio. 2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor). Desejo violento de possuir o bem alheio; desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem

COMENTÁRIO

introdução

Com esta lição entramos no bloco dos “dramas de relacionamento”, as aflições decorrentes de um mau relacionamento com o próximo. O primeiro dos “dramas de relacionamento” que estudaremos é a inveja, um grave pecado que tem acompanhado a humanidade desde os seus primórdios. Inveja ou invídia é um sentimento de desgosto perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem, e pode ser acompanhado de ódio pelo possuidor. Este sentimento gera o desejo de ter exatamente o que a outra pessoa tem, não sendo apenas atinente a bens materiais, mas também qualidades inerentes ao ser. Muitas vezes, se confunde Inveja com cobiça, que por sua vez significa querer tirar a tal coisa desejada à pessoa que a tem, fazendo com que ela fique sem ela. O termo latim "invidere" (não ver), é a origem do termo em português. A sociedade de hoje incita-nos à disputar o poder, riquezas e status, e os que alcançam tais atributos sofrem com o sentimento da inveja alheia dos que não possuem, que almejariam ter tais atributos. Isso em psicologia é denominado formação reativa: que é um mecanismo de defesa dos mais "fracos" contra os mais "fortes". Este sentimento é um pecado e não é uma característica de um Cristão; quem ainda possui este tipo de sentimento ainda está sendo controlado pelos próprios desejos (1Co 3.3). Gálatas 5.26 diz: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!

I. A INVEJA NO PRINCÍPIO DO MUNDO

1. Inveja, um sentimento maléfico. Somos separados do modo de viver ímpio do mundo, mas, também continuamos neste tabernaculo sujeitos às inclinações da carne (natureza humana), que insiste em contrariar as ações definidas pelo Espírito como saudáveis à nossa vida espiritual (“Porque o que a nossa natureza humana quer é contra o que o Espírito quer, e o que o Espírito quer é contra o que a natureza humana quer. Os dois são inimigos, e por isso vocês não podem fazer o que vocês querem” Gl 5.17). A inveja não deve ser confundida da com a cobiça. São dois sentimento negativos, que no decorrer do tempo passaram a ser confundidos. No Antigo Testamento, a palavra traduzida na Versão Almeida Revista e Corrigida por “inveja” é a palavra “qana’” (קנא), com sua derivada “q’inah” (קנאח), cujo significado é o mesmo do português, ainda que também tenha um componente de “zelo” e de “ciúme”, um “ardor que causa ira”. No Novo Testamento, são duas as palavras traduzidas na Versão Almeida Revista e Corrigida por “inveja”. A primeira é “phthonos” (φθόνος), como se vê em Mt.27:18; Mc.15:10; Rm.1:29; Fp.1:15; Tt.3:3. A segunda é “zelos” (ζήλος), como se vê em At.5:17; 7:9; 13:45; 17:5; Rm.13:13; I Co.3:3; Tg.3:14,16. Em Mc.7:22, a palavra “inveja” é tradução do grego “poneros ophthalmos” (πονηρος όφθαλμός), que, literalmente, é “mau olhar”. Aqui, também, vemos as duas ideias presentes no vocábulo hebraico, ou seja, o de um “ciúme, um ardor que causa ira”, como também o de um “mau olhar”.A inveja pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual. Ela difere da cobiça podendo ser entendida como:
a) “sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem”;
b) “desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem”; 
c) “a tristeza sentida diante do bem de outrem e o desejo imoderado de dele se apropriar”.
Cobiça, por sua vez, significa:
a) Desejo imoderado e inconfessável de possuir (o que, geralmente, não se merece);
b) Ambição;
c) Avidez.
No Jardim do Éden, a serpente despertou algo parecido em Eva, levando-a ao desejo de ser como Deus (Gn 3.1-5). Porem, em vez de “ter os olhos abertos”, como havia afirmado Satanás ao tentar a mulher, na verdade, o pecado fez com que a mente do ser humano fosse entenebrecida, que ele fosse cego pelo príncipe deste mundo (II Co.4:4), de tal maneira que o homem, no pecado, passou apenas a enxergar a si próprio, a querer apenas o seu imediato bem-estar, numa cegueira tal que não o fez perceber que, neste individualismo, neste egoísmo, não só não estaria levando em conta o próximo, mas, o que é mais grave ainda, estaria contribuindo para a sua própria destruição, visto que, numa ação egoística, ninguém é favorecido, nem mesmo aquele que age desta forma.
2. Maldade, uma ação maligna. “A maldade pode ser entendida como a “tendência a praticar o mal”,” ação ruim, iniquidade, crueldade”. Quando consideramos os sinistros acontecimentos divulgados pela televisão, pelo rádio e pela imprensa, com seu noticiário cotidiano de mortes, terror e violência, não podemos deixar de convecer-nos de que uma inteligência-mestra está operando neste mundo em luta, não só contra Deus, mas contra tudo que é justo e bom. 1Jo 3.8 afirma: “quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo”.
3. A inveja leva à maldade. A Inveja se trata de um pecado que dá origem a outros pecados. Existem pecados que, por sua própria natureza, levam as pessoas a cometer outros pecados. Por isso, a inveja é tratada como um “pecado capital” ou “pecado grave”, ou seja, nunca vem sozinha, traz consigo outros pecados. É, por isso, aliás, que o salmista afirma que “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.17). A primeira vez que as Escrituras se referem a esse sentimento quando Caim teve o seu semblante caído e se irou porque seu sacrifício não foi aceito mas, sim, o de seu irmão Abel (Gn 4.5,6). Ele se entristeceu não foi pela não aceitação por parte de Deus de sua oferta, mas foi pelo fato de que seu irmão obteve sucesso perante Deus. O sucesso de Abel despertou amarga inveja em Caim, em consequência, este matou seu irmão (Gn 4.8); nesse caso, a inveja levou à prática do homicídio. Na primeira ocorrência do termo “inveja” na Versão ARC, em Gn 30.1, quando Raquel nutriu inveja por sua irmã Leia, que engravidou e deu filhos a Jacó, enquanto ela possuía a madre estéril. Neste caso, a inveja levou Raquel a murmurar e a se revoltar contra Deus (Gn 30.2). Não obstante a murmuração e revolta, Raquel ofereceu sua serva Bila para que deitasse com Jacó e concebesse filhos, dessa forma, nasceu Dã, de quem surgiria a apostasia no meio do povo de Israel (Gn 49.16-18; Jz 8).
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A inveja teve origem na frustrada tentativa de Satanás em apoderar-se dos atributos de Deus.

II. A INVEJA E SUA CONSEQUÊNCIA

1. Na vida de CaimO homicídio cometido por Caim nasceu da inveja que ele nutria por seu irmão, Abel. Muito embora o primeiro pecado de Caim não tenha sido a inveja, mas a infidelidade. Ele não deu o melhor para Deus! Por isso Deus não aceitou sua atitude nem sua oferta. Ao passo que Abel, irmão de Caim, foi fiel e honrou a Deus com uma oferta dos primogênitos do seu rebanho (Gn 4.4). Quando não se tem a Deus como seu maior valor, pode-se facilmente tornar-se infiel e essa infidelidade abre portas para outros sentimentos pecaminosos, tais como a inveja, amargura, rejeição. A infidelidade a Deus abre portas para a inveja, que está muito relacionada ao principado maligno de Mamom (Lc 16.13). Assim, a inveja é sintoma de um laço espiritual do principado maligno que impulsiona muitas vidas na rota da destruição. Deus atentou para a oferta de Abel e o Caim ficou irado com aquilo, de modo que o Próprio Deus disse: Porque você está triste? Se você fizer o bem, não será aceito? O texto fala que, movido pelo rancor e pela inveja, Caim convidou seu irmão para ir ao campo e lá, traiçoeiramente, o golpeou e matou. Deus, então, repreendeu o irmão assassino e o condenou a viver como um fugitivo, protegendo-o, contudo, de ser também assassinado. O crente deve aprender a controlar as suas emoções, pois os nossos atos geram consequências que, às vezes, acompanham-nos durante toda a vida.
2. Na vida dos irmãos de José. Os filhos de Jacó experimentaram esse sentimento negativo em relação a seu irmão José (Gn 37.11; At 7.9). Sua inveja teria levado ao homicídio caso não houvesse a intervenção de Rúben. Ainda assim, gerou a maldade e a mentira. Ainda podemos ver a inveja dando origem a rebelião de Datã, Abirão e Coré (Sl 106.16). O resultado desta inveja foi a rebelião, pecado que tem o mesmo peso da feitiçaria (1Sm 15.23). A inveja nunca vem desacompanhada, traz consigo o desvio espiritual e a apostasia.
3. Na vida do crente. O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos” (Pv 14.30). O “coração em paz” é o mesmo que a alma livre, tratada, curada. Nada mais saudável para o corpo do que uma alma livre de qualquer ferida. Observe o nível de enfermidade que a inveja projeta: podridão nos ossos. Ou seja, uma pessoa dominada pela inveja tem sua vida totalmente transtornada – inclusive sua saúde física. Não é a toa que a Bíblia descreve que no exato momento quando a inveja dominou a alma de Caim, o rosto dele mudou (Gn 4.5). Apenas o Espírito Santo pode exercer Sua Obra no crente. É Ele que nos convence do pecado, inclusive da inveja (Jo 16.8; 1Jo 4.4); O crente deve alimentar-se com a Palavra de Deus, deve ter seu momento devocional (Sl 119.9); Deve lembrar-se da cruz de Cristo, ela implica em abrir mão de coisas difíceis, ainda que sejam desejos, sentimentos ou ainda bens materiais que possam ocupar o lugar que pertence a Deus (Lc 9.23); Se formos adoradores fieis a Deus, firmados em seu Templo, fecharemos a porta para a infidelidade, e para diversas malignidades (Atos 5.1-5).
SINOPSE DO TÓPICO (II)
A inveja é pecado e o crente não pode ser dominado por tal sentimento.

III. A DESTRUIÇÃO ADVINDA DA MALDADE

1. No âmbito familiar. O homem e a mulher que sinceramente servem a Deus não agem com malícia ou com astúcia. Cristo convida-nos a aprender com Ele a sermos mansos e humildes (Mt 11.29). A família cristã deve ser diferente e firmar-se como exemplo a ser seguido. Em nosso lar, por conseguinte, não pode faltar o amor, a paz e a mansidão. Se, por acaso, você estiver sofrendo com algum familiar, suporte a provação e vença o mal com o bem (1 Pe 3.8-12). Depois de matar seu irmão, Caim fugiu para a “terra de Node” (Gn 4.14-16). Esse lugar não existia, esse termo “node” significa “vaguear”. Por que o lugar para onde Caim foi se refugiar chamou-se “Vaguear”? Porque ele tornou-se alguém perdido, sem sentido para sua vida. Todas as pessoas que se deixam dominar pela inveja perdem a visão e passam a habitar a “terra de Node”, passam a vaguear!
2. No trabalho. A empresa é o lugar onde passamos a maior parte do nosso tempo e onde também encontramos pessoas invejosas, incompetentes e malignas. "Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1Pe 2.5). Certamente todos nós ansiamos por dar uma educação a nossos filhos que os levem a possuir uma visão de quem ele quer ser no futuro - que profissão quer exercer e o que isso poderá determinar em suas vidas. Desejamos que nossos rebentos possuam importância no mundo status em relação a posição profissional e social – e os preparamos para isso. E isso não está errado! Contudo, sabe-se que isso trará, inevitavelmente, o desgosto e oposição de muitos. "Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15.4,5). A Palavra de Deus nos diz que assim como o ramos só dá uvas quando está unido com a planta, assim, seremos nós, que só daremos fruto se estivermos unidos com Cristo. É necessário que estejamos em comunhão com o Senhor para que possamos prosperar em todos os nossos propósitos. "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele e o mais Ele fará" (Sl 37.5). Embora haja a maldade e a inveja nos rodeando, se estivermos firmados na Rocha, ela continuará apenas nos rodeando!
3. Na Igreja. Falar sobre maldades dentro da igreja pode parecer desnecessário, mas infelizmente não o é. “De onde vem as lutas e as brigas entre vocês? Vem dos maus desejos que estão sempre lutando dentro de vocês” (Tg 4.1). Por causa da inveja muitos casamentos e amizades acabam. Por causa da inveja muitas brigas, agressões e até morte acontecem. O profeta Miquéias dirigiu suas palavras a alguns nobres ou líderes entre os israelitas que tramavam maldade para se enriquecer. "Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança" (Miquéias 2:1-2). Esses homens cobiçosos ficaram acordados à noite planejando sua maldade. "Sua maldade é planejada e proposital... pois, ao invés de se retirarem para dormir a noite, eles ficam acordados tramando e preparando seus planos maus" (H. Hailey). Sambalate, Tobias e Gesém. Esses homens eram estrangeiros que moravam perto de Jerusalém quando Neemias chegou para reconstruir os muros da cidade. Eles tramaram para impedir o trabalho nos muros. "E muito lhes desagradou que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel" (Neemias 2:10). Eles ridiculizaram os esforços e sugeriram que os judeus estavam se preparando para rebelar contra os persas (Neemias 2:19). Eles zombaram (Neemias 4:1-2) e ameaçaram pelejar contra Jerusalém (Neemias 4:8). Mais tarde, enquanto o trabalho nos muros progredia, esses inimigos dos judeus pediram que Neemias os encontrasse no vale de Ono. Neemias percebeu seu plano mau e recusou ir. Ele disse: "Porém intentavam fazer-me mal" (Neemias 6:2). Os principais sacerdotes e escribas. Esses líderes judeus na época do ministério de Jesus estudaram e consultaram entre si, planejando a morte de Jesus. "Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá_lo" (Mateus 26:3-4). Os principais sacerdotes concordaram em pagar para Judas 30 moedas de prata para que ele traísse Jesus (Mateus 26:14-16). Os mesmos líderes, mais tarde, procuraram "algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte" (Mateus 26:59). Esses são poucos dos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que podem ser chamadas "invejosas". Deus considera abominável o "coração que trama projetos iníquos" (Pv 6.18). [http://marceloraineri.blogspot.com.br/2011/07/vencendo-inveja.html, acesso em 03/09/12]. “Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa.” (Tg 3.16). Tiago aborda a inveja e o espírito faccioso, como duas realidades capazes de produzir no seio da igreja grandes prejuízos.A definição mais simples e objetiva para “inveja” segundo Aurélio é: "Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem - Desejo violento de possuir o bem alheio - Objeto de inveja." Já o espírito faccioso, são os grupos partidários que podem surgir dentro das igrejas primando por satisfazer seus próprios interesses. Infelizmente no contexto desses grupos está a ação dos desejos da carne, os quais predominam e prejudicam grandemente a obra do Senhor. Ao tratar do assunto, Tiago aborda os dois problemas e os nomeia como os causadores de perturbação e de toda a obra perversa. Infelizmente há muitos crentes hoje que estão buscando apenas destaques e poder. Na verdade, o que eles querem é estar em evidência. O resultado que tem sido visto, é a realidade da presença da inveja e facções. O que se vê é a instauração da estagnação, dos conflitos e as grandes dificuldades na vida dessas igrejas. A cura só virá quando no seio da igreja houver a manifestação do Fruto do Espírito. (Gl 5.22-23) Somente refletindo o caráter de Cristo e primando pelos valores do Reino, é que a igreja vencerá todas essas barreiras. O caminho para tal é o da entrega, da submissão, da obediência aos mandamentos do Senhor e que serão determinantes para a cura completa que a igreja precisa. Ao viver dessa forma a mesma passará por grandes transformações e o milagre será declarado. Valores como a unidade, o cooperativismo, o amor, bons relacionamentos e tantos outros que provêm do querer de Deus, serão vivenciados por essa comunidade. Haverá avanço! Haverá cumprimento da Missão! O nome de Cristo será glorificado e a Igreja experimentará a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2)[http://www.casadeoracaocehab.com.br/2011/10/vencendo-inveja-e-o-espirito-faccioso.html, acesso em 03/09/12].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
A maldade traz consequências maléficas e acaba minando a fé do crente.


CONCLUSÃO
A recomendação da Palavra de Deus para os crentes em Jesus é para que sejamos cheios do Espírito Santo, somente revestidos dEle não daremos lugar às obras da carne (Gl 5.16). A sede dos desejos malignos é o coração; sabemos que a inveja e seus filhotes surgem da nossa natureza carnal que permanece ativa mesmo após a conversão. Precisamos nos encher constantemente do Espírito Santo para produzirmos vida santa e justa. Para isso fomos alcançados pela soberana graça de Deus. Por isso, tais pecado como a inveja e a maldade, dois graves pecados, jamais deveriam achar lugar em nossa vida. O alerta das Sagradas Escrituras para nós é direto, sincero e justo: os que cometem tais coisas, se não se arrependerem, “não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.21).

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Agosto de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. O que é inveja?
R. É um sentimento de desgosto ocasionado pela felicidade do outro; cobiça.
2. O que ocorre com a pessoa que se deixa contaminar peia inveja?
R. Ela vive angustiada e planejando o mal de seu próximo.
3. Como nasceu o homicídio cometido por Caim?
R. Nasceu da inveja que ele nutria por seu irmão, Abel.
4. Podemos galgar cargos e posições profissionais? Explique.
R. Sim, todavia não podemos nos esquecer de que é o Senhor Deus quem chama e capacita os seus servos para obras específicas.
5. Você se considera uma pessoa invejosa e, consequentemente, maldosa? Se sim, está disposta a mudar?
R. Resposta pessoal.


 NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;

http://marceloraineri.blogspot.com.br/2011/07/vencendo-inveja.html;
http://www.casadeoracaocehab.com.br/2011/10/vencendo-inveja-e-o-espirito-faccioso.html
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- GEISLER, N. Teologia Sistemática. Volumes 1 e 2, 1.ed., RJ: CPAD, 2010.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa











LIÇÃO 10 - A perda dos bens terrenos


Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas
ComentaristaEliezer de Lira e Silva.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa

LIÇÃO 10
A perda dos bens terrenos

2 de setembro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1.21). - Quanto mais ganhos materiais, mais a pessoa se encontra cercada por coisas que a esvaziam. O homem não pode levar nada consigo quando partir desta vida. Desta forma, todo o seu trabalho é inútil. Deus deu ao homem suas bênçãos de forma material, e é dever do homem gozar destas bênçãos e estar contente com elas em moderação.
VERDADE PRÁTICA

Ainda que percamos todos os nossos bens, continuaremos a desfrutar de nosso bem maior: Cristo Jesus nosso Senhor.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Jó 1.13-21


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
·                     Descrever as perdas humanas de Jó.
·                     Elencar as perdas de ordem material, afetiva e espiritual de Jó.
·          Conscientizar-se que mesmo nas perdas, podemos desfrutar do amor divino.

Palavra Chave
Perda: 1. Carência, privação do que se possuía. 2. Extravio, sumiço. 3. Dano, prejuízo. 4. Ruína. 5. O objeto perdido. Ato ou efeito de deixar de possuir ou de ter algo.

COMENTÁRIO

introdução

Dando sequência ao estudo sobre os “dramas materiais” que podem acometer todos os homens, inclusive os servos de Deus, veremos hoje, com auxílio da vida de Jó, a perda dos bens terrenos. Conforme estudamos na lição 9, quando estudamos a angústia das dívidas, não podemos deixar de considerar que, nesta terra, todas as coisas pertencem a Deus, Ele é o criador de todas as coisas (Gn 1.1) e, portanto, por direito, tudo Lhe pertence (Sl 24.1). A vida hoje tem se tornado muito competitiva, exigindo do homem um preparo constante para manter-se apto ao mercado de trabalho e assim, conseguir sustento para si e para os seus. Nessa corrida, alguns destacam-se na ânsia em angariar riquezas. Não que isto seja pecado ou proibido pelas Escrituras. No entanto, alguns desavisados tem feito isso  motivado por uma teologia nefasta que apregoa o materialismo como uma regra para a vida do crente - Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas e, por isso, a perda dos bens terrenos não pode nos levar a nos distanciar ou a questionar o Senhor.

I. JÓ E A EXPERIÊNCIA DAS PERDAS HUMANAS

1. Seu gado e rebanho. Sem dúvidas, Jó é o personagem bíblico mais próspero e alguém que, alcançou testemunho do próprio Deus como homem Íntegro (honesto, imparcial), reto (que segue sempre a mesma direção, direito, justo nas palavras, nos atos e nos pensamentos), temente a Deus (levava Deus a sério) e desviava-se do mal (um caráter acima de qualquer suspeita).  (אִיּוֹב), cujo nome significa voltado sempre para Deus, natural de Uz, cuja localização exata não se sabe com certeza absoluta. Lamentações 4.21 diz: “Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz”. Este versículo indica que a terra de Uz ficou em Edom (a terra de Esaú). Edom, que foi depois chamado Iduméia, ficou para o sudoeste e sudeste do Mar Morto. Então parece que a terra de Uz ficou nesta região. Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas, tendo também muitos servos; de modo que este homem era o maior de todos os do Oriente (Jó 1.3).  A Bíblia descreve Jó como um homem rico, influente e respeitado em sua terra, também, um dedicado servo do Senhor. Não obstante isso, de repente, num só dia, ele viu todo seu gado e rebanho esvair-se. Os mensageiros, um a um, vieram trazer-lhe as inesperadas e funestas notícias (1.14-16).
2. Seus servos. Jó não teve tempo sequer de absorver o impacto da notícia, pois, "estando este ainda falando, veio outro"servo (v. 16), e trouxe-lhe a novidade de que o "Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu", restando apenas o informante. Não houve tempo para se recuperar. Enquanto era-lhe concluído o relato, outro servo veio, e disse que três tropas dos caldeus tomaram os seus camelos, e "aos servos feriram ao fio da espada", exceto o que escapou, "para trazer-te a nova" (v.17). De súbito, Jó se viu arruinado financeiramente, não lhe restara nada, nenhum bem com o que se sustentar.
3. Seus filhos. Mas eis que ainda quando o último falava, chegou novo servo, dizendo-lhe: "Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova". Em questão de minutos, Jó havia perdido tudo o que tinha na vida; não possuía bens, nem servos, nem filhos (não seria a morte dos filhos o julgamento de Deus sobre eles?). Era um homem arruinado e afligido. É difícil imaginar o que se passava em sua mente, ainda que façamos uma ideia. Cabe uma pergunta: Em lugar de Jó, como nos portaríamos? Somos acometidos diariamente por coisas que nos irritam, nos frustram. Somos submetidos a pequenas adversidades e, normalmente, as tratamos com impaciência, raiva, sem fé. Imagine que Jó tinha uma vida abastada, era um homem próspero e instantaneamente se tornou num miserável. Seríamos capazes de suportar um baque tão grande? Será que temos buscado e conhecido a Deus o suficiente para não odiá-lO, caso estivéssemos no lugar de Jó? Ou blasfemar e murmurar? Em minutos, ele teve de aprender o que o apóstolo Paulo também aprendeu, nos ensinou, e teimamos em não entender: "... também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Rm 5.3-6). Jó rasga suas vestes, rapa sua cabeça e cumpridas barbas, símbolos de sua posição social superior, e lança-se em terra adorando a Deus.  Somente a fé e a comunhão com Deus dão ao aflito a esperança e a força para vencer as vicissitudes. É nessas ocasiões que a comunhão do crente com Deus faz toda a diferença!
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Jó passou pela experiência das perdas de todos os seus bens — gado, rebanho, funcionários e filhos — mas em tudo reconheceu a soberania e a grandeza de Deus.

II. A PERDA DOS BENS

1. De ordem material.   O homem servirá o Senhor na pobreza tanto quanto na prosperidade? (1.9-11). Satanás disse que Jó servia o Senhor porque estava cercado pela proteção divina e não podia tocar nele. Satanás só pode afligir os santos com a permissão de Deus. Graças a Deus por isso. Satanás afirmou que se deixa-se tocar em tudo quanto ele possuía, certamente ele blasfemava Deus na sua face. Deus deu a sua permissão para tocar em tudo quanto que Jó teve, só não contra Jó mesmo (sua pessoa ou vida). Satanás saiu correndo para fazer a sua maldade. Note que Jó não sofreu por causa de uma coisa que fez (2.3). A expressão “bens” representa propriamente as coisas materiais que nos servem para a satisfação de nossas necessidades e a Bíblia Sagrada faz questão de nos mostrar que elas são dádivas de Deus para nós. Para os israelitas, Deus prometia “abundância de bens” na Terra Prometida se houvesse fidelidade a Ele e à Sua lei (Dt.28:11), tendo, também, a rainha de Sabá entendido que Salomão tinha abundância de bens que lhe havia sido dada pelo próprio Deus (I Rs.10:7,10). Neemias, também, reconheceu que Deus cumpriu a Sua promessa ao povo de Israel, dando-lhes abundância de bens, embora tal atitude não tenha sido correspondida pelo povo (Ne.9:35). O próprio Satanás reconheceu que Deus é quem deu os bens a Jó (Jó 1:10), a provar, pois, que Deus é o dono de todas as coisas e dá a quem quer, quando quer e como quer. No entanto, e aqui reside o grande perigo, o homem, no pecado, entende que pode viver sem Deus e, por isso, acaba por achar que tudo quanto possui é fruto de seu próprio esforço, é resultado de suas próprias forças e, diante dos bens terrenos, esquece-se d’Aquele que é a fonte de tudo quanto foi adquirido, esquece-se do Deus que dá aos homens todos os bens terrenos. É neste ponto, quando há a desconsideração de que Deus é o dono de tudo e que é o principal responsável por aquilo que adquirimos por força do nosso trabalho que surge o “materialismo”, que é a redução de tudo ao “material”, que é a exclusão de Deus de nossas mentes, de nossa apreciação da realidade[a]. Por intermédio de uma vida imediatista, muitos crentes arrazoados num entendimento materialista, em momentos de perdas significativas, têm dificuldades de confiar em Deus.
2. De ordem afetiva. Depois de ser atingido por uma doença pavorosa e deformadora, de ser abandonado em sua fé pela própria esposa, depois de passar semanas assentado sobre cinzas, no lixo, Jó finalmente se pronuncia: “Disse Jó: Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. Reclamem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele as nuvens; espante-o tudo o que pode enegrecer o dia” (Jó 3.2-5). Finalmente temos a oportunidade de conhecer melhor este personagem que parece ser um super-crente, inabalável na sua fé. Podemos vê-lo não como um crente que não se abala, mas como um homem de carne e osso, que se desespera com sua trágica situação. É como uma represa que se rompe. Seus sentimentos começam a jorrar. Seu sofrimento é insuportável. Isso faz desaparecer toda a alegria vivida antes. Diante da menor dificuldade, sentimo-nos impotentes, paralisados como se nosso cérebro e músculos estivessem adormecidos. A vida, nestas circunstâncias, perde o seu sabor e todas as atividades para as quais somos chamados em nosso cotidiano tornam-se fardos muito pesados em relação à nossa fragilidade. Os melhores amigos nascem nos períodos de sequidão e angústia (17.17).  Autoridades do Oriente chegavam à casa do infortúnio. Ouvia-se os murmúrios das carpideiras, que se revezavam em seus turnos. Os cancioneiros entoavam suas elegias, e os sábios do Oriente procuravam entender a tragédia humana. A dor e angústia apertavam seu corpo, como se a estivessem comprimindo em um pequeno vaso de cerâmica. Ele em nenhum momento blasfemou ou se queixou de sua sorte (Jó 1.22). Junto aos sábios do Oriente, ouvia-o dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Todos ouviam, admirados, a fé e perseverança de Jó em Deus. Diferente dos tolos adoradores de ídolos do Oriente, Jó confiava no Deus Invisível, Espírito eterno e imutável em seu ser.
3. De ordem espiritual. O materialismo é uma realidade na vida de muitos crentes que se deixaram levar pelas falácias da Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva. A mente e o coração, essencialmente, mergulhados numa perspectiva materialista de vida, não podem dar lugar a essência e a verdade do Evangelho de Cristo, que diz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Tomar a cruz, através do sofrimento de Cristo, é o convite feito por Jesus a todos os discípulos que são dignos dEle (Mt 10.38).Quando nos sentirmos fracos, Deus mesmo virá no momento mais escuro da nossa vida para nos ensinar que não dependemos das circunstâncias para viver. Ele irá mostrar que se encontra no controle de todas as situações. O sofrimento, muitas vezes, é o anúncio de milagres que estão para chegar. Portanto, quando estivermos atravessando provação ou tribulação vamos lembrar que Deus pode usar essas experiências para nosso bem. Ao final da provação, poderemos dizer como Jó: “Eu sei que meu Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O bom caminho para superarmos as perdas de ordem material, afetiva e espiritual é lançar sobre o Senhor todas as ansiedades, pois Ele cuida de nós.

III. MESMO NA PERDA PODEMOS DESFRUTAR O AMOR DE DEUS

1. Sua graça. Paulo fez uma afirmação difícil de entender, e mais difícil ainda de aplicar na nossa vida: "Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (2Co 12.10). Ele disse: "E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim." (2Co 12.7-8). Atrás dessas palavras enigmáticas encontramos algumas lições importantes e edificantes. Quando Deus recusou tirar o espinho da vida de Paulo, ele ofereceu esta explicação: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Co 12.9). A graça contradiz o merecer. Se Paulo, no passado, se julgou autossuficiente, ele não continuou assim (Fp 3.4-11). Nas tribulações, ele aprendeu depender da graça do Senhor. Quando sentimos que temos tudo sob controle por causa da nossa própria capacidade, facilmente esquecemos de Deus. Nas horas de maior fraqueza, quando sentimos incapazes de resolver os nossos problemas sozinhos, tendemos a voltar para Deus e nos entregar à poderosa mão dele. Nossa inteligência não nos basta. Nossos recursos financeiros não nos bastam. Nossos amigos não conseguem preencher as nossas necessidades. A graça de Deus nos basta, e o poder dele se manifesta através da nossa fraqueza. É exatamente isso que Paulo entendeu:"De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2Co 12.9).
2. Seu amor. Graça é “O favor imerecido que Deus concede ao homem”. Embora tal definição seja verdadeira, é incompleta. Graça é um atributo de Deus, um componente do caráter divino, demonstrada por Ele através da bondade para com o ser humano pecador que não merece o Seu favor. Muitas vezes, Deus permite que passemos por grandes provações. Mas, ao final, quando olhamos para trás, percebemos que aqueles dias sombrios foram tempo de grande aprendizado e de comunhão com o Senhor. Aprendemos de forma prática que as adversidades da vida podem ser um sinal do amor do Pai por seus filhos.
3. Deus intervém na história. De acordo com as Escrituras Deus criou e preserva a sua criação (Gn 1; 2; Ne 9.6; At 17.28; Ef 1.11). Por isso, Ele tem todo o direito de governar sobre a criação e de intervir na história da humanidade. Devemos entender, no entanto, que este governo e intervenção está baseada, sobretudo, em seu infinito amor, que deseja o melhor para nós. Muitos servos de Deus tiveram experiências que provam claramente a intervenção de Deus em suas vidas, tais como: Adão, ao ser expulso do Jardim do Éden (Gn 3.23); Caim, que foi amaldiçoado por Deus, por matar seu irmão (Gn 4.10-12); Enoque, ao ser trasladado por Deus (Gn 5.24); Jacó, que teve o seu nome mudado, quando lutou com o anjo no Vau de Jaboque (Gn 32.22-28); Daniel, quando Deus o livrou da cova dos leões (Dn 6); e tantos outros servos de Deus que estão registrados nas Escrituras, como reis, sacerdotes, profetas, apóstolos, etc. "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam" (Is 46.9,10). Em Hebreus 1.3 nos diz que Cristo está "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder". Segundo a Teologia Sistemática de Wayne Grudem: " A palavra grega traduzida como sustentar é pherõ, "carregar, suportar. É usada no Novo Testamento em: (Lc 5.18 levar um paralítico até Jesus). (Jo 2.8 levar vinho ao encarregado do banquete). (2Tm 4.13 levar uma capa e livros a Paulo)". Encerra a ideia de controle, Jesus está carregando, isto é: Controlando, intervindo na criação. Afinal, ele é o Deus que intervém na história.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Ainda que percamos os mais preciosos bens, podemos desfrutar da graça e do amor de Deus. Ele intervém em nossa história!


CONCLUSÃO
O maior desejo de Jó era gozar da presença e do favor de DEUS. Agora tinha acontecido toda aquela desgraça e parecia que DEUS o tinha abandonado. Ele não entende a razão de tudo aquilo. Era isso que ele temia: perder o relacionamento com seu Deus. Mesmo assim, Jó não blasfemou contra DEUS; continuou orando ao Senhor e rogando a Ele por sua misericórdia e socorro. Podemos perder tudo nessa vida, e ao contrário daquela música que diz “Restitui! Eu quero de volta o que é meu”, apesar de todos os infortúnios, nós devemos continuar a crer no Evangelho de Cristo, a crer naquilo que está escrito nas Escrituras! Deus sempre pode extrair coisas boas das tragédias. No caso de Jó, sua experiência no árido deserto das dores e das tribulações proporcionou-lhe crescimento e uma nova visão de Deus. No capítulo final do livro, capítulo 42, nos versos 1 a 6, vemos que Jó alcança uma bela compreensão dos propósitos divinos. Ele levantou perguntas corajosas enquanto Deus permaneceu em silêncio. Mas calou-se, humildemente, quando Deus se pronunciou. Seu exemplo contribui para um notável amadureciemento de nossa fé.
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Recife, PE
Agosto de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. Como a Bíblia descreve Jó?
R. A Bíblia descreve Jó como um homem íntegro e que cultivava uma vida de profundo temor a Deus.
2. Qual foi a reação de Jó ao saber da perda dos bens, dos funcionários e dos seus filhos?
R. Foi a de rasgar o manto, rapar a cabeça e sofrer a angústia natural de um pai que acabara de perder todos os filhos; do patrão que ficara sem os funcionários e do homem reduzido à extrema pobreza.
3. Contrariando toda a lógica humana, qual foi o ato de Jó, em relação a Deus, diante das calamidades?
R. Prostrar-se e adorar a Deus.
4. Por que alguns cristãos têm dificuldades de confiar em Deus nos momentos de perdas significativas?
R. Por intermédio de uma vida imediatista — querer tudo para o aqui e o agora, não admitindo derrotas ou subtrações, pois “somos feitos para vencer”.
5. Graça, amor e intervenção divina na história. O que isso significa para você?
R. Resposta pessoal

 NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;
[a] http://www.portalebd.org.br/files/3T2012_L10_caramuru.pdf
[b] http://teologiaegraca.blogspot.com.br/2010/10/os-sofrimentos-da-mulher-de-jo.html
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
- PEARCEY, N. Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de seu cativeiro cultural. 1.ed., RJ: CPAD, 2006.
- RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010
- BARNETT, T. Há um milagre em sua casa: A solução de Deus começa com o que você tem. 9.ed., RJ: CPAD, 2007.
- HORTON, S. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1.ed., RJ: CPAD, 1996.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa






Lição 9 - A Angústia das Dívidas

Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2012 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas
ComentaristaEliezer de Lira e Silva.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração, pesquisa e postagem no Blog: Francisco A Barbosa

LIÇÃO 9
A angústia das dívidas
26 de agosto de 2012

TEXTO ÁUREO

“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem”(Sl 128.1,2). – As bênçãos descritas em todo o Salmo 128 estão baseadas num elemento de adoração muitas vezes ignorado: o temor do Senhor (v.1).

VERDADE PRÁTICA

Para ter uma vida financeira equilibrada e bem-sucedida, o crente deve administrar seus recursos com sabedoria, prudência e comedimento.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Timóteo 6.7-12.

7 - Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.
8 - Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
9 - Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
10 - Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
11 - Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.
12 - Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Compreender quem é o dono do nosso dinheiro.
  • Discutir a respeito dos efeitos maléficos do consumismo e das dívidas.
  • Saber que é possível livrar-se das dívidas com sabedoria e planejamento.
Palavra Chave
Dívida: (latim debita, neutro plural de debitum, -i, dívida) s. f. 1. Coisa que se deve. 2. Dinheiro devido. 3. [Figurado]  Dever (que se cumpre ou por cumprir). 4. Ofensa (de que se espera tirar desforra). 5. Pecado. dívida ativa: a que nos é devida. dívida consolidada: a pública que vence juros sem prazo para reembolso do capital. dívida flutuante: a pública que tem vencimento determinado. dívida passiva: a que devemos. dívida pública: a do Estado.[a] Nesta lição: Quantia que se tem de pagar.

COMENTÁRIO

introdução

Vivemos numa sociedade extremamente consumista e não tem sido fácil lidar com o dinheiro, principalmente quando ele vem em doses homeopáticas e as despesas são enormes. Há uma grande pressão da sociedade consumista com um apelo visual que se dinamiza diariamente para atrair a atenção dos compradores, gerando em nós necessidades e até mesmo uma compulsão por coisas supérfluas e não essenciais. Uma verdade estampada em nossa leitura bíblica em classe é a de que um desejo inquieto de consumir sujeita as pessoas a um grande perigo espiritual. “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão(v.11). No grego, o termo praotes significa uma disposição que é equilibrada, tranquila, balanceada em espírito, despretensiosa, que tem as paixões sob controle. O termo é melhor traduzido como “serenidade”, não como uma indicação de fraqueza, mas de poder e força sob controle. Não há termo melhor para descrever o homem ou a mulher crente, que sabe como administrar suas finanças para não incorrer na “bancarrota” das dívidas. Não é que o crente não possa contrair dívidas, aliás, não encontramos nenhuma diretiva condenando o ato de contrair dívidas, como se fosse um pecado. Na lei dada através de Moisés, que “é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7.12), os empréstimos são normalmente regulados, o que não aconteceria se fossem pecado (Êx 22.25, Dt 24.6, 10-13), mas que o faça quando necessário e sob os auspícios da mansidão. O crente precisa ter alguns princípios elementares que devem reger a sua vida e hoje, temos a graça de compartilhar como utilizar nosso salário com sabedoria, a fim de honrarmos nossos compromissos, e glorificar ao Senhor em todas as áreas de nossa vida. Tenham todos uma abençoada e excelente aula!

I. QUEM É O DONO DO NOSSO DINHEIRO

1. Dê a Deus o que lhe pertence. É preciso ser responsável com o nosso salário. Como pessoas nascidas de novo para uma nova vida em Cristo, temos muitos deveres para com as nossas pátrias: a terrena e a celestial. Não é lícito para o crente sonegar o que lhes é devido. As Escrituras afirmam que reter mais do que é justo é pura perda! Somente sendo fiéis as janelas do céu se abrirão sobre nós, pois a bênção de Deus enriquece e com ela não traz desgosto. Na ânsia de consumirmos, acabamos por embutir em nosso orçamento aquilo que seria absolutamente dispensável e desnecessário. O crente deve possuir um estilo de vida simples. Muitas vezes gastamos muito em nossos próprios deleites, enquanto investimos tão pouco nas causas nobres do Reino de Deus.
2. Disciplina e orçamento financeiro. O crente deve envidar todos os esforços para não gastar mais do que ganha. Precisa ser criterioso no seu orçamento. Não podemos começar um projeto sem antes calcular o seu custo (Lc 14.28-30). Não podemos viver num padrão acima das nossas possibilidades. O mundo moderno tenta nos levar a comprar o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar as pessoas que não conhecemos. "O dinheiro atende a tudo" (Ec 10.19). O “X” da questão é, quem manda em minha vida, eu ou o dinheiro? Há uma máxima que diz: "O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão". Salomão registrou: "O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá" (Pv 11.25) e Jesus disse: "Onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração" (Mt 6.21). Precisamos resolver quem vai mandar, pois sempre investimos naquilo que valorizamos. Somos senhores ou servos do dinheiro? Não importa a soma que se ganhe, mas como se administra esse ganho! Diante de tudo isso, a melhor forma de utilizarmos nosso dinheiro é fazê-lo nosso servo, pois assim, não correremos o risco de permitir que ele tire nossa tranquilidade, liberdade e testemunho.
3. Cuidado com a cobiça. A palavra-chave para o crente é moderação. Quanto mais ganhos materiais, mais as pessoas se encontrarão cercadas por coisas que as esvaziam. O homem não pode levar nada consigo quando for levado desta vida, de maneira que, todo o seu incansável trabalho é inútil (Ec 5.11). Deus dá ao homem suas bênçãos de forma material e este tem a obrigação de gozar estas dádivas e estar satisfeito com elas em moderação, gratidão e prazer (Ec 5.18-20), sem nunca esquecer que nosso contentamento deve estar em Deus e não nas coisas materiais. O dinheiro e as coisas que ele pode nos dar não nos satisfazem (Pv 27.20). Tendo o que comer e vestir, diz Paulo, com isto devemos estar contentes.
“E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (Lucas 12:16-21). Assim falou Jesus à multidão reunida que tinha acabado de ouvi-lo reprovar um homem que não tinha visto nele mais do que um árbitro para uma contenda por dinheiro familiar. “Cuidado com a cobiça,” ele disse; e então contou a parábola acima para explicar o motivo. A Parábola do Rico Tolo é um espelho para a alma. O agricultor desta parábola não era algum homem pobre que conseguiu riqueza subitamente. Ele já era rico quando uma grande colheita fez os seus já grandes celeiros parecerem pequenos. Não há indicação de que nenhuma das riquezas do agricultor tivesse sido mal ganha. Por tudo o que sabemos, ele ganhou cada pedaço dela com trabalho duro e gerenciamento prudente. Esta história não é sobre fraude. É sobre tolice. O agricultor, que tinha sido tão hábil gerindo sua propriedade, tornou-se um simplório ao gerir a vida. Ele cometeu algumas tolices muito óbvias. Primeiro de tudo, ele cometeu o engano de pensar que era o proprietário de sua riqueza. “Minhas colheitas”, “meus bens”, “meus celeiros” e até “minha alma”, ele disse. Que arrogância! Que ingratidão! Como se ele, e somente ele, tivesse conseguido tudo isso. Não há nenhuma palavra pronunciada de agradecimento ao grande Deus que nos dá “do céu chuva e estações frutíferas, enchendo os vossos corações de fartura e de alegria” (Atos 14:17), para não falar de “vida, respiração e tudo o mais” (Atos 17:25). Em qualquer tempo em que pensarmos que merecemos as coisas que estamos usando, far-nos-ia bem verificar a relação da terra ou da casa em que estamos. Somos todos inquilinos aqui. A segunda tolice foi pensar consigo mesmo sobre que disposição ele deveria dar a suas bênçãos inesperadas (12:17). Ele deveria ter consultado Deus porque o mundo e toda a sua plenitude são dele (Salmo 50:12). Mas isso nunca lhe passou pela cabeça. Nem ele pensou nos celeiros vazios das pessoas pobres e lutadoras para quem suas sobras teriam significado livramento. Ele só pensou em si mesmo. Sua terceira tolice está em supor que o que ele pudesse colocar num celeiro fosse tudo o que ele precisava. Olhando sobre toda sua abundância, ele disse consigo mesmo: “Consegui fazer!” Ele pensava que estas coisas significavam conforto assegurado, felicidade e segurança. Admiramo-nos sobre em que mundo ele vivia. Como agricultor, praga, seca, inundação e roubo não lhe eram estranhos. É preciso cegueira incomum para imaginar que haja qualquer segurança em coisas materiais (Mateus 6:19). Mas é preciso estupidez ainda maior para imaginar que espíritos formados à imagem do Eterno possam jamais ficar satisfeitos e realizados com a mera matéria, mesmo que ela fosse eterna (Eclesiastes 5:10-11; 6:7). Fomos feitos para “o Deus vivo” (Salmo 42:2; Atos 17:26-28) e a vida provém do coração, não do banco (Provérbios 4:23). Finalmente, nosso agricultor “bem sucedido” esqueceu-se do tempo e da morte. Ele estava pensando em muitos anos, mas Deus disse que não seria nem mais um dia. Sua riqueza foi para um lado e ele foi para outro. Não há bolso numa mortalha. Salomão fala freqüentemente desta verdade em Eclesiastes.“Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim. E quem pode dizer se será sábio ou estúpido?” (Eclesiastes 2:18-19). Não há tolice imperdoável maior do que planejar a vida sem considerar a morte, e construir a vida sobre coisas que a morte certamente tirará. A evidência de nossa mortalidade e incerteza da vida não é apenas premente, é irresistível. Nenhuma verdade sobre nós mesmos é tão evidente como o fato de que vamos morrer, e morrer em algum tempo imprevisível. E a única coisa que sobreviverá à morte é uma relação segura com Deus. Deveremos, portanto, derramar todas as nossas vidas e tesouros para ele, amontoados, comprimidos, transbordando. Diz-se que Alexandre o Grande pediu para ser enterrado com suas mãos colocadas de tal modo que todos poderiam ver que elas estavam vazias. É também relatado que, quando a cripta do Imperador Carlos Magno foi aberta, ele foi encontrado sentado em seu trono, uma figura agora só ossos, apontando para um texto em uma Bíblia aberta: “Que aproveita ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). É uma pergunta muito boa.” [Extraído do artigo “Rico para com Deus”de autoria de Paul Earnhart, disponível em http://www.estudosdabiblia.net/2004116.htm].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Como servos de Deus precisamos ser fiéis na entrega dos dízimos e ofertas, fazendo uso do nosso dinheiro com sabedoria.

II. O CONSUMISMO E AS DÍVIDAS

1. Os males do consumo inconsciente. “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a contentar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4.11-13). O texto que Paulo escreve em Fp 4.11-13 é um guia para compreendermos a vontade de Deus para nossa vida financeira. Paulo ensina que o crente pode possuir riquezas, contudo, não deve confiar nelas. Com a mente em Cristo, Paulo afirma que a satisfação de suas necessidades materiais não era a medida nem o motivo de sua alegria. Usando um termo muito empregado pelos filósofos de sua época que a usavam para descrever uma pessoa que era auto-sufuciente em todas as circunstancias, ele repudia a ideia da auto-suficiência, afirmado que ele a tinha somente em Cristo, cuja paz e propósito ele desfruta apesar das circunstancias.
2. Adquirir o que se pode pagar. Somente o insensato compra o que não pode pagar (Pv 21.20). Paulo certamente não era um economista, mas seus conselhos nessa área são valiosíssimos! Ele diz em Romanos 13.8: “A ninguém fiqueis devendo nada, exceto o amor…”. Devemos ser muito cuidadosos para não nos envolvermos com dívidas, pois contraí-las sem saldá-las integralmente, no tempo devido, é comprometer o nosso nome, comprometer o nosso testemunho de cristão e a honra do Evangelho. Não é novidade para ninguém os abusos praticados pelo mercado financeiro, onde os juros são extorsivos, assim, nosso cuidado deve ser redobrado para não cairmos na teia de compromissos financeiros impagáveis. Lembremos que o cartão de crédito deve ser usado com parcimônia e inteligência afinal, comprar com ele quase sempre, é comprar o que não se precisa com o dinheiro que não se tem.
3. Aja com integridade, fuja da corrupção. Certa vez, João Batista exortou os soldados a se contentarem com seus soldos e que não aceitassem suborno (Lc 3.14). A honestidade e integridade de uma pessoa é avaliada pela sua capacidade de cumprir com suas obrigações, assim, as obrigações financeiras exigem muita atenção, pois o seu cumprimento é testemunho de nossa integridade e de nossa nova cidadania. O crente deve primar por cumprir estas obrigações, e é lamentável ouvir o número de casos em que o testemunho de crentes, que aparentam ter boa maturidade, tem sido comprometido por dívidas não pagas. Isso é fruto do descontentamento e ganância. Paulo diz em Filipenses 4.11: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho”. Nós temos contraído muitas aflições para nossa vida não por causa da fome, ou da miséria que aflige multidões mundo afora, mas por causa do consumismo desenfreado que nos é imposto pela sociedade. Talvez algum leitor deste comentário esteja passando por uma situação como essa: “aquele ímpio anda de carro nove e melhor do que o meu”. O conselho de João, o Batista, é que estejamos contentes com o que temos e não aceitemos pechas, pois, sem Cristo, o ímpio não poderá receber a mesma recompensa que nós nem participará da mesma eternidade.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Comprar mais do que se pode pagar, comprometendo as finanças, é tolice.

III. É POSSÍVEL LIVRAR-SE DAS DÍVIDAS

1. Cuidado com seu cartão de crédito e com o cheque especial. Quem nunca "estourou" o limite no final do mês e não conseguiu cobrir todo o cartão de crédito e o cheque especial? É uma mal a que estamos sujeitos. O consumo mal planejado e a utilização do crédito de maneira descontrolada são fatores de desestabilização para a vida financeira de qualquer pessoa. É preciso aprender a consumir de maneira inteligente e utilizar o crédito de maneira consciente. São muitas as armadilhas postas para agarrar o incauto consumidor compulsivo. O cartão de crédito é, sem dúvida, o mais perigoso: estimula a comprar por impulso; quando somente o valor mínimo da fatura é pago, o juro que corre sobre a dívida é abusivo e torna a dívida, em pouco tempo, impagável. Sobre este saldo devedor em aberto são cobrados os encargos mensais e os juros remuneratórios costumam variar de 7% a 15% ao mês. Aqui começa a insônia do antes “feliz consumidor” que vê sua dívida se multiplicar com os juros sobre juros aumentando a dívida mês a mês de forma a torná-la impagável. Não devemos condenar o uso do cartão, mas sim, usá-lo com inteligência; usá-lo a nosso favor. O cartão é excelente para pagar contas mensais planejadas, como a despesa com gasolina, farmácia e supermercado. Bem utilizado, ele facilita nossa rotina, além do fator “segurança”, já que evita o uso do "dinheiro vivo". Não seja levado, ou guiado, por impulsos, pois Deus já nos concedeu um espírito de moderação e autocontrole: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Tm 1.7).
2. Vivendo de modo simples, porém tranquilo e santo. “[...] não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos;” (Rm 12.16). Este texto de Romanos aconselha aos crentes a estarem satisfeitos, tendo as coisas essenciais desta vida, como alimento, vestuário e teto. Certamente haverá necessidades financeiras específicas, e nesse caso, devemos confiar na providência divina (Sl 50.15), enquanto continuamos a trabalhar (2Ts 3.7,8), a ajudar os necessitados (2Co 8.2,3), e servir a Deus com contribuições generosas (2Co 8.3; 9.6,7). Também sugere que os crentes não devem ambicionar riquezas (vv. 9-11), já que no pensamento paulino, os ricos caem em muitas tentações. O Salmista também discorre sobre o ‘estar contentado’: ”SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim. Decerto, fiz calar e sossegar a minha alma; qual criança desmamada para com sua mãe, tal é a minha alma para comigo. Espere Israel no SENHOR, desde agora e para sempre” (Sl 131.1-3). O ensino do Novo testamento quanto ao acúmulo de riquezas é desencorajador. No original, riqueza é mamom (מָמוֹן), que significa literalmente ‘dinheiro’, um termo aramaico usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. O termo é pejorativo e faz referência a riquezas considerado-a como um objeto de culto e seu exercício ganancioso; à riqueza como um mal, mais ou menos personificado. Pessoas ávidas por dinheiro são aqueles que cultuam Mamom. Em Mt 6.19,24 apresentam-se à pessoa duas opções: um relacionamento com Deus ou com as riquezas. É por isso que muitos cristãos, apesar das aparências, não se enquadram no modelo apresentado pela Palavra de Deus. A avidez por acumular riquezas é tão envolvente que rapidamente passa a controlar a mente e a vida da pessoa, substituindo paulatinamente a glória de Deus (Lc 6.13). Para o mundo secular, sucesso e consumo são termos que definem o que se considera hoje uma vida próspera, pois o homem natural ignora que o “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10). Para os judeus contemporâneos de Jesus, o pensamento predominante era de que as riquezas constituíam um sinal do favor especial de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé e do desagrado de Deus; Jesus muitas vezes foi escarnecido por ser pobre! (Lc 16.14). Esse pensamento é rejeitado pelo Mestre nas seguintes passagens: Lc 6.20; 16.13 e 18.24,25. No pensamento cristão, as riquezas são empecilho tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22). Jesus advertiu-nos: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.”. Ato contínuo, o Senhor contou aos seus discípulos a parábola do rico insensato que julgava ter segurança por causa de suas muitas posses (Lc 12.16-21). Cristo não condenou a posse de riquezas materiais, mas fez questão de realçar a loucura de viver em função daquilo que perecerá.
3. Confie em Deus. Na condição de filhos, Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) bem como as bênçãos materiais. Deus abençoa a todos sem distinção de raça, cor, credo, condição financeira, condição física ou educação. (Lc 9.23). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e enormes os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate e rejeitais os necessitados na porta. Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau. Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o DEUS dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.” (Am 5.12-14). Neste mundo, onde há tanto ricos quanto pobres, freqüentemente os que têm abastança material tiram proveito dos que nada têm, explorando-os para que os seus lucros aumentem continuamente (ver Sl 10.2, 9,10; Is 3.14,15; Jr 2.34; Am 2.6,7; 5.12,13; Tg 2.6). A Bíblia tem muito a dizer a respeito de como os crentes devem tratar os pobres e necessitados. Ao revelar a sua Lei aos israelitas, mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a pobreza do meio do povo (ver Dt 15.7-11). Declarou-lhes, em seguida, o seu alvo global: “Somente para que entre ti não haja pobre; pois o SENHOR abundantemente te abençoará na terra que o SENHOR, teu DEUS, te dará por herança, para a possuíres” (Dt 15.4). O crente tem o dever de preocupar-se com o social, especialmente com os domésticos na fé (Gl 6.10) [Paulo de fato diz para ajudar “a todos.” Quando ele diz “especialmente” ou “principalmente” é com ênfase, mas não exclusividade]. Boa parte do ministério de JESUS foi dedicado aos pobres e desprivilegiados na sociedade judaica. Dos oprimidos, necessitados, samaritanos, leprosos e viúvas, ninguém mais se importava a não ser JESUS (cf. Lc 4.18,19; 21.1-4; Lc 17.11-19; Jo 4.1-42; Mt 8.2-4; Lc 17.11-19; Lc 7.11-15; 20.45-47). Ele condenava duramente os que se apegavam às possessões terrenas, e desconsideravam os pobres (Mc 10.17-25; Lc 6.24,25; 12.16-20; 16.13-15,19-31). Quantos de nós que, embora ricos espiritualmente, carecemos de bens materiais para a sobrevivência! Quantos irmãos nossos, co-herdeiros com Cristo, vivem em palafitas, ou estão desempregados? A estes não devemos fechar o coração, mas ajudá-los com alegria. É interessante e importante a palavra de Paulo quanto a este respeito em 1Tm 5.8: “se alguém não cuidar dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. A prosperidade legitima-se com a generosidade.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Com a ajuda de Deus, oração e sabedoria, podemos nos livrar das dívidas.

CONCLUSÃO
Deus deseja abençoar-nos, mas precisamos agir com sabedoria e sermos íntegros financeiramente. As bênçãos descritas em todo o Salmo 128 estão baseadas num elemento de adoração muitas vezes ignorado: o temor do Senhor (v.1). O crente precisa ser disciplinado na administração das suas finanças a fim de honrar os seus compromissos pois é conhecedor que sua infidelidade não prejudicará apenas a si, mas traz desonra ao Evangelho. O ato de comprar parece simples e prazeroso, e a mídia é cansativa para nos provar que isso é verdade, mas não é. Exige responsabilidade, planejamento e reflexão.
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Campina Grande, PB
Agosto de 2012,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere.


EXERCÍCIOS
1. Em relação à porção do Senhor, o que não nos pertence?
R. A décima parte do nosso salário.
2. Segundo a lição, o que é preciso fazer para ser bem-sucedido financeiramente?
R. É preciso ter disciplina e orçamento financeiro.
3. O que devemos fazer antes da adquirir algum bem?
R. Fazer as contas e pesquisar preço.
4. O que Paulo ensina sobre as riquezas?
R. Ele ensina que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Tm 6.9).
5. Você crê que com planejamento, responsabilidade, oração e confiança no Senhor suas crises financeiras podem ser controladas?
R. Resposta pessoal.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
TEXTOS UTILIZADOS:
 -. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas; Comentarista: Eliezer de Lira e Silva; CPAD; [Disponível no site:http://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2012/2012-03-09.htm].
[a] http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=d%C3%ADvida;
- BARNHILL, J. A. Antes que as Dívidas nos Separem: Respostas e cura para os conflitos financeiros em seu casamento. - 1.ed., RJ: CPAD, 2003.
- Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. 3.ed., RJ: CPAD, 2005.
- LIMA, E. R. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. 1.ed., RJ: CPAD, 2002;
OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995 por Life Publishers, Deerfield, Flórida-EUA. Estudo A PROVIDÊNCIA DIVINA (BEP - CPAD);
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. HUDSON, K. Criando os Filhos no Caminho de Deus: Um guia bíblico para pais cristãos. 1.ed., RJ: CPAD, 1997.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa




Superando os Traumas da Violência Social - Luciano de Paula Lourenço

Texto Básico: Genesis 6:5-12

A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência(Gn 6:11)
INTRODUÇÃO
A violência é o grande mal da humanidade. É resultante de uma vida impiedosa e destituída da presença de Deus. Suas raízes são profundas e remontam ao berço da humanidade. Nasceu no seio da primeira família e nunca mais parou de se estender impiedosamente a todos os seres racionais, haja vista que “violência gera violência”. Seus traumas são dramáticos e difíceis de serem suportados. Em nossos desditosos dias, a violência surge como o sol, dificilmente escapamos de sua presença. Ela está abrigada pela impunidade, porque as autoridades perderam a sua força, a sua moral, pelo mau exemplo que a cada dia nos chega ao conhecimento pelos meios de comunicação. O homem bom se torna prisioneiro em sua própria habitação e o perverso anda lisonjeiramente como que a zombar do infortúnio dos honestos e humildes, caracterizando-se assim um claro e preocupante paradoxo humanitário. Todo esse quadro, gera no homem insuportável aflição, desassossego, insônia, apatia, desânimo, ao ponto de muitos perderem a vontade de viver.  Nesse momento, surge uma grande e desesperadora interrogação: a quem recorrer? Quem pode se levantar em auxílio dos desesperados e aflitos? Olhando no plano horizontal, ou seja, buscando auxílio no homem, frustramo-nos e ficamos desolados. Até porque a Palavra de Deus nos afirma: “…vão é o socorro  do homem“(Sl 60:11). Resta-nos a única fonte capaz de não somente nos livrar da desgraça da violência, mas também nos proporcionar alívio quando ela nos acometer. Essa Fonte é Jesus Cristo(Deus Conosco - Mt 1:23)) e o Espírito Santo(o Sumo Consolador da Igreja - João 16:7,13). Superar os traumas da violência é um desafio e um exercício de fé em Deus. Que Ele nos ajude!
I. A VIOLÊNCIA IMPERA SOBRE A TERRA.
A violência é uma das consequências da queda do homem. E é lógico que há um interesse das “potestades” em intensificar cada vez mais a violência, pois ela é contrária aos princípios bíblicos e desnecessária na resolução de qualquer problema.
1. Origem da Violência. A palavra “violência” na Bíblia é “Hamas“, que significa, “injustiça, ser violento com, tratar violentamente”. A palavra é usada frequentemente como ideia de violência pecaminosa. É também sinônimo de extrema impiedade. Em Gn 6:11 lemos: “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência”. Neste texto, a associação feita entre “corrupção” e “violência” é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e também atrai a ira de Deus! A violência é fruto do pecado. Ela tem origem na queda do homem. Após a queda do homem no Éden, Caim, filho de Adão, matou Abel, seu próprio irmão. Lameque fez uma canção onde contou às suas duas mulheres os motivos pelos quais matou dois homens(Gn 4:23). Por causa do pecado, somos inclinados a resolver as coisas impondo nossa força, não raro, de forma brutal. Para que não façamos tal coisa, Deus permitiu aos homens criar leis que possam inibir a atitude violenta entre os próprios homens, de forma que o preço a ser pago por um ato violento seja reprimido de forma dura pela sociedade.
2. A multiplicação da violência. Nos dias que antecederam o dilúvio, a Terra encheu-se de violência, de forma que ficou insustentável a vida na Terra. O temor a Deus tinha quase desaparecido dos corações dos filhos dos homens. A libertinagem predominava, e quase todo o tipo de pecado era praticado. A maldade humana era aberta e ousada, e o lamento dos oprimidos alcançava os Céus. A justiça estava esmagada até o pó. Os fortes não somente usurpavam os direitos dos fracos, mas forçavam-nos a cometer atos de violência e crimes.  A Bíblia diz: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência. E viu Deus a Terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a Terra. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a Terra está cheia de violência; e eis que os destruirei com a Terra“(Gn 6:5,11-13). No versículo 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a multiplicação da violência. O resultado: “…os destruirei com a terra…“. Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar-lhe a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte eterna! Isso fica claro porque somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvas da grande catástrofe que veio sobre a humanidade! O fato de a Terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava pronto para agir. A punição tinha de ser drástica. O Gênero humano e a todas as demais vidas sobre a Terra seriam destruídos, no decorrer da duração do dilúvio. Antes do Juízo de Deus sobre os ímpios, Deus proveu a Salvação para os justos. Deus mandou que Noé fizesse uma Arca. Nela somente os justos poderiam adentrar e escapar do Juízo divino. Ninguém acreditou que isso iria acontecer, até que Deus tomou a decisão drástica de destruir os ímpios. A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade, a pornografia e a violência dominam a sociedade inteira(ver Mt 24:37-39; ver Rm 1:32). Não resta dúvida que Deus trará forte Juízo sobre todos aqueles que praticam a violência e a promove. A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem“(Mt 24:37).
3. A violência na sociedade atual. Na sociedade atual, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, conseqüentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre os homens, uma verdadeira “cultura da morte”. Na sociedade atual, multiplica-se o pecado e, com ele, multiplicam-se os problemas. Sem dar guarida a Deus e ao seu amor, a humanidade acaba correndo de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt 9:36), sem direção, sem qualquer orientação, o que faz com que surjam inúmeros problemas. Na sociedade atual está acontecendo um alto grau de ferocidade entre as pessoas. O próprio apóstolo Paulo, ao descrever os últimos dias, diz que seriam dias em que os homens seriam amantes de si mesmos, sem amor para com os bons (2Tm 3:2,3). Assim, são pessoas que só pensam em si próprios e cria condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível. Em virtude desta “ferocidade humana”, vivemos dias furiosos, ou seja, dias em que o individualismo, o egoísmo, a vileza com que o homem é tratado faz com que as pessoas se tornem desconfiadas, desacreditadas umas das outras, comportamento que prejudica todo e qualquer relacionamento. A consequência disto é a expansão do ódio, da raiva, da violência. As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados. Na sociedade atual, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos, objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias. Vivemos dias em que, mais do que nunca, como afirmava o filósofo inglês Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem” e toda a ferocidade humana é revelada ao seu próximo. Por isso, os homens são desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4).  Todos já ouviram falar do Bullying. É um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. Este procedimento violento é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade. Outro ambiente no qual tem se intensificado a violência é o Campo Agrário. Grupos desejosos de reformas agrárias usam a violência para impor suas perspectivas políticas, entrando em fazendas, destruindo plantações e matando animais. Também,nas cidades, traficantes buscam espaço em comunidades menos assistidas, impondo seus desígnios com sangue de inimigos e trabalhadores. Em fim, na sociedade atual, a violência contempla todos níveis sociais e culturais, desafiando quem quer que seja, sem vislumbre de uma solução tangível. Somente o Evangelho de Cristo é o remédio eficaz para debelar a violência sobre a Terra. Como embaixadora do Evangelho da Paz, a Igreja deve postar-se como a voz profética de Deus contra todos os tipos de violência. Até que o Senhor Jesus retorne, faz parte da missão da Igreja fazer deste um mundo menos violento, pregando o Evangelho, praticando a justiça e amparando os menos favorecidos.
II. VIOLÊNCIA UM PROBLEMA DE TODOS
1. Quando o crente é perseguido. A instituição chamada Igreja Cristã tem dois capítulos distintos em sua história: (1) de crescimento glorioso, de avanço destemido e de penetração ousada; (2) de sofrimento, de martírio, de sangue derramado. Mas, a violência física contra os cristãos ao longo de sua história não arrefeceu o seu avanço na busca do engrandecimento do Reino de Cristo. Satanás, então, muda de tática: ele aciona os seus ardis e tenciona ferir o cristão na sua alma, caráter e emoção. As perseguições mais danosas são a psicológica e o assédio moral. Fieis servos de Deus tem sido afrontados com assédio moral no trabalho, na faculdade, no colégio, por causa de seu caráter diferenciado, da sua postura moral e espiritual. É válido lembrar que o reino dos céus é prometido aos crentes que sofrem por fazer o que é correto. Sua integridade condena o mundo que desagrada a Deus, e, em consequencia disso, vem a hostilidade. Os ímpios odeiam uma vida justa, pois ela expõe a injustiça deles(Mt 5:10). O Senhor Jesus sabia que seus seguidores seriam injuriados por se associarem e serem leais a Ele. A história confirma isso. Desde o início, o mundo tem perseguido, prendido e matado os seguidores de Jesus. É bom saber que os maiores profetas de Deus foram perseguidos(por exemplo:Elias, Jeremias e Daniel), e isto nos conforta. O fato de estarmos sendo perseguidos prova que temos sido fiéis. No futuro, Deus recompensará os que usaram de fidelidade, ao recebê-los em seu Reino eterno, onde não haverá mais perseguição(ler Mt 5:11,12).
2. A ação do bom samaritano(Lc 10:30-37). Certa feita, Jesus contou uma parábola em que um samaritano socorreu um homem que foi vítima de roubo e violência física. A vítima do roubo(quase com certeza um judeu) ficou semimorto no caminho para Jericó. O sacerdote judaico e o levita se recusaram a ajudá-lo. Foi um samaritano desprezado que o acudiu, que aplicou os primeiros socorros, que levou a vítima para uma hospedaria e tomou providencias para o seu cuidado. Para o samaritano, um judeu necessitado foi o seu próximo. Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. É bom lembrar que nosso próximo é qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus nesta parábola, e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição. Amparar e cuidar das pessoas vítimas da violência, seja qual for a modalidade, é um dever da Igreja e um ato de amor cristão.
3. A Igreja deve denunciar a violência através de ações. Os cristãos são o sal da terra. Dois dos valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. A violência é a supuração da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e, ao mesmo tempo, militar contra a violência e a corrupção na sociedade. O exercício do amor através de gestos práticos, bem como a pregação do Evangelho são pilares inexoráveis de sustentação da paz e da harmonia em uma sociedade. Oxalá se todos os princípios do Evangelho fossem respeitados e absorvidos, jamais haveria violência; teríamos um ambiente perfeito para se viver. Isso vai acontecer um dia, a saber, no Reino Milenar de Cristo. O serviço cristão envolve atos pelos quais demonstremos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor, vítima de algum tipo de violência, oferecendo-lhe conforto espiritual, moral e emocional. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho; e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (ler Rm 12:13-21).
CONCLUSÃO
Qualquer um de nós pode ser vítima da violência. Mesmo servindo um Deus soberano e bondoso, podemos perder nosso ente querido vítima das maiores barbáries praticadas por aqueles que não têm o amor de Cristo no coração. Os traumas são fortes e cruentos, quando isso acontece. Superá-los é um tremendo desafio e, imprescindivelmente, a vítima precisa de apoio dos que lhe são queridos e da igreja. A oração e a leitura da Palavra de Deus jamais devem ser prescindidos nestes momentos cruentos. Saiba que somente Deus pode nos ajudar a superar os traumas e nos dar equilíbrio em nossa jornada. Uma coisa é certa: a herança do violento é ser perseguido pelo mal. Está escrito: “…o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado” (Sl 140:11). Oremos, pois, como Davi: “Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento”(Sl 140:1). Clamemos, também, a Deus para que o nosso país, nossa cidade, nosso bairro, nosso lar, tenha paz e harmonia, e que os governantes cumpram o seu dever com ações preventivas contra a violência -“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade“(1Tm 2:1,2).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com







A Morte para o Verdadeiro Cristão - Luciano de Paula Lourenço
Texto Básico: 1Co 15:51-57
“Porque para mim o viver e Cristo, e o morrer é ganho”(Fp 1:21)
INTRODUÇÃO
A Morte é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn 2:15-17; 3:19; Rm 5:12). É o pagamento indesejado que recebemos por ter pecado (Rm 6:23). É o fim para o qual caminhamos a passos largos (Ec 12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem em nosso encalço para, no inevitável dia do encontro, nos deixar prostrados (Lc 12:20). É o último inimigo a ser aniquilado(1Co 15:26). Contudo, para o verdadeiro cristão, a Morte é “lucro”. Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristoo que é incomparavelmente melhor(Fp 1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor: “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor“(2Co 5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor(2Co 5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso. Caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Aqueles que vivem sem essa garantia se desesperam na hora da morte. Na verdade, eles caminham para um lugar de trevas, e não para a cidade iluminada; caminham para um lugar de choro e ranger de dentes, e não para a festa das bodas do Cordeiro; caminham para o banimento eterno da presença de Deus, e não para o bendito lugar onde Deus armará seu “tabernáculo” para sempre conosco. O grande avivalista americano do século 19, Dwight L. Moody, na hora da morte, disse às pessoas que o cercavam: - Afasta-se a Terra, aproxima-se o Céu, estou entrando na glória. O médico e pastor galês, Martyn Lloyd-Jones, prolífico escritor, estadista do púlpito evangélico, depois de uma grande luta contra o câncer, disse para os seus familiares e paroquianos: - Por favor, não orem mais por minha cura, não me detenha da glória. Portanto, o verdadeiro cristão deve aprender a se comportar adequadamente diante da morte
I. O QUE É A MORTE
A Morte é, sem dúvida, um dos fatos que mais intrigam o ser humano. Registros de todas as comunidades humanas, em todas as épocas, mostram que o tema da morte é uma questão com a qual o ser humano sempre se depara, sem saber como dela cuidar. Esta perplexidade do ser humano diante deste tema é, aliás, mais uma demonstração de que a morte surge como um elemento intruso, inadequado e indevido na existência humana. A Bíblia mostra claramente que o homem não foi feito para morrer. O homem foi criado para ser imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26,27), um verdadeiro reflexo da divindade na criação e, por isso, a eternidade, que é um dos atributos divinos mais proeminentes (Gn 21:33; Dt 33:27), tinha de ser vista no ser humano, ainda que como uma eviternidade, ou seja, uma existência que tivesse princípio mas não tivesse fim. No entanto, a morte era uma possibilidade para o homem, pois o próprio Deus assim o quis, dizendo ao homem que a morte seria consequência da sua desobediência (Gn 2:17). O primeiro casal pecou e, como conseqüência do pecado, houve a inserção da morte na existência humana. Por isso, é dito que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23). Portanto, morte significa separação e, a partir do pecado, houve, de imediato, uma separação entre Deus e o homem. Esta separação deu-se logo naquele dia, quando o Senhor Se apresentou no jardim. A Bíblia diz-nos que o primeiro casal procurou fugir da presença de Deus (Gn 3:8), a demonstrar, pois, que não havia mais a comunhão entre Deus e o homem, que o pecado havia produzido a separação entre o Criador e a sua mais sublime criatura sobre a face da Terra (Is 59:2).
A MORTE deve ser vista sob três aspectos:
1. MORTE ESPIRITUAL. A morte espiritual é a separação entre Deus e o homem, é a ausência de comunhão entre Deus e o homem. É chamada de “morte espiritual” porque é o espírito humano que promove este elo de ligação entre Deus e o homem, daí porque se dizer que, quando o homem aceita a Cristo como seu Senhor e Salvador, há a vivificação do espírito (1Co 15:22), bem como que o homem, antes da salvação, está morto em seus delitos e pecados (Ef  2:1). Como consequência da morte espiritual, vemos que houve, também, uma morte moral do ser humano. Tendo sido descoberto por Deus na sua inútil tentativa de dEle se esconder, o homem é posto diante da presença do Senhor e vemos, então, não mais o ser que era a imagem e semelhança de Deus, cônscio de seus deveres e responsabilidades, cientes de seus direitos, mas alguém que não assume qualquer responsabilidade, que procura culpar o próximo, mesmo sendo a pessoa que tanto amava. Adão, diante do seu erro, tenta culpar sua mulher e esta, por sua vez, acusa a serpente.
2. MORTE FÍSICA. A Morte física foi a segunda espécie de morte que surgiu para o homem, morte esta que não escolhe idade nem tem uma causa certa ou predeterminada. Ainda que seja por causas várias, o fato é que ninguém escapa da morte física. Todos quantos nasceram sobre a Terra, morreram fisicamente, sejam ricos ou pobres, doutos ou indoutos, homens ou mulheres, fiéis ou infiéis. A morte física é inevitável, é o resultado de uma sentença dada por Deus a toda a humanidade, através do primeiro casal(Ec 9:5), algo que somente Cristo mudaria. Deus determinou que, por causa do pecado, passasse o ser humano a ter uma degeneração de seu corpo físico, até que ele se separasse do homem interior (alma e espírito), que é a morte física. O corpo, feito do pó da terra, teria de voltar a esta terra, voltar a ser pó, o que ocorreria no momento determinado por Deus, quando, então, ocorreria a separação entre o homem exterior e o homem interior.  Eis a sentença de Deus: “…maldita é a terra por causa de ti; […] No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás…” (Gn 3:17-19). É válido enfatizar que a morte física não estava projetada para o homem, não fazia parte do propósito divino, mas que é resultado do pecado, consequência do pecado. Assim, quando Deus apresentou o Seu plano da salvação, esta teria, necessariamente, de propiciar um mecanismo de erradicação da doença e da morte física. A salvação é o restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem, o retorno à condição originalmente prevista para o ser humano, demonstrando, desta maneira, tanto a fidelidade divina, quanto a Sua misericórdia.
3. MORTE ETERNA. Mas, além da morte espiritual e da morte física, a Bíblia fala-nos da Morte eterna ou “segunda morte” (Ap 20:14), que é a separação eterna de Deus, resultado da condenação no julgamento final, quando, então, aqueles que resolveram viver longe da presença de Deus, que recusaram o Seu senhorio em suas vidas, serão lançados no lago de fogo e de enxofre para todo o sempre, onde sofrerão eternamente juntamente com Satanás, a Besta, o Falso Profeta e todos os anjos caídos. Está escrito: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”(Ap 20:15). A eterna separação de Deus é o destino eterno dos incrédulos. É o que a Bíblia considera de segunda morte (Ap 20:14). Esta separação é definitiva e não representa aniquilamento ou fim da existência, mas uma separação eterna e irreversível de Deus. O pior da condenação é nunca mais ver a Deus
II. A VIDA APÓS A MORTE


As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte (Mateus 22:31-32; Lucas 16:19-31). O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa (veja Tiago 2:26). Algumas igrejas, seguindo doutrinas de homens, negam a existência do Inferno, mas a Bíblia mostra que todos serão julgados e separados: os justos para a vida eterna; e os ímpios para ocastigo eterno, separados de Deus para sempre (João 5:28-29; Mateus 25:41,46).
1.O que diz o Antigo Testamento. A idéia da imortalidade estava presente tanto na cultura grega quanto na cultura judaica. A morte é algo que vai contra o projeto original de Deus. E o homem, no recôndito de seu ser, não aceita a idéia da morte, de forma que não foi difícil a ele chegar à concepção de que a morte física não poderia ser o fim de tudo. No Antigo Testamento, a ideia de imortalidade estava presente entre os judeus. As Escrituras hebraicas contêm afirmações a respeito da imortalidade, da existência após a morte física, desde o seu primeiro escrito, que muitos entendem ter sido o livro de Jó, que teria sido escrito pelo próprio patriarca ou por Moisés, quando ainda estava entre os midianitas. Em Jó 19:25-27, o patriarca exclama que sabia que seu Redentor vivia e que por fim se levantaria sobre a Terra e que, depois de consumida a sua pele, ainda em sua carne veria a Deus. Por mais que se especule a respeito deste texto, por mais que se levantem questionamentos a respeito da passagem, não há como deixar de ver aqui uma noção de uma imortalidade, de uma existência depois da morte física (”depois de consumida minha pele”, diz o patriarca). Esta ideia das Escrituras hebraicas, que perpassará toda a revelação divina através do Antigo Testamento, sempre traz a ideia de uma nova existência após a morte física, mas com o mesmo corpo que foi consumido. “Ainda na minha carne, os meus próprios olhos, e não outros”, dizia o patriarca. Esta mesma crença, aliás, está presente em Marta, quando Jesus lhe indaga, em Betânia, se cria que seu irmão Lázaro haveria de ressuscitar (João 11:23,24).
2. O que diz o Novo Testamento. O Novo Testamento é bastante claro no que diz respeito à imortalidade da alma. Cito alguns textos que ativam a nossa percepção de que a alma sobrevive à morte (Lc 16:19-31; João 14:1-3; 2Co 5:8; Fp 1:23; 1Ts 4:16,17; Ap 6:9-11). Quando o apóstolo Paulo pensava em sua morte, ele afirmou: “…desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2Co 5:8). Ele também diz que seu desejo é “partir, e estar com Cristo…” (Fp 1.23). Jesus também disse ao ladrão que estava morrendo ao lado dele na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23:43). ObservaçãoO Paraíso ou “Seio de Abraão” (Lc 16:19;23:43) era um lugar intermediário de felicidade, em um dos lados do Hades (região dos mortos), onde antes as almas dos salvos aguardavam conscientes a ressurreição (Lc 16:26). Essa região do Hades existiu até o dia da ressurreição de Cristo, quando eles então ressuscitaram (Mt 27:52,53). O Hades tinha dois lados separados entre si por um abismo intransponível. O “Seio de Abraão” era separado do lugar de tormentos. Depois de Cristo, os crentes, quando morrem, vão direto para o Céu “estar com Cristo” (Fp 1:23; 2Co 5:8). Por outro lado, o lugar de tormentos do Hades ainda existe, e é aonde os não-salvos vão depois que morrem, para aguardar o Grande Trono Branco (Juízo Final), que acontecerá depois do Milênio, quando, então, irão de lá para o Inferno (lago de fogo e enxofre), juntamente com Satanás e seus anjos (Ap 20:5,11-15). Quando Jesus morreu, não foi ao Inferno, Ele foi ao Hades(Ef 4:9)), esteve no lado chamado “Seio de Abraão” e trouxe os salvos à ressurreição, e os levou ao Céu (Ef 4:9,10). Alguns segmentos cristãos, como, por exemplo, os adventistas do sétimo dia, acreditam que ao morrer o ser humano a sua alma fica num estado inconsciente, ou seja, ela apenas dorme, esperando a ressurreição do corpo. Dizem isso com base no texto bíblico de 1Tessalonicesses 4:13-15, quando Paulo se dirige aos cristãos Tessalonicenses, esclarecendo-lhes  acerca daqueles que morreram fisicamente - “não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem…”(1Ts 4:13). A expressão “dormiam” empregada por Paulo neste texto tem significado figurado, ou seja, não deve ser considerado do ponto-de-vista literal. Paulo utiliza-se da expressão “dormiam” precisamente para mostrar aos crentes de Tessalônica que a morte física para o crente era um estado de separação da comunidade - mas uma separação temporária, passageira -, assim como é a separação daquele que dorme dos seus familiares. Quando dormimos, separamo-nos daqueles com quem convivemos por um período de tempo, sem, no entanto, deixar de viver, sem que nem sequer deixemos de ter atividades psíquicas e mentais. Quando Paulo usa a expressão “dormiam”, em hipótese alguma estava dizendo que, quando uma pessoa morre, ela passa a ficar inconsciente, a ter um sono espiritual que somente terminará quando da volta de Cristo ou do julgamento final. Se Paulo estivesse dizendo isto, estaria contradizendo o próprio Jesus, que, ao relatar a história do rico e de Lázaro, mostra claramente que, após a morte, a pessoa mantém plenamente a sua consciência, sendo levada a um lugar(o Hades) onde aguardará ou a primeira ressurreição, ou a ressurreição do último dia (Ap 20:5,12 e 13). Outrossim, se Paulo estivesse dizendo que o ser humano, ao morrer, entra num estado de inconsciência, estaria contradizendo o próprio ministério de Jesus Cristo, que, ao se transfigurar, conversou e teve a companhia de Elias e de Moisés, tendo este último morrido fisicamente (Dt 34:5). Outrossim, se Paulo estivesse dizendo que o ser humano, ao morrer, entra num estado de inconsciência, estaria contradizendo o próprio Jesus Cristo que, quando indagado sobre a ressurreição, pelos saduceus, disse que Deus Se identificou a Moisés como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó porque era um Deus de vivos e não de mortos (Mc 12:27), acrescentando ainda que eles, saduceus, erravam muito por entenderem que a morte física era o fim de tudo. Vemos, portanto, que não há como se defender que a morte física é uma circunstância de inconsciência por parte do homem, até porque a morte física é tão somente a separação do corpo do homem interior, pois o que Deus sentenciou foi o retorno do pó à terra e o homem interior não veio do pó da terra, mas do fôlego de vida inserido no homem pelo próprio Deus (Gn 2:7). Também,  o texto de Lucas 16:19-31(”parábola” do rico e do Lázaro), refuta a doutrina do “sono da alma”, a doutrina de que a alma não é consciente entre a morte e a ressurreição. O certo é que quando Cristo ou Paulo dizia que um morto “dormia” estava usando uma metáfora, referindo-se ao sono do corpo, que irá ressuscitar e, portanto, quando morto, fica como se estivesse “dormindo”.
III. MORTE, O INÍCIO DA VIDA ETERNA A morte é, sem dúvida, um absurdo, porque não se encontra no plano original de Deus, mas ela não é o fim da existência,  muito pelo contrário, é apenas o início da eternidade.
1. Esperança, apesar do luto. Embora o salvo tenha grande esperança e alegria ao morrer, os demais que ficam não deixam de lamentar a partida dele. Sendo um ente querido, a dor é ainda maior, mesmo que essa pessoa não seja crente (o que, aliás, aumenta ainda mais a dor para o cristão, por saber que esta separação é definitiva). Quando Jacó faleceu, por exemplo, José lamentou profundamente a perda de seu pai. O que se deu com José ante a morte de seu pai é semelhante ao que acontece a todos os crentes, quando falece um seu ente querido(ver Gn 50:1). Mas, apesar do luto, há uma esperança. O apóstolo Paulo ao ensinar os cristãos de Tessalônica acerca da morte física não admitia que os crentes tessalonicenses a encarassem da mesma maneira que os demais que não tinham esperança, que não tinham a compreensão do significado da morte física para o salvo. Disse ele: “Não quero que sejais ignorantes acerca dos que já dormem para que não vos entristeçais como os demais, que não têm esperança” (1Ts 4:13). O apóstolo sabia que a tristeza era natural aos que ficavam vivos diante de uma morte. Não havia como deixar de sentir tristeza diante da separação de um irmão em Cristo, mormente numa igreja onde havia tanto amor fraternal como a de Tessalônica. Jamais se pode exigir de um crente que não sinta tristeza numa ocasião fúnebre, pois, além da tristeza própria de cada um, sentimos, em situações como esta, a tristeza de todos os que nos cercam, num ambiente que aumenta, ainda mais, a tristeza, tanto que Jesus, mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro, chorou diante do clima fúnebre quatro dias depois do sepultamento de Lázaro. Se Jesus chorou, quem somos nós para não nos entristecermos diante disto? Sentimos tristeza quando alguém querido se separa fisicamente de nós porque somos humanos e isto é perfeitamente natural, não residindo aí a diferença entre o crente e o ímpio. O apóstolo enfatiza que a tristeza do crente, embora natural e perfeitamente compreensível, não pode ter o mesmo sentido da tristeza do ímpio e é este sentido, este significado que faz a diferença entre uma e outra. “Não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança“. O crente fica triste quando alguém morre, mas não pode agir como os ímpios, que não têm esperança. A distinção entre a tristeza do crente e a tristeza do ímpio em ocasiões fúnebres está na esperança que tem o crente de que, além da morte física, existe uma eternidade de delícias com o Senhor, existe uma plenitude da vida eterna que já começamos a gozar aqui. O crente sabe que, com a morte física, há tão somente uma passagem para uma comunhão mais perfeita com o Senhor, é uma etapa a mais na caminhada rumo à glorificação, quando, então, no dia do arrebatamento da Igreja, tanto mortos quanto vivos, que agora são filhos de Deus, terão manifestado o que haverão de ser, pois, quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque assim como é O veremos (1João 3:2). Sabendo disso, temos conforto e consolo face à promessa de nos reunirmos, num corpo glorioso e transformado, com o Senhor naquele dia em que seremos glorificados. Portanto, quando estivermos diante de uma ocasião fúnebre de um servo do Senhor, não devemos nos desesperar, como é costumeiro ocorrer quando se trata da morte de ímpios ou da reação deles diante da morte de entes queridos, como estava acontecendo em Tessalônica, mas, pelo contrário, ainda que entristecidos, porque humanos somos, temos de nos consolar e nos confortar com a esperança que temos de que Jesus virá buscar a Sua igreja e que, vivos e mortos, serão reunidos nos ares e se encontrarão com o Senhor, para vivermos uma plenitude de comunhão com Ele. A morte física do crente, portanto, não é apenas um motivo de tristeza, mas uma fonte de esperança e de estímulo e incentivo em seguirmos ao Senhor até o fim com fidelidade e santidade.
2. A morte de Cristo e a certeza da vida eterna. A grande diferença entre a fé cristã e as demais crenças que o homem tem é o fato de que Deus provou a verdade do evangelho e do perdão dos pecados em Cristo Jesus por intermédio da morte e ressurreição de Jesus. O apóstolo Paulo disse que a fé cristã seria vã, seria vazia, não teria qualquer sentido se Cristo não tivesse ressuscitado(cf 1Co 15:14). O túmulo vazio é a principal e a irrefutável prova de que Cristo é a verdade, que Seu sacrifício foi aceito por Deus e tem poder para reconciliar a humanidade com o seu Criador. Jesus ressuscitou, ou seja, morreu mas reviveu, e reviveu num corpo glorioso, um corpo que não estava submetido às leis da natureza, tanto que ingressou em local onde as portas e janelas estavam fechadas no cenáculo em Jerusalém; desapareceu após abençoar o alimento em Emaús e subiu aos céus, desafiando a gravidade no monte das Oliveiras. A ressurreição de Cristo é a comprovação de que Deus irá, também, ressuscitar os crentes que tiverem morrido até o dia do arrebatamento da Igreja, pois Jesus prometeu que todos os Seus com Ele viveriam para sempre nas moradas celestiais que Ele haveria de preparar(cf João 14:1-3).
3. A morte: o desfrutar da vida eterna. A vida não consiste apenas do breve percurso entre o berço e a sepultura. Há uma dimensão transcendental na vida. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e temos uma alma imortal. Nossa vida não se milita apenas a este mundo. O sepulcro frio não é o nosso destino final. Nossa existência não se finda com a morte. O maior bandeirante do cristianismo, o apóstolo Paulo, disse que se a nossa esperança se limitar apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens(1Co 15:19). A crença de que somos apenas matéria, e de que tudo em nossa vida não passa de reações químicas, leva-nos ao desespero. A falsa compreensão de que não existe vida depois da morte, e de que a morte tem o poder de pôr fim à existência carimbada pelo sofrimento, tem levado muitos indivíduos  a saltar no abismo do suicídio em busca de um alívio ilusório. Na verdade, a morte não põe um ponto final na existência(Lc 16:22,23). Do outro lado da sepultura, há uma eternidade de gozo ou sofrimento, de bem-aventurança ou tormento. Depois da morte, há dois destinos eternos: Céu ou Inferno. Podemos descrer ou negar isso, mas não invalidar essa verdade.
CONCLUSÃO
“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos“(Salmo 116:15). A Morte do justo é de grande valor para Deus. É a ocasião em que é libertado de todo o mal, e levado vitoriosamente desta vida ao Céu. Para os salvos, a Morte não é o fim da vida, mas um novo começo. Neste caso, ela não é um terror (1Co 15:55-57), mas um meio de transição para uma vida plena de felicidade eterna. Para o salvo, morrer é ser liberto das aflições deste mundo (2Co 4:17) e do corpo terreno, para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5:1-5). Em fim, para o crente a Morte é a entrada da Paz (Is 57:1,2) e na glória (Sl 73:24); é ser levado pelos anjos “para o seio de Abraão” (Lc 16:22); é ir ao “Paraíso” (Lc 23:43); é ir à casa de nosso Pai, onde há “muitas moradas” (João 14:2); é uma partida bem-aventurada para estar “com Cristo” (Fp 1:23); é ir “habitar com o Senhor” (2Co 5:8); é um dormir em Cristo (1Co 15:18; cf João 11:11; 1Ts 4:13); ” é ganho…ainda muito melhor” (Fp 1:121,23); é a ocasião de receber a “coroa da justiça” (ler 2Tm 4:8).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 51.
Caramuru Afonso Francisco - A Vinda de Jesus e a Ressurreição dos santos.
Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço





A Enfermidade na Vida do Crente - Luciano de Paula Lourenço

Publicado em 2 de Julho de 2012 as 11:33:40 AM Comente
Texto Básico: Isaias 38:1-8

“O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama”(Sl 41:3 - ARA)
INTRODUÇÃO

Entre as aflições da vida, a enfermidade é a que mais temos dificuldade em aceitar. Lutamos tanto quanto podemos pra aliviar a dor. Os pesquisadores da área da saúde são incansáveis visando esse fim. Somos cônscios que a enfermidade é uma consequência do juízo divino sobre a humanidade, feita ao primeiro casal, por causa do pecado. Herdamos do primeiro casal a natureza pecaminosa e passamos a viver numa terra amaldiçoada em virtude da iniquidade(Gn 3:17). Nascidos à imagem e semelhança de Adão (Gn 5:3), concebidos em pecado (Sl 51:5), não temos como deixar de possuir um corpo que está marcado para morrer, como também uma natureza que, ao adquirir a consciência, nos leva a pecar contra Deus. Estamos destinados a morrer e, como tal, não temos como fugir da enfermidade. Pode ser que morramos por motivo outro que não a enfermidade, mas jamais podemos dizer que, por sermos cristãos, jamais ficaremos enfermos. Assim como o fato de sermos salvos não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença. A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor. A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (2Rs 13:14). Muitos insinuam em dizer que os crentes não podem adoecer, como é o caso dos “teólogos” da “teologia da prosperidade”. Segundo esses “teólogos”, quem fica doente não está reivindicando seus direitos como filho de Deus ou não tem fé. Que falácia! Tudo isso porque as suas mensagens visam agradar o ser humano e atendê-lo em suas necessidades restritas a essa vida, como saúde, prosperidade e bem-estar. O ensino bíblico, porém, é claro ao ensinar que muitas são as aflições do justo. Jesus cura os enfermos, este é um sinal de que venceu a morte e o inferno, de que é o Salvador do mundo, mas daí a se dizer que todo salvo não fica doente há uma grande distância. O fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim, como ainda estamos neste “corpo do pecado”, enquanto ainda temos um corpo corruptível, o corpo que está destinado ao pó, de onde foi formado, temos de conviver com a enfermidade. Ela pode aparecer como uma ocorrência em nossas vidas, ainda mais nos tempos trabalhosos em que vivemos, dias em que, apesar da multiplicação da ciência (Dn 12:4), surgiriam cada vez mais enfermidades (Mt 24:7). Todavia, quando o nosso corpo for revestido da incorruptibilidade aí sim, gozaremos para sempre uma vida de plena saúde. I. A ORIGEM DAS ENFERMIDADES

A enfermidade é algo que vem ao homem por causa da entrada do pecado no mundo, mas pode ser tanto um castigo divino, como uma oportunidade para a manifestação das obras de Deus, como resultado de negligência do homem no desempenho da sua mordomia em relação a seu corpo e a sua mente.

1. A queda e as enfermidades. A enfermidade física é um fato incontestável, e a Escritura afirma que o primeiro motivo deste terrível mal sobre a humanidade foi a queda de Adão e Eva. O propósito divino, que era, como vemos no relato da criação, o de manter uma comunhão com Deus e de, a partir desta comunhão, dominar sobre a criação terrena. Contudo, o homem não obedeceu a este propósito divino e pecou. Ao desobedecer a Deus, o homem perdeu este estado de equilíbrio, tanto que um dos juízos lançados por Deus sobre ele foi o da morte física: “…maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3:17,18,19). A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra, antes o local da realização do propósito divino para o homem, passou a ser um obstáculo para este mesmo ser humano. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem. A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. O homem passou a ter a natureza como um obstáculo, como um fator de empecilho, em vez de um complemento que só lhe trazia alegria e ajuda na sua sustentação (Gn 2:9). A natureza passou a colaborar com a perda da saúde, passou a ser um fator que contribuiria para a corrupção progressiva e constante do corpo humano. Daí termos o fato de a natureza ter seres que, para o homem, são geradores de doenças, os chamados “agentes patogênicos”. Isto é resultado da sentença divina sobre o homem, por causa da “queda”, algo que somente será modificado depois que a natureza for redimida (Rm 8:1923), o que ocorrerá apenas por ocasião do reino milenial de Cristo (Is 11:6; 65:25). Como se não bastasse o fato de a natureza passar a colaborar para a degeneração do homem, temos que o próprio organismo humano, por si só, após o pecado, haveria de iniciar sua marcha para a sua extinção. Como resultado do pecado, o corpo humano passou a sofrer de uma degeneração contínua, independentemente da ação de “agentes patogênicos”, porque o Senhor estabeleceu que o homem deveria tornar ao pó (morrer), ou seja, que o corpo tenderia a se desfazer, a deixar de existir enquanto tal. Assim, podemos afirmar que a doença e a morte física não estavam projetadas para o homem, não faziam parte do propósito divino, mas que são resultado do pecado, consequências da queda do homem.

2. Provados pelas enfermidades. A Bíblia está repleta de exemplos em que doenças foram utilizadas para julgamento de nações e de povos, como a quinta praga lançada sobre o Egito, a praga das úlceras (Ex.9:812); a lepra, que, durante toda a história do povo hebreu, sempre esteve vinculada a uma maldição ou juízo divinos - como nos casos de Miriã (Nm 12:10), de Geazi (2Rs 5:27), e do rei Uzias (2Rs 15:5); e as doenças que acometeram tanto um rei fiel como Asa, mas que havia entristecido o Senhor ao perseguir um profeta(2Cr 16:9,10,12), e o rei Ezequias (2Rs 20:1-11), como um rei infiel, como o rei Jeorão de Judá (2Cr 21:18,19). Mas, também, não podemos nos esquecer que, por vezes, a doença foi impingida por Deus não por causa de algum pecado, mas com outros objetivos, como a retidão e sinceridade de alguém - como no caso de Jó(Jó 1:1-22), Timóteo(1Tm 5:23), Trófimo(2Tm 4:20), Paulo (2Co 12:7) - ou, mesmo, para a manifestação das obras de Deus - como no caso do cego de nascença (João 9:13). Se o problema da doença não for de pecado, mas de manifestação da obra de Deus, devemos aguardar que o Senhor faça a Sua obra, o que poderá ocorrer tanto na cura quanto na morte física. Devemos ter a resignação como conduta, pedindo a Deus misericórdia para suportar o sofrimento e intensificando a nossa comunhão com Ele. Estejamos certos que, se se trata de uma provação divina, ela é para o nosso bem, para melhorar nossa condição diante do Senhor (Rm 8:28). As dores, o incômodo, o sofrimento não são fáceis, mas peçamos ao Senhor que tenha misericórdia de nós, que nos console e conforte para que o Seu propósito seja cumprido. Jó assim procedeu e, antes de ser sarado pelo Senhor, testemunhou que todos os pesadelos, todas as dores, todo o sofrimento atroz de sua enfermidade física lhe havia proporcionado uma maior intimidade com Deus (Jó 42:1-6).

3. Enfermidades de origem malignas. Existem enfermidades cuja origem é maligna. Todavia, jamais um servo de Deus será atingido por doença dessa procedência sem a permissão de Deus(Jó 2:6). No Novo Testamento é citado alguns casos de enfermidades de origem espiritual maligna. Cito apenas dois exemplos: (a) O caso do menino lunático(grego:“seleniázomai” - indicava crise muito parecida com a epilepsia) -“E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. […] Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado“ (Mt 17:14-18). (b) O caso do homem mudo - “De outra feita, estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiravam” (Lc 11:14).

É importante fazer os seguintes esclarecimentos: a) Nem todo ataque epilético é de origem demoníaca. A ciência já descobriu que eles são provocados por uma espécie de curto circuito no cérebro. Creio que a maioria deles é de origem física. Portanto, não se pode sair expulsando demônios de quem sofre ataques epiléticos. Você a ajudará mais a encaminhando a um médico especialista que a submeta a um exame adequado. b) Nem toda pessoa muda é por influência demoníaca. A maioria é pelo simples fato de serem surdos. Por não poderem ouvir não tem como prender os sons das palavras e, portanto, não podem emitir sons inteligíveis. Por isso, jamais se deve cometer o erro de querer expulsar demônios de tudo que é mudo que aparecer na sua frente! É necessário que tenhamos discernimento espiritual para diferenciar o que é e o que não é enfermidade de origem demoníaca. Não se pode atribuir todas as mazelas de uma pessoa a uma ação direta dos demônios. Mesmo o cristão mais espiritual está sujeito a ficar enfermo fisicamente. Temos claros exemplos disto tanto na Bíblia como na história da igreja. É bom ressaltar que por ser habitação permanente do Espírito Santo de Deus, nenhum cristão pode sofrer o que vimos nos exemplos bíblicos citados. Ou seja, um demônio não pode entrar num cristão verdadeiro provocando ataques e atirando-o ao chão, provocar mudez ou outra enfermidade.

II. AS DOENÇAS DA VIDA MODERNA

As doenças originaram-se da queda do homem no Éden. Antes do pecado, não havia enfermidades, desgastes, envelhecimento e morte, mas a desobediência de nossos primeiros pais trouxe medo, moléstias, deterioração e morte (Gn 3:10,17-19). A primeira enfermidade foi de ordem emocional. A Bíblia sustenta que Adão e Eva, ao pecarem, sentiram medo (Gn 3:8-10). Depois, certamente sobrevieram-lhes as demais sequelas emocionais, psicológicas e físicas. É do pecado, como estado e como ato, que procedem todas as doenças. Muitas são as doenças da vida moderna, mas citaremos apenas três, acompanhando a indicação do comentarista da lição em foco.



1. Depressão. É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. Ela é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém. Devemos ter cuidado para não associar a depressão com pecado, o que costuma acontecer em muitas igrejas. Os crentes, como todo mundo, estão expostos a essa doença(Sl 42:3-6,11; 2Co 1:8), e a depressão pode ter causas variadas. Essa doença, dependendo do caso, pode ser tratada tanto com medicação quanto por meio de terapia e aconselhamento. Não podemos descartar a possibilidade de uma cura divina, e, quando necessário, atentar para a necessidade de uma intervenção médica (Mt 9:12). Muitas são as causas da depressão. Apesar de muitas pesquisas nessa área, os cientistas ainda não sabem se são os pensamentos depressivos que provocam alterações bioquímicas ou é um desequilíbrio químico no cérebro que provoca a depressão. Ela pode ser causada pela maneira como se vive no trabalho, no lar, na escola. O emprego que não oferece recompensa, mas não pode ser deixado porque não há outro em vista; muita tensão de horários e prazos; tensão doméstica, econômica, déficit de sono, pouco exercício físico, problemas pessoais, problemas de criação, problemas na infância, problemas de relacionamento, distância de Deus, a meia-idade (difícil para o homem, ainda mais difícil para a mulher), desapontamentos, enfermidade, efeitos colaterais de determinados medicamentos, rejeição, alimentação inadequada, efeito de entorpecentes, perda de emprego, perda de posição, perda de pessoas queridas por morte, divórcio, abandono etc., etc. Outras causas não têm sentido aparente, porém, na verdade, são provocadas por um desequilíbrio interno, como desordens glandulares ou hipoglicemia. Como se vê, as causas da depressão podem ser as mais diversas, inclusive não podemos descartar os casos hereditários. Há pessoas que, ao que tudo indica, têm alguma propensão, vinda dos seus pais, para desenvolver esse tipo doença. Mas, na maioria das vezes, a causa da depressão é cultural, isto é, depende do estilo de vida no qual as pessoas se integram e a que são expostos. Na Bíblia, encontramos vários homens de Deus que enfrentaram a depressão. As causa foram as mais diversas. Dentre eles destacamos: Elias, o tesbita (1Reis 19:1-4); Jó (Jó 3:11; 6:11; 17:1); Abraão (Gn 15); Jonas (Jn 4); Saul (1Sm 16:14-23); Davi (Sl 13:1-3;57:6,7) e Jeremias (Jr 9). Quando a depressão chega, costumamos reagir através da fuga, como fez Moisés (Ex 2:15) e o próprio Elias (1Rs 19:3,4). A verdade é que a depressão é uma condição da qual Satanás se aproveita para tornar o povo de Deus inútil para a Obra do Mestre. Entende o cristão deprimido que Deus dá perdão, mas não o experimentou ou acha que não foi salvo ou que perdeu a salvação (coisa que a Bíblia não ensina), ou ainda que cometeu o pecado imperdoável (sem saber defini-lo). Satã ataca o cristão com o cansaço que deprime, e, assim, vem o sentimento de fraqueza, ansiedade e medo. Medo da morte, medo do amanhã, medo de gente, medo de coisas específicas, e medos mal definidos também. Mesmo em momentos de depressão, os servos de Deus podem contar com o seu cuidado proteção e orientação. Deus não só habita no alto e santo lugar, mas também com o contrito e quebrantado de coração (Is 57:15). Jeová jamais deixaria só seus filhos no quarto escuro e solitário da depressão espiritual. O hino 193 da harpa cristã de Paulo Leivas Macalão traz a confiança inabalável em Deus oriunda do usufruto de Sua presença apesar da depressão: “Ele intercede por ti, minh’alma; Espera Nele, com fé e calma; Jesus de todos teus males salva, E te abençoa dos altos céus“. Foi a intercessão de Jesus por Pedro, quando este lhe negou por três vezes, que o sustentou em seu choro de amargura e desespero: “Eu, porém, roguei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22:32a). O salmista com veemência exclamou: “Por que estás abatida, ó minha alma? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42:5). Fica claro que a cura da depressão espiritual se centraliza em Deus. Fica claro também que todos os grandes homens de Deus que caíram em depressão correram para o trono da graça a fim de obterem socorro em ocasião oportuna. Quando esta força de buscar o trono era inexistente, o Senhor ia ao encontro dos seus filhos, como no caso de Pedro e especificamente no caso de Elias. Glórias a Deus!!

2. Síndrome do pânico (crise ansiosa aguda). A síndrome do pânico “é uma condição mental que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Pode ser controlado com medicação e psicoterapia. É importante ressaltar que um ataque de pânico pode não constituir doença (se isolado) ou ser secundário a outro transtorno mental”(fonte: Wikipédia). A insegurança nos grandes centros urbanos tem fomentado a síndrome do pânico e outras desordens mentais. O tratamento do transtorno do pânico inclui medicamentos e psicoterapia, além de muita oração, apoio da família e da igreja. Além do tratamento médico - que é válido e necessário -, aqueles que cristãos dizem ser devem se conscientizar que a saúde envolve a mente, esta faculdade que não é do corpo, mas, sim, da alma. Depende, portanto, de cada um de nós permitir que o Espírito Santo habite em nós, para que venhamos a conhecer as coisas de Deus e, assim, ter a “mente de Cristo”. Sem a “mente de Cristo”, jamais teremos saúde mental. Sem o Espírito de Deus, estaremos sujeitos a sermos cegados em nosso entendimento pelo adversário de nossas almas, cujos ardis não podemos ignorar (2Co 2:11). Precisamos ter uma vida de santidade, de comunhão com Deus, precisamos buscar a Deus para não permitir que a nossa mente venha a ser enganada pelo inimigo. Para termos a “mente de Cristo”, é indispensável que meditemos na Palavra do Senhor de dia e de noite (Sl 1:1,2). É fundamental que não permitamos que os nossos olhos sejam a porta de entrada daquilo que não agrada a Deus (Mt 5:22,23). Se vigiarmos para que os nossos sentidos físicos não sejam utilizados para levar à nossa mente aquilo que não é agradável ao Senhor, certamente estaremos preparando terreno para que o Espírito possa atuar em nossa mente e, assim, tenhamos a “mente de Cristo”, tudo discernindo espiritualmente e evitando ser apanhados nos embaraços e laços que o adversário sempre está a pôr diante de nós. A saúde mental exige que tenhamos a “mente de Cristo”. Sem ela, cairemos na mesma “onda” dos incrédulos, correndo de um lado para outro, cegos pecadores, que nada enxergam por causa de seu pecado (Is 59:10; Sf 1:17), o que redundará em problemas psíquicos, que podem até gerar doenças psicossomáticas. As síndromes de pânico e demais enfermidades mentais, tão corriqueiras nos dias de hoje, relacionadas estão quase sempre com esta falta da “mente de Cristo”. Que tenhamos saúde mental nos submetendo ao Senhor e nEle pensando a todo instante!

3. As doenças psicossomáticas. O aumento do pecado no mundo é, sem dúvida, o principal motivo para a intensificação dos problemas psíquicos, das enfermidades mentais. Os tempos trabalhosos são tempos de desamor, de egoísmo, de crueldade, de ingratidão, de falta de afeto natural. O individualismo e egoísmo crescentes levam à completa desconsideração do próximo, levam a um progressivo e contínuo isolamento das pessoas, a uma desconfiança cada vez maior. Tudo isto abala a estrutura psíquica do ser humano. Os dias de hoje são dias de crueldade, de egoísmo, em que as pessoas temem relacionar-se com outras (muitas vezes face à exorbitante violência que tem pairado sobre a sociedade, independente de posição social), medo este que já está se tornando pavor diante da crueldade e da ingratidão reinantes. Neste isolamento de tudo e de todos, os homens angustiam-se, entram em depressão, recorrendo a subterfúgios que somente aumentam ainda mais as suas carências. O uso de drogas para se fugir da realidade e se alcançar a alegria momentânea, a procura das riquezas para se fazer reconhecido e respeitado no meio social, o uso da tecnologia para a criação de mundos virtuais, tudo tem sido vão na solução deste impasse, nesta incessante e incansável investigação para se obter o equilíbrio mental e psíquico, algo que somente se obtém mediante o restabelecimento da comunhão com Deus, o que se faz somente por intermédio de Jesus Cristo.

Fatores que contribuem para doenças psicossomáticas.

a) Competitividade excessiva. O mundo moderno é extremamente competitivo, razão pela qual grande parte das pessoas é ansiosa. A Bíblia nos recomenda “descansar no Senhor” (Sl 37:5,7; Mt 6:30-34).

b) Luta pelo sucesso profissional. A falta de preparo profissional, o desemprego e a obtenção de um bom desempenho profissional, levam muitos a ficarem frustrados. O crente em Jesus não se desespera, mas confia no Senhor (Sl 55:22; 1Pe 5:7).

c) Estresse. O estresse ocasional não causa neuroses ou outro tipo de doença da mente. Entretanto, o estresse constante tende a desenvolver enfermidades mais graves. Por isso, a Bíblia ensina que não devemos andar ansiosos (Mt 6:25), e que nossas ansiedades devem ser lançadas sobre o Senhor (1Pe 5:5-7). Nesse sentido, a igreja deve ser instruída à luz da Palavra e da ciência social, pois, conforme nos ensina a Bíblia, devemos entregar o nosso caminho ao Senhor; confiar nele, e Ele tudo fará (Sl 37:5; Mt 6:33).

III. O QUE FAZER DIANTE DA DOR E SOFRIMENTO

1. Não culpar ou questionar a Deus. Querer questionar a Deus a cerca de dificuldades que passamos - quer seja ela de natureza física, emocional ou social -, é fruto da ignorância, da falta de conhecimento acerca de Deus. O silêncio de Deus às vezes é muito doloroso, quando necessitamos de um socorro imediato. Porém, temos apenas de demonstrar a nossa pequenez e a necessidade de estarmos na nossa humilde posição de servos do Senhor. Aconteceu com Jó. Após os longos discursos de Eliú, antes que Jó pudesse oferecer alguma resposta (se é que iria oferecer alguma), o debate é interrompido pelo Senhor que, de dentro de um redemoinho, inicia um diálogo direto com o patriarca. Era o final do silêncio de Deus de que o patriarca tanto reclamara durante a discussão com seus amigos, mas Deus, em vez de respostas, traria perguntas ao patriarca. Deus Se apresenta ao patriarca e inicia seu discurso com uma pergunta: “quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? “(Jó 38:2). Em outras palavras, quem é que quer ter o direito de dizer o que Deus deve ou não fazer? Quem é aquele que está indignado por causa de seu sofrimento e se sente um injustiçado? Quem é aquele que quer que Deus lhe dê satisfação, lhe preste contas do que está fazendo na sua vida? Será que o Senhor também não nos está fazendo esta mesma indagação? Será que temos nos colocado no nosso devido lugar de servos, de pessoas dispostas a obedecer e a fazer o que o Senhor nos manda? Ou será que estamos como Jó, que, apesar de ser o homem mais excelente na terra no seu tempo (como é a Igreja do Senhor na atualidade), não deixou de ser homem e, como tal, não tinha o direito de querer questionar Deus ou querer que Ele lhe prestasse contas do que estava fazendo em sua vida? Deus mostrou a Jó que, apesar de sua excelência e de ser, efetivamente, uma pessoa inocente, não tinha o direito de querer demandar com Deus, de arguir-Lhe num tribunal, como tinha desejado (Cf. Jó 7:20,21; 10:2-22;13:3,14-28; 23:1-17). Portanto, quando estivermos passando por dificuldades não devemos culpar ou questionar a Deus. Devemos, sim, questionarmos a nós mesmos, se estamos andando conforme a sua vontade.

2. Confiar em meio à dor. Jamais conseguiremos entender e discernir os desígnios e propósitos do Senhor. Não é esta a nossa função, mas, sim, confiarmos no Senhor e entregarmos nosso caminho a Ele, sabendo que Ele tudo fará e que este tudo sempre promoverá o nosso benefício (Sl 37:5; Rm 8:28). 3. A espera de um milagre. A promessa da cura divina é uma realidade para os nossos dias. É algo destinado aos que crêem. É uma realidade atual e indispensável para que demonstremos a presença de Deus no meio da Igreja, para que o nome do Senhor seja glorificado. A cura poderá ocorrer de forma milagrosa ou por meio dos recursos da medicina. Uma pessoa pode ser vitima de câncer e estar desenganada pelos médicos, e Deus restaurar sua saúde através da ministração de determinados medicamentos ou realização de cirurgia. Mas não devemos nos esquecer de que nem sempre Jesus cura, pois a cura tem propósitos que não se confundem com a nossa vontade ou com os nossos caprichos. Por isso é importante sabermos o porquê alguém está doente, a fim de que compreendamos qual o propósito do Senhor nesta doença. Uma vez tendo compreendido isto, o que nem sempre será o enfermo que conseguirá entender sozinho, pois, muitas vezes, necessitará do auxílio dos servos de Deus neste discernimento, então deve-se clamar a Deus para que a sua vontade seja feita, bem compreendendo que a cura virá se este for o propósito divino naquele caso. O rei Ezequias havia sido informado pelo profeta de que iria morrer, mas essa era apenas uma forma de Deus desenvolver a sua fé. Após sua oração, ele recebeu de Deus mais quinze anos de vida(Is 38:1-22; 2Rs 20:1-11).

CONCLUSÃO

Um dia não haverá mais doenças nem morte (Ap 21:4). Porém, enquanto estamos aqui, devemos zelar pela nossa saúde física, mental e emocional. Precisamos lembrar que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, por isso, temos de cuidar de nossa saúde por meio de uma alimentação correta, repouso adequado, exercícios físicos, jejum e oração. No sofrimento, lembre-se de que Jesus nos alertou quanto às aflições (João 16:33). Aguarde com alegria aquele ditoso tempo, quando Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Ap 21:4).
——
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Caramuru Afonso Francisco - Saúde física e mental.
Caramuru Afonso Francisco - A promessa da cura divina.

No Mundo Tereis Aflições - Ev. Luiz Henrique
Publicado em 29 de Junho de 2012 as 11:03:08 AM Comente
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva



TEXTO ÁUREO

Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33).



VERDADE PRÁTICA

Mesmo sofrendo as consequências da queda, sabemos que DEUS está no controle de todas as coisas.



LEITURA DIÁRIA

Segunda - Jo 16.33 No mundo teremos aflições

Terça - Rm 8.22 O sofrimento da criação

Quarta - Mt 9.32 Sofrimentos de ordem espiritual



Quinta - Gn 3.16-19; Rm 5.12 Sofrimentos de ordem pecaminosa

Sexta - Gn 6.1-12 A corrupção do gênero humano

Sábado - 1 Co 15.35-58 Esperamos a plena glorificação



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 16.20,21,25-33

João 16.20 Na verdade, na verdade vos digo que vós chorastes e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria. 21 A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já se não lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.



João 16.25 Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. 26 Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai, 27 pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de DEUS. 28 Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai. 29 Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que, agora, falas abertamente e não dizes parábola alguma. 30 Agora, conhecemos que sabes tudo e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso, cremos que saíste de DEUS. 31 Respondeu-lhes JESUS: Credes, agora? 32 Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só, mas não estou só, porque o Pai está comigo. 33 Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.



Jo 16.27 - O MESMO PAI VOS AMA. O Pai ama todas as pessoas (3.16). Mas também é verdade que Ele tem um amor familiar especial àqueles que, por meio de JESUS, estão reconciliados com Ele e o amam e permanecem leais a Ele em meio às tribulações deste mundo (v. 33). Nosso amor a JESUS leva o Pai a nos amar. Amor corresponde ao amor.
Salmos 34.19 MUITAS SÃO AS AFLIÇÕES DO JUSTO. No AT DEUS promete bênçãos e prosperidade a quem obedece à sua Lei. Mesmo assim, de par com esta promessa está a realidade que Muitas são as aflições do justo (ver Hb 11.33-38; 12.5-10).

Crer em DEUS e viver em retidão não nos isenta de problemas e sofrimentos nesta vida. Pelo contrário, a dedicação a DEUS amiúde nos traz provações e sofrimentos (ver Mt 5.10). Está dito da parte de DEUS que por muitas tribulações devemos entrar no seu Reino (At 14.22; cf. 1 Co 15.19; 2 Tm 3.12). O sofrimento dos justos é atenuado pela revelação que o Senhor quer nos livrar de toda as nossas aflições. Uma vez cumprido o seu propósito ao permitir a aflição, Ele passa a nos livrar dela, ou pela intervenção sobrenatural direta nesta vida (cf. Hb 11.33-35) ou pela morte triunfante e o ingresso na vida futura (cf. Hb 11.35-37)
Mt 5.10 - 5.10 PERSEGUIDOS POR CAUSA DA JUSTIÇA. Todos que procuram viver de acordo com a Palavra de DEUS, por amor à justiça sofrerão perseguição.

(1) Aqueles que conservam os padrões divinos da verdade, da justiça e da pureza e que, ao mesmo tempo, se recusam a transigir com a presente sociedade pecaminosa e com o modo de vida dos crentes mornos (Ap 2; 3.1-4,14-22) sofrerão impopularidade, rejeição e críticas. O mundo lhes moverá perseguição e oposição (10.22; 24.9; Jo 15.19) e, às vezes, da parte de membros da igreja professa (At 20.28-31; 2 Co 11.3-15; 2 Tm 1.15; 3.8-14; 4.16). Ao experimentar tal sofrimento, o cristão deve regozijar-se (5.12), porque DEUS outorga a maior bênção àqueles que sofrem mais (2 Co 1.5; 2 Tm 2.12; 1 Pe 1.7; 4.13).

(2) O cristão deve precaver-se da tentação de transigir quanto à vontade de DEUS, a fim de evitar a vergonha, a ridicularização, o constrangimento, ou algum prejuízo (10.33; Mc 8.38; Lc 9.26; 2 Tm 2.12). Os princípios do reino de DEUS nunca mudam: Todos os que piamente querem viver em CRISTO JESUS padecerão perseguições (2 Tm 3.12). A promessa aos que enfrentam e suportam perseguições por causa da justiça é que dos tais é o reino dos céus.
Rm 8.18 AS AFLIÇÕES DESTE TEMPO PRESENTE. Todos os sofrimentos do momento enfermidade, dor, calamidade, decepções, pobreza, maus-tratos, tristeza, perseguição e todos os tipos de aflição devem ser considerados insignificantes ante a bênção, os privilégios e a glória que serão concedidos ao crente fiel, na era vindoura (cf. 2 Co 4.17).
Rm 8.8.22 TODA A CRIAÇÃO GEME. Nos versículos 22-27, Paulo fala de três gemidos diferentes: o da criação (v. 22), o dos crentes (v. 23) e o do ESPÍRITO SANTO (v. 26). A “criação” (i.e., a natureza animada e inanimada) tornou-se sujeita ao sofrimento e às catástrofes físicas, por causa do pecado humano (v. 20). DEUS, portanto, determinou que a própria natureza será redimida e recriada. Haverá novo céu e nova terra; uma restauração de todas as coisas, segundo a vontade de DEUS (cf. 2 Co 5.17; Gl 6.15; Ap 21.1,5), quando, então, os fiéis servos de DEUS receberão sua plena herança (vv. 14,23)
Rm 8.8.23 TAMBÉM GEMEMOS. Embora os crentes possuam o ESPÍRITO e as suas bênçãos, eles também gemem no íntimo, ansiando por sua plena redenção. Gemem por duas razões.

(1) Os crentes, por viverem num mundo pecaminoso que entristece o seu espírito, continuam experimentando a imperfeição, a dor e a tristeza. Os gemidos do crente expressam a sua profunda tristeza sentida ante essas circunstâncias (cf. 2 Co 5.2-4).

(2) Gemem ao suspirar por sua redenção total e pela plenitude do ESPÍRITO SANTO que serão outorgadas na ressurreição. Gemem pela glória a lhes ser revelada e pelos privilégios da plena filiação celestial (cf. 2 Co 5.2,4).
Rm 5.12 POR UM HOMEM ENTROU O PECADO NO MUNDO. Através da transgressão e queda de Adão, o pecado como princípio ou poder ativo conseguiu penetrar na raça humana (vv. 17,19; Gn 3; 1 Co 15.21,22).

(1) Duas conseqüências decorrem disso:

(a) O pecado e a corrupção penetraram no coração e na vida de Adão; e

(b) Adão transmitiu o pecado ao gênero humano, corrompendo todas as pessoas nascidas a partir de então. Todos os seres humanos passaram a nascer propensos ao pecado e ao mal (v. 19; 1.21; 7.24; Gn 6.5,12; 8.21; Sl 14.1-3; Jr 17.9; Mc 7.21,22; 1 Co 2.14; Gl 5.19-21; Ef 2.1-3; Cl 1.21; 1 Jo 5.19).

(2) Paulo não explica como o pecado de Adão é transmitido aos seus descendentes. Nem diz que toda a humanidade estava presente em Adão e
que assim ela participou do seu pecado e por isso herda a sua culpa. Paulo não diz, em nenhum lugar, que Adão foi o cabeça coletivo dos seus descendentes, nem que o pecado de Adão foi-lhes imputado. Todos são culpados diante de DEUS por causa dos seus próprios pecados pessoais, porque “todos pecaram” (v. 12). O único ensino no tocante a isso, que tem apoio bíblico, é que homens e mulheres herdam uma natureza moral corrupta, bem como a propensão para o pecado e o mal (ver 6.1).

(3) A morte entrou no mundo através do pecado e por isso todos estão sujeitos à morte, “por isso que todos pecaram” (vv. 12,14; cf. 3.23; Gn 2.17; 3.19)
Rm 5.14 A MORTE REINOU DESDE ADÃO ATÉ MOISÉS. A raça humana experimentou a morte, não porque transgrediu a lei oral de DEUS, com sua pena de morte, como no caso de Adão (vv. 13,14), mas porque os seres humanos realmente eram pecadores pela prática, bem como pela sua natureza e transgrediram a lei da consciência, escrita nos seus corações (2.14,15)
Gn 6.2 OS FILHOS DE DEUS. Esses filhos de DEUS , sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14.1; Sl 73.15; Os 1.10); eles deram início aos casamentos mistos com as filhas dos homens , i.e., mulheres da família ímpia de Caim (ver 4.16). A teoria de que os filhos de DEUS eram anjos, não subsiste ante as palavras de JESUS, que os anjos não se casam (Mt 22.30; Mc 12.25). Essa união entre os justos e os ímpios levou à maldade do versículo 5, i.e., os justos passaram a uma vivência iníqua. Como resultado, a terra corrompeu-se e encheu-se de violência (vv. 11-13)
Gn 6.5 A MALDADE DO HOMEM SE MUL-TIPLICARA. Nos dias de Noé, o pecado abertamente se manifestava no ser humano, de duas principais maneiras: a concupiscência carnal (v. 2) e a violência (vv. 11,12). A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade, a pornografia e a violência dominam a sociedade inteira (ver Mt 24.37-39; ver Rm 1.32).
Gn 6.6 ENTÃO, ARREPENDEU-SE O SENHOR. DEUS se revela, já nestes primeiros caps. da Bíblia, como um DEUS pessoal para com o ser humano, e que é passível de sentir emoção, desagrado e reação contra o pecado deliberado e a rebelião da humanidade.

(1) Aqui, a expressão arrependeu-se significa que, por causa do trágico pecado da raça humana, DEUS mudou a sua disposição para com as pessoas; sua atitude de misericórdia e de longanimidade passou à atitude de juízo.

(2) A existência de DEUS, o seu caráter e seus eternos propósitos traçados, permanecem imutáveis (1 Sm 15.29; Tg 1.17), porém, Ele pode alterar seu tratamento para com o homem, dependendo da conduta deste. DEUS altera, sim, seus sentimentos, atitudes, atos e intenções, conforme as pessoas agem diante da sua vontade (Êx 32.14; 2 Sm 24.16; Jr 18.7-10; 26.3,13,19; Ez 18.4-28; Jn 3.8-10).

(3) Essa revelação de DEUS como um DEUS que pode sentir pesar e tristeza, deixa claro que Ele, em relação à sua criação, age pessoalmente, como no recesso de uma família. Ele tem um amor intenso pelos seres humanos e solicitude divina ante a penosa situação da raça humana (Sl 139.7-18).
Gn 6.9 NOÉ ERA VARÃO JUSTO E RETO EM SUAS GERAÇÕES. Em meio à iniquidade e maldade generalizadas daqueles dias (v. 5), DEUS achou em Noé um homem que ainda buscava comunhão com Ele e que era varão justo .

(1) Reto em suas gerações , equivale dizer que ele se mantinha distanciado da iniquidade moral da sociedade ao seu redor. Por ser justo e temer a DEUS e resistir à opinião e conduta condenáveis do público, Noé achou favor aos olhos de DEUS (v. 8; 7.1; Hb 11.7; 2 Pe 2.5).

(2) Essa retidão de Noé era fruto da graça de DEUS nele, por meio da sua fé e do seu andar com DEUS (v. 9). A salvação no NT é obtida exatamente da mesma maneira, i.e., mediante a graça e misericórdia de DEUS, recebidas pela fé, cuja eficácia conduz o crente a um esforço sincero para andar com DEUS e permanecer separado da geração ímpia ao seu redor (v. 22; 7.5,9,16; At 2.40). Hebreus 11.7 declara que Noé foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.

(3) O NT também declara que Noé não somente era justo, como também pregador da justiça (2 Pe 2.5). Nisso, ele é exemplo do que os pregadores devem ser.
1 Co 15.35-54 COMO RESSUSCITARÃO OS MORTOS? Paulo começa aqui uma exposição da doutrina da ressurreição dos mortos em seus detalhes.
1 Co 15.51 UM MISTÉRIO. O mistério que Paulo revela é que quando CRISTO voltar do céu para buscar a sua igreja, os crentes que ainda estiverem vivos na terra terão seus corpos em um instante transformados, feitos imperecíveis e imortais (ver Jo 14.3)
1 Co 15.51 NEM TODOS DORMIREMOS. O emprego que Paulo faz de “nós”, indica que ele esposava a perspectiva do NT, i.e., de CRISTO vir buscar os fiéis ainda naquela geração. Embora CRISTO não tenha voltado durante a vida de Paulo, este não estava confundido. O apóstolo tinha razão ao crer assim, porque sabia que CRISTO poderia voltar a qualquer momento. Todos aqueles que esperam a volta de CRISTO, durante a sua vida aqui, creem da mesma forma. As palavras de JESUS e a totalidade do NT conclamam todo crente a crer que estamos na última hora, e, que ele deve viver na esperança que CRISTO voltará durante a sua vida (cf. 1.7,8; Rm 13.12; Fp 3.20; 1 Ts 1.10; 4.15-17; Tt 2.13; Tg 5.8-9; 1 Jo 2.18,28; Ap 22.7,12,20; ver Mt 24.42,44 notas; Lc 12.35). Logo, aqueles que não o aguardam já nesta vida, não estão vivendo de conformidade com o padrão apostólico.

1 Co 15.52 SEREMOS TRANSFORMADOS. A ressurreição do corpo é uma doutrina fundamental das Escrituras. Refere-se ao ato de DEUS, de ressuscitar dentre os mortos o corpo do salvo e reuni-lo à sua alma e espírito, dos quais esse corpo esteve separado entre a morte e a ressurreição. JESUS fala de uma ressurreição da vida, para o crente, e de uma ressurreição de juízo, para o ímpio (Jo 5.28,29).



EXEMPLO - PAULO - 2 Coríntios 1. 1-7

1 Paulo, apóstolo de JESUS CRISTO pela vontade de DEUS, e o irmão Timóteo, à igreja de DEUS que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia: 2 graça a vós e paz, da parte de DEUS, nosso Pai, e da do Senhor JESUS CRISTO. 3 Bendito seja o DEUS e Pai de nosso Senhor JESUS CRISTO, o Pai das misericórdias e o DEUS de toda consolação, 4 que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de DEUS. 5 Porque, como as aflições de CRISTO são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de CRISTO. 6 Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera, suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos. 7 E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação.

1.4 NOS CONSOLA EM TODA A NOSSA TRIBULAÇÃO. A palavra “consolar”, aqui, (gr. paraklesis), significa colocar-se ao lado de uma pessoa, encorajando-a e ajudando-a em tempos de aflição. DEUS desempenha incomparavelmente esse papel, pois Ele envia aos seus filhos o ESPÍRITO SANTO, que é chamado “O Consolador” (gr. Parakletos; ver Jo 14.16). O apóstolo aprendeu, nas suas muitas aflições, que nenhum sofrimento, por severo que seja, poderá separar o crente dos cuidados e da compaixão do seu Pai celeste (Rm 8.35-39). DEUS, às vezes, permite que haja aflições em nossa vida, a fim de que, tendo experimentado seu consolo, possamos também consolar outros nas suas aflições.



1.5 AFLIÇÕES… CONSOLAÇÃO. Do começo ao fim desta epístola, Paulo ressalta que a vida cristã envolve sofrimento (que deve ser considerado como uma participação ou comunhão com CRISTO no sofrimento) e a consolação de CRISTO. Nesta era, portanto, CRISTO sofre com seu povo e em favor do seu povo, devido à tragédia do pecado no mundo (cf. Mt 25.42-45; Rm 8.22-26). Nosso sofrimento não é primeiramente motivado por desobediência, mas constantemente causado por Satanás, pelo mundo e pelos falsos crentes, à medida que participamos da causa de CRISTO.



CONSOLO DE DEUS

DEUS é um DEUS de “toda consolação”, que consola os Seus, mas Ele somente pode fazê-lo se o quisermos! A disposição de receber o consolo de DEUS se manifesta no fato de aceitarmos os caminhos de DEUS, mesmo que não os entendamos! DEUS não espera que reprimamos as nossas lágrimas, Ele espera que digamos: “Senhor, o teu caminho é santo (conf. Sl 77.14), e por isso me submeto à Tua vontade e ao Teu desígnio”. Quem faz isto sinceramente se aquieta interiormente e recebe o consolo e a ajuda de DEUS!


ANGÚSTIA OU AFLIÇÃO

E o que disse o Senhor JESUS sobre a angústia? É muito esclarecedor e elucidativo observar que Ele nunca afirmou que neste mundo não haveria sofrimento. Na verdade, muitas vezes, se prega que ao se tornar cristão, a pessoa não terá mais tribulações ou tentações. Mas isso não é verdade. O próprio Senhor JESUS disse claramente: “No mundo passais por aflições…” (Jo 16.33) . E então Ele acrescenta o glorioso ‘mas’: “mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Em outras palavras: o mundo é o reino de Satanás, mas Minha vitória sobre esse mundo pode ser a sua vitória também, isto é, em Mim vocês têm a possibilidade de vencer a própria angústia. Essa é a posição de JESUS em relação à angústia!



“Está alguém entre vós sofrendo, faça oração” (Tg 5.13).

O que é angústia? Muitos poderiam dar uma resposta bem pessoal e subjetiva a essa pergunta. Falando de modo geral, angústia é um sentimento que acompanha o homem desde seu nascimento até a morte em todas as situações da vida; a angústia é companheira do ser humano. A angústia é uma das mais fortes opressoras da humanidade, é um sentimento da alma que pode atacar na mesma medida tanto o rei como o mendigo. Angústia é uma emoção que pode ser abafada mas não desligada. O homem natural não pode se desviar nem escapar dela. Na verdade existiram e existem pessoas de caráter forte que, com sua determinação, se posicionam obstinadamente diante da angústia, mas elas também não conseguem vencê-la totalmente. Podemos tentar ignorar a angústia, mas não escaparemos de situações dolorosas.

O que a Bíblia diz sobre a angústia? Ela diz, por exemplo, que angústia e sofrimento podem se tornar visíveis. Gênesis 42.21 nos relata um exemplo disso quando os irmãos de José chegaram ao Egito para comprar cereal e se encontraram no palácio de José, e, não sabendo o que fazer disseram uns aos outros: “Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos…” A angústia, assim diz a Bíblia, não só paralisa a língua, mas também faz com que ela fale. Em Jó 7.11 ouvimos Jó dizer: “Por isso não reprimirei a minha boca, falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma”. Mas angústia também faz com que até ímpios cheios de justiça própria se sintam perturbados. Quando Isaías teve que anunciar uma punição sobre Israel, falou acerca das conseqüências desse juízo: “Bramam contra eles naquele dia, como o bramido do mar; se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens” (Is 5.30). E em Isaías 8.22 o profeta tem que proclamar sobre o povo apóstata: “Olharão para a terra, eis aí angústia, escuridão, e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas”.

Esses são exemplos negativos, mas também há exemplos positivos. No Salmo 119.143, Davi nos ensina que a palavra de DEUS sempre é mais forte que a angústia: “Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer”. A angústia está presente, mas a alegria na palavra de DEUS é maior. Uma outra tradução diz: “Fiquei cercado por sofrimento e desespero, mas os teus mandamentos foram a minha grande alegria”. O poder de DEUS também sempre é maior do que a angústia: “Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salva” (Sl 138.7). No Novo Testamento, Paulo confirma essa gloriosa verdade: “Quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?… Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso Senhor” (Rm 8.35;38-39).

Agora chegamos à pergunta mais importante: quem provou os mais profundos abismos da angústia em todos os tempos? Foi o homem JESUS CRISTO no Jardim do Getsêmani. Ali Ele sofreu uma angústia tão grande que não fazemos a menor idéia do que possa ter sido passar pelo que Ele passou. Quando temos medo, quando não sabemos mais o que fazer, podemos olhar para JESUS e nos lembrar de que Sua tribulação ainda foi muito maior. Desse sentimento angustiante do nosso Senhor já lemos profeticamente no Salmo 22: “Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda. Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge. Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se-me dentro de mim. Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim me deitas no pó da morte” (vv. 11-16). Essas palavras do Senhor sofredor descrevem a profundeza abismal e ilimitada que JESUS CRISTO sofreu no Jardim do Getsêmani: a agonia da morte. Lucas 22.44 fala disso: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue, caindo sobre a terra”. Ele lutou com a morte não só na cruz mas também no Getsêmani, pois ali Ele estava morrendo. Ali Ele estava em terríveis e pavorosas agonias de morte. Este fato é refletido nas palavras: “E, estando em agonia…” Isso provocou uma violenta e mortal angústia, uma verdadeira agonia de morte. Isso Ele suportou como homem e não como DEUS, caso contrário Ele teria chamado legiões de anjos, e Satanás teria que retirar-se imediatamente. É uma grande mentira e uma ofensa à honra dizer que no Getsêmani JESUS teve medo da cruz. Aconteceu o contrário: Ele enfrentou a angústia de morrer no Getsêmani, de morrer antes da cruz, pelo que Seu sacrifício expiatório teria sido frustrado. Ele não teve medo da morte na cruz, pois Ele mesmo testificou de maneira bem clara: “Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo 10.17-18). JESUS CRISTO não quis morrer no Getsêmani, mas Ele estava morrendo, e isso O afligiu tanto que entrou em agonia e suou gotas de sangue. JESUS teve que experimentar as piores profundezas da angústia, o que significa que sofreu grande aflição. Isto deveria e pode nos ajudar e nos consolar em nossas angústias e tribulações.

Como podemos vencer nossas angústias? Depositando nossa confiança no DEUS Todo-Poderoso. Como podemos fazer isso? JESUS já fez isso antes de nós e nos serve de exemplo. Em Hebreus 5.7 lemos algo maravilhoso a esse respeito: “Ele, JESUS, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua piedade…”. Aqui se trata do momento no Getsêmani, quando JESUS, em Sua ilimitada angústia, confiou no DEUS Todo-Poderoso e O invocou em oração. Isto não é novidade para nós. Mas talvez precisemos aprender de maneira totalmente nova a aplicar isto também em nossas vidas. JESUS nos deixou o melhor exemplo de como confiar no DEUS Todo-Poderoso em nossa angústia. Em Hebreus 2.18 está escrito de maneira tão consoladora: “Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Com outras palavras: tendo sofrido e vencido e triunfado no Getsêmani e em todas as situações angustiantes de sua vida terrena, Ele também pode nos ajudar em nossos medos e angústias, e nos ajuda a vencê-los. Ele quer nos ensinar a orar com perseverança justamente nesses momentos. Ele próprio não viu outra maneira para sair da Sua angústia do que por meio de petições e súplicas. Quanto mais devemos nós também trilhar esse caminho para sair de todas as nossas angústias e apertos que nos surpreendem quase que diariamente. Tiago acentua muito esse aspecto quando diz: “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores” (Tg 5.13). Será que não seria válido começarmos a considerar e interiorizar essa verdade de maneira totalmente nova em nossas vidas? Vamos começar a confiar nEle incondicionalmente em qualquer situação? Confiar significa orar, e orar significa confiar! Os seguintes exemplos da vida de Davi devem nos mostrar o quanto ele também acreditava nessa realidade:

- “Responde-me quando clamo, ó DEUS da minha justiça; na angústia me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1).- “Na minha angústia invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu DEUS” (Sl 18.6).- “Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas” (Sl 32.6).- “Desde os confins da terra clamo por ti, no abatimento do meu coração” (Sl 61.2).- “Não escondas o teu rosto do teu servo, pois estou atribulado” (Sl 69.17).- “Em meio à tribulação invoquei o Senhor, e o Senhor me ouviu e me deu folga” (Sl 118.5).

Não são testemunhos maravilhosos? Davi creu que só havia uma escapatória na angústia: invocar o Senhor em perfeita confiança.

O que significa invocar o Senhor na angústia, orando? Essa pergunta é respondida pelas orações de Davi. Por exemplo, várias vezes aparece a expressão ‘clamar’: “Responde-me quando clamo, na minha angústia… gritei”, “desde os confins da terra clamo por ti”, “em meio à tribulação invoquei o Senhor”. Percebemos que Davi pediu socorro ao céu. Aqui temos uma chave para sermos realmente libertos das angústias. Não se trata de simplesmente orar, mas temos de clamar e suplicar. Para compreender isso devemos também observar melhor as orações de nosso Senhor JESUS feitas ao Pai quando Ele se encontrava angustiado. Tomaremos como exemplo as Suas orações e Sua confiança no DEUS Todo-Poderoso. Pois do ponto de vista bíblico, a expressão ‘invocar o Senhor‘ significa ainda muito mais. “Ele, JESUS, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua piedade” (Hb 5.7). Quando se toma essa declaração literalmente, então chegamos irrefutavelmente à conclusão de que o Senhor, na verdade, gritou, clamou e até chorou de forma audível. Não sabemos a que distância os discípulos estavam do seu Senhor no Jardim do Getsêmani, mas eles devem ter dormido profundamente, pois aparentemente não ouviram a oração de JESUS. O que nosso Senhor padeceu ali nem conseguimos explicar nem entender a fundo, mas deve ter sido uma situação terrível. Em Lucas 22.44 está escrito: “E, estando em agonia, orava mais intensamente”. Mas se queremos saber com mais precisão o que significa o que nosso Senhor “…ofereceu com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas” a DEUS, então devemos nos dar ao trabalho de estudar essas orações. Algo interessante chama a nossa atenção, ou seja: exceto no texto já citado de Hebreus 5.7, em nenhum evangelho é dito que o Senhor começou a clamar ou a gritar nessa oração. Somente Lucas indica tal situação com a expressão “…e orava mais intensamente”. Mateus descreveu o episódio da seguinte maneira: “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai: Se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres! Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!… Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras” (Mt 26.39;42 e 44). E Marcos escreve: “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres!… Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras… E veio pela terceira vez…” (Mc 14.35;36;39 e 41). Aqui vemos melhor o que a oração de nosso Senhor podia significar, pois duas cousas chamam a nossa atenção:

1. JESUS CRISTO não pronunciou essa oração apenas uma vez, mas três vezes. 2. Ele orou três vezes, mas não deixou de submeter-se à perfeita vontade de Seu Pai cada vez que orou. Que profundo mistério está oculto nessas orações!

Nosso Senhor, portanto, orou três vezes. Se Hebreus 5.7 diz que o Senhor “nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas” então se trata de que o Senhor fez esta oração três vezes! Em outras palavras: Ele orou com persistência. JESUS CRISTO se encontrava na maior angústia, e esta angústia O levou a orar. Mas essa oração não foi apenas um grito curto e isolado ao Pai. Não, Ele orou três vezes de maneira muito consciente e lúcida repetindo sempre as mesmas palavras. Depois da primeira oração, a Bíblia diz claramente: “Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo…” e depois da segunda vez: “E deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez…”. ” como seria bom se compreendêssemos isso para a nossa vida pessoal de oração!

Muitas vezes nos defrontamos com todo tipo de angústias e apertos, e o que fazemos então, quando somos tentados dessa maneira? No mesmo momento enviamos um fervoroso pedido de socorro ao céu. Mas assim que nos sentimos mais ou menos bem, seguimos novamente a rotina do dia. Não é de admirar se logo em seguida a mesma angústia nos surpreenda outra vez. A oração de nosso Senhor pronunciada conscientemente três vezes nos mostra de maneira bem clara que nós, se de fato queremos vencer as angústias que se repetem, não devemos apenas orar de vez em quando ao céu. Precisamos chegar ao ponto de levar uma vida de oração perseverante, regular. Somente assim nos tornamos filhos de DEUS que conseguem lidar de maneira correta com suas angústias. Somente assim venceremos as nossas tribulações. Três testemunhos claros das Escrituras nos exortam a orar dessa maneira:

- “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes” (Rm 12.12). - “Perseverai na oração, vigiando com ações de graça” (Cl 4.2). - “Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no ESPÍRITO, e para isto vigiando com toda perseverança…” (Ef 6.18).

Se a Bíblia diz em Hebreus 5.7 que a oração de JESUS foi ouvida e que Ele encontrou livramento da Sua angústia, então isso só aconteceu depois da Sua oração insistente e perseverante.

“não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres” (Mc 14.35-36). Não fazemos ideia de como isso é importante. Não apenas orando três vezes as mesmas palavras, mas, com isso, sempre se submetendo à vontade de seu Pai, JESUS demonstrou uma confiança tão grande que jamais haverá confiança maior. - sempre voltar a Se submeter a DEUS foi uma prova bem especial de Sua confiança no Seu Pai celestial. Ele sabia: Eu posso orar que este cálice passe de mim, mas se meu Pai celestial o quer de outra maneira, então eu aceito e me coloco totalmente em Suas mãos. Isso é confiança total no DEUS Todo-Poderoso! Devemos ter isso em mente, pois apesar de irmos a DEUS em oração, clamando e levando a Ele a nossa angústia, em última análise esperamos que Ele faça o que nós queremos. Reflitamos no que estava em jogo ali no Getsêmani: ou Ele morria ali mesmo, deixando de salvar a humanidade, ou Ele morria na cruz, como estava previsto, salvando a humanidade por tomar sobre Si a maldição do pecado. E embora a Sua obra redentora estivesse em jogo, Ele não fez a sua própria vontade, mas se submeteu totalmente à vontade de Seu Pai.

Você não quer se tornar uma pessoa assim, que aprenda a lidar com as suas angústias e a vencê-las? Então confie no DEUS Todo-Poderoso, começando a levar uma vida de oração regular e perseverante. Mas nunca se esqueça de submeter-se totalmente à vontade do Senhor JESUS enquanto ora. Essa entrega, seja o que for, sempre deve ser expressa em cada oração que você faz. Se você segue esse caminho, você se tornará um cristão que, na verdade, ainda sente todas as angústias e apertos desse mundo, mas apesar disso permanece totalmente tranquilo em tudo. Estará seguro nas mãos do Senhor, aconteça o que acontecer. O que Ele faz é sempre bom! “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). Essas são palavras do Senhor JESUS. Você crê nelas? Então viva de acordo com esta fé, confiando - justamente quando o medo quer se apoderar de suas emoções - no DEUS Todo-Poderoso e invocando-O em oração!



O SOFRIMENTO DOS JUSTOS (BEP - CPAD)
Jó 2.7,8 “Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.”

A fidelidade a DEUS não é garantia de que o crente não passará por aflições, dores e sofrimentos nesta vida (ver At 28.16). Na realidade, JESUS ensinou que tais coisas poderão acontecer ao crente (Jo 16.1-4,33; ver 2Tm 3.12). A Bíblia contém numerosos exemplos de santos que passaram por grandes sofrimentos, por diversas razões e.g., José, Davi, Jó, Jeremias e Paulo.

POR QUE OS CRENTES SOFREM? São diversas as razões por que os crentes sofrem.
(1) O crente experimenta sofrimento como uma decorrência da queda de Adão e Eva.
(2) Certos crentes sofrem pela mesma razão que os descrentes sofrem, i.e., consequência de seus próprios atos.
(3) O crente também sofre, pelo menos no seu espírito, por habitar num mundo pecaminoso e corrompido.
(4) Os crentes enfrentam ataques do diabo.

(a) As Escrituras claramente mostram que Satanás, como “o deus deste século” (2Co 4.4), controla o presente século mau (ver 1Jo 5.19; cf. Gl 1.4; Hb 2.14).

(b) Satanás e seus seguidores se comprazem em perseguir os crentes.
(5) De um ponto de vista essencialmente bíblico, o crente também sofre porque “nós temos a mente de CRISTO” (ver 1Co 2.16).
(6) DEUS pode usar o sofrimento como catalizador para o nosso crescimento ou melhoramento espiritual.

(a) Frequentemente, Ele emprega o sofrimento a fim de chamar a si o seu povo desgarrado, para arrependimento dos seus pecados e renovação espiritual (ver o livro de Juízes).

(b) DEUS, às vezes, usa o sofrimento para testar a nossa fé, para ver se permanecemos fiéis a Ele.

(c) DEUS emprega o sofrimento, não somente para fortalecer a nossa fé, mas também para nos ajudar no desenvolvimento do caráter cristão e da retidão.

(d) DEUS também pode permitir que soframos dor e aflição para que possamos melhor consolar e animar outros que estão a sofrer (ver 2Co 1.4).
(7) Finalmente, DEUS pode usar, e usa mesmo, o sofrimento dos justos para propagar o seu reino e seu plano redentor.

O RELACIONAMENTO DE DEUS COM O SOFRIMENTO DO CRENTE.

(1) O primeiro fato a ser lembrado é este: DEUS acompanha o nosso sofrer.

(2) Temos também de DEUS a promessa que Ele converterá em bem todos os sofrimentos e perseguições daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos (ver Rm 8.28).

(3) Além disso, DEUS promete que ficará conosco na hora da dor; que andará conosco “pelo vale da sombra da morte” (Sl 23.4; cf. Is 43.2).

VITÓRIA SOBRE O SOFRIMENTO PESSOAL. Se você está sob provações e aflições, que deve fazer para triunfar sobre tal situação?
(1) Primeiro: examinar as várias razões por que o ser humano sofre (ver seção 1, supra) e ver em que sentido o sofrimento concerne a você. Uma vez identificada a razão específica, você deve proceder conforme o contido em “É nosso dever”.
(2) Creia que DEUS se importa sobremaneira com você, independente da severidade das suas circunstâncias (ver Rm 8.36; 2Co 1.8-10; Tg 5.11; 1Pe 5.7). O sofrimento nunca deve fazer você concluir que DEUS não lhe ama, nem rejeitá-lo como seu Senhor e Salvador.
(3) Recorra a DEUS em oração sincera e busque a sua face. Espere nEle até que liberte você da sua aflição (ver Sl 27.8-14; 40.1-3; 130).
(4) Confie que DEUS lhe dará a graça para suportar a aflição até chegar o livramento (1Co 10.13; 2Co 12.7-10). Convém lembrar de que sempre “somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37; Jo 16.33). A fé cristã não consiste na remoção de fraquezas e sofrimento, mas na manifestação do poder divino através da fraqueza humana (ver 2Co 4.7).
(5) Leia a Palavra de DEUS, principalmente os salmos de conforto em tempos de lutas (e.g., Sl 11; 16; 23; 27; 40; 46; 61; 91; 121; 125; 138).
(6) Busque revelação e discernimento da parte de DEUS referente à sua situação específica - mediante a oração, as Escrituras, a iluminação do ESPÍRITO SANTO ou o conselho de um santo e experiente irmão.
(7) Se o seu sofrimento é de natureza física, JESUS nos cura de todas as enfermidades.

(8) No sofrimento, lembre-se da predição de CRISTO, de que você terá aflições na sua vida como crente (Jo 16.33). Aguarde com alegria aquele ditoso tempo quando “DEUS limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor” (Ap 21.4).

A INTERCESSÃO DE CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO.
(1) JESUS, no seu ministério terreno, orava pelos perdidos, os quais Ele viera buscar e salvar (Lc 19.10). Chorou, quebrantado, por causa da indiferença da cidade de Jerusalém (Lc 19.41). Orava pelos seus discípulos, tanto individualmente (ver Lc 22.32) como pelo grupo todo (Jo 17.6-26). Orou até por seus inimigos, quando pendurado na cruz (Lc 23.34). (2) Um aspecto permanente do ministério atual de CRISTO é o de interceder pelos crentes diante do trono de DEUS (Rm 8.34; Hb 7.25; 9.24; ver 7.25); João refere-se a JESUS como “um Advogado para com o Pai” (ver 1Jo 2.1). A intercessão de CRISTO é essencial à nossa salvação (cf. Is 53.12). Sem a sua graça, misericórdia e ajuda, que recebemos mediante a sua intercessão, nós nos desviaríamos de DEUS e voltaríamos à escravidão do pecado. (3) O ESPÍRITO SANTO também está empenhado na intercessão. Paulo declara: “não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo ESPÍRITO intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). O ESPÍRITO SANTO, através do espírito do crente, intercede “segundo DEUS” (Rm 8.27). Portanto, CRISTO intercede pelo crente, no céu, e o ESPÍRITO intercede dentro do crente, na terra.

DEFINIÇÃO DE PAZ. A palavra hebraica para “paz” é shalom. Denota muito mais do que a ausência de guerra e conflito. O significado básico de shalom é harmonia, plenitude, firmeza, bem-estar e êxito em todas as áreas da vida.
(1) Pode referir-se à tranquilidade nos relacionamentos internacionais, tal como a paz entre as nações em guerra (e.g., 1Sm 7.14; 1Rs 4.24; 1Cr 19.19).
(2) Pode referir-se, também, a uma sensação de tranquilidade dentro de uma nação durante tempos de prosperidade e sem guerra civil (2Sm 3.21-23; 1Cr 22.9; Sl 122.6,7).
(3) Pode ser experimentada com integridade e harmonia nos relacionamentos humanos, tanto dentro do lar (Pv 17.1; 1Co 7.15) quanto fora (Rm 12.18; Hb 12.14; 1Pe 3.11).
(4) Pode referir-se ao nosso senso pessoal de integridade e bem-estar, livre de ansiedade e em paz com a própria alma (Sl 4.8; 119.165; cf. Jó 3.26) e com DEUS (Nm 6.26; Rm 5.1).
(5) Finalmente, embora a palavra shalom não seja empregada em Gn 1-2, ela descreve o mundo originalmente criado, que existia em perfeita harmonia e integridade. Quando DEUS criou os céus e a terra, criou um mundo em paz. O bem-estar total da criação reflete-se na breve declaração: “E viu DEUS tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gn 1.31).



O CRENTE E OS DEMÔNIOS.

(1) As Escrituras ensinam que nenhum verdadeiro crente, em quem habita o Espírito Santo, pode ficar endemoninhado; i.e.: o Espírito e os demônios nunca poderão habitar no mesmo corpo (ver 2Co 6.15,16). Os demônios podem, no entanto, influenciar os pensamentos, emoções e atos dos crentes que não obedecem aos ditames do Espírito Santo (Mt 16.23; 2Co 11.3,14).
(2) Jesus prometeu aos genuínos crentes autoridade sobre o poder de Satanás e das suas hostes. Ao nos depararmos com eles, devemos aniquilar o poder que querem exercer sobre nós e sobre outras pessoas, confrontando-os sem trégua pelo poder do Espírito Santo (ver Lc 4.14-19). Desta maneira, podemos nos livrar dos poderes das trevas.
(3) Segundo a parábola em Mc 3.27, o conflito espiritual contra Satanás envolve três aspectos: (a) declarar guerra contra Satanás segundo o propósito de Deus (ver Lc 4.14-19); (b) ir onde Satanás está (qualquer lugar onde ele tem uma fortaleza), atacá-lo e vencê-lo pela oração e pela proclamação da Palavra, e destruir suas armas de engano e tentação demoníacos (cf. Lc 11.20-22); (c) apoderar-se de bens ou posses, i.e., libertando os cativos do inimigo e entregando-os a Deus para que recebam perdão e santificação mediante a fé em Cristo (Lc 11.22; At 26.18).
(4) Seguem-se os passos que cada um deve observar nesta luta contra o mal: (a) Reconhecer que não estamos num conflito contra a carne e o sangue, mas contra forças espirituais do mal (Ef 6.12). (b) Viver diante de Deus uma vida fervorosamente dedicada à sua verdade e justiça (Rm 12.1,2; Ef 6.14). (c) Crer que o poder de Satanás pode ser aniquilado seja onde for o seu domínio (At 26.18; Ef 6.16; 1Ts 5.8) e reconhecer que o crente tem armas espirituais poderosas dadas por Deus para a destruição das fortalezas de Satanás (2Co 10.3-5). (d) Proclamar o evangelho do reino, na plenitude do Espírito Santo (Mt 4.23; Lc 1.15-17; At 1.8; 2.4; 8.12; Rm 1.16; Ef 6.15). (e) Confrontar Satanás e o seu poder de modo direto, pela fé no nome de Jesus (At 16.16-18), ao usar a Palavra de Deus (Ef 6.17), ao orar no Espírito (At 6.4; Ef 6.18), ao jejuar (ver Mt 6.16; Mc 9.29) e ao expulsar demônios (ver Mt 10.1; 12.28; 17.17-21; Mc 16.17; Lc 10.17; At 5.16; 8.7; 16.18; 19.12). (f) Orar, principalmente, para que o Espírito Santo convença os perdidos, no tocante ao pecado, à justiça e ao juízo vindouro (Jo 16.7-11). (g) Orar, com desejo sincero, pelas manifestações do Espírito, mediante os dons de curar, de línguas, de milagres e de maravilhas (At 4.29-33; 10.38; 1Co 12.7-11).



Mt 5.11-12 - “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”

O texto trata propriamente dos sofrimentos que vêm aos cristãos porque eles amam a CRISTO. Como os ímpios odeiam a CRISTO, mas não podem fazer nada contra ele pessoalmente, eles atacam os seus irmãos mais novos, trazendo contra eles vários sofrimentos:

Os sofrimentos que temos em vista neste texto têm a ver com a perseguição por causa do amor a JESUS CRISTO. O próprio JESUS é o primeiro a advertir os cristãos dessa possibilidade.

Os sofrimentos vaticinados por JESUS CRISTO, por causa de nosso amor a ele, são de vários modos:

Sofrimento que vem em forma de perseguição física

A palavra grega traduzida como “perseguirem” é dioko. Ela contém a ideia de caçar, correr atrás, como se persegue a um criminoso. De qualquer modo, essa palavra implica em algum tipo de abuso físico, de molestação física, maus tratos físicos. Muitos cristãos sofreram perseguições físicas que incluíram muitos maus tratos. O texto de Hebreus 11.35-38 mostra o que significa ser perseguido com consequências físicas. Paulo reporta que a tribulação sofrida pelos cristãos é constante, pois, diz ele, “por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos entregues como ovelhas para o matadouro” (Rm 8.36). O catálogo de sofrimentos físicos foi dado pelo próprio Paulo, quando diante da perseguição por causa do seu amor a CRISTO (veja 2 Co 11.23-27).

Assim foram as perseguições nos tempos dos imperadores romanos Nero, Diocleciano, Domiciano, Trajano, etc. No tempo da Reforma, os crentes sofreram perseguições de Maria, a sanguinária, rainha dos escoceses, de alguns reis da Inglaterra, dos reis de França, etc. A igreja de JESUS CRISTO sempre está sujeita a esse tipo de perseguição que pode levar a derramamento de sangue e à morte.

O amor que os cristãos têm pelo seu Salvador, desperta um ódio tremendo nas almas dos ímpios ao ponto destes se indisporem violentamente contra aqueles.

Sofrimento que vem através de injúrias

Esse tipo de sofrimento tem um caráter um pouco diferente do anterior. Ele não contém necessariamente violência física, mas machuca a alma dos crentes. A palavra grega usada para “injúrias” é oneidizo e também contém a idéia de lançar insultos e ultrajes. MacArthur diz que “lançar insultos é atirar palavras abusivas na face do oponente, zombar depravadamente.” (John MacArthur, Matthew 1-7 - MacArthur New Testament Commentary (Chicago: Moody Press, 1985), 224-25).

Quando JESUS CRISTO foi preso, os seus algozes lançaram insultos sobre ele, ferindo-o não somente com bofetadas, mas com a língua (Mt 27.67-68). Ele foi zombado em seu ofício profético, ofício real e sacerdotal (Mc 15.17-20).

Esse tipo de sofrimento vem pelo fato dos cristãos serem expostos ao ridículo, tornando-se eles “espetáculo para o mundo” (1 Co 4.9), sendo motivo da diversão e do escárnio dos outros (Hb 11.36).

Esse tipo de sofrimento é muito dolorido porque é humilhante. Ele causa-nos, parecer aos outros, aquilo que não somos e causa em nós uma triste sensação de desolação e desesperança, até que compreendemos que é uma bem-aventurança sofrer dessa maneira e pelo motivo justo.

Sofrimento que vem pelas mentiras

Porque os seus adversários queriam condenar JESUS de qualquer maneira, eles forjaram mentiras que podem ser chamadas também de falsas acusações, calúnias ou difamações. O texto da Escritura diz que “os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra JESUS, a fim de o condenarem à morte” (Mt 26.59). Disseram que ele era “um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e dos pecadores” (Mt 11.19).

Não é diferente hoje com os filhos que são tementes e fiéis a DEUS. Eles são alvo da mentira ou falsas acusações porque o objetivo do inimigo de nossas almas é derrubar os cristãos, principalmente aqueles que estão em evidência, na ministração fiel da Palavra de DEUS, simplesmente porque eles amam a JESUS CRISTO. Nessas mentiras eles dizem todo mal contra os filhos de DEUS. Acusaram nosso Redentor de muitas coisas que ele absolutamente não era. Assim farão com os seus irmãos porque ele vaticinou: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós.” (Jo 15.20).

Sofrimento pela nossa ligação a JESUS CRISTO

Por isso, JESUS CRISTO disse: “por causa do meu nome”. Na verdade, o ódio deles não é contra nós, mas contra o próprio JESUS. Se nos identificamos com ele, sofremos as consequências dessa identificação. O alvo real de Satanás ao nos ferir com mentiras e falsas acusações e ferir o Senhor JESUS, que é o seu inimigo maior. JESUS disse que “se o mundo vos odeia” é porque antes ele me odiou a mim. Se o Senhor sofre, os seus servos também haverão de sofrer porque os servos não são maiores do que o seu Senhor. Todas as perseguições que vêm ao Senhor, os servos também podem enfrentar, sendo tudo por causa do nome do Senhor (ver Jo 15.18-21). JESUS sempre será a razão do sofrimento de muitos cristãos, que nesse caso são chamados de bem-aventurados!

Fonte: A Providência e a sua realização histórica, Heber Carlos de Campos, Ed. Cultura Cristã, pág. 564-567.

INTERAÇÃO

Prezado professor, pela graça de DEUS iniciaremos mais um trimestre. Estudaremos o tema “Vencendo as aflições da vida”. Não são poucas as afirmações equivocadas de que “o crente não sofre neste mundo”. No entanto, veremos, na presente lição, exatamente o contrário do que se é postulado em alguns arraiais evangélicos. O comentarista desse trimestre é o pastor Eliezer de Lira e Silva, conferencista em Escolas Bíblicas e diretor do projeto missionário “Ide Ensinai”, em Moçambique, África. Aproveite a oportunidade para enfatizar que a vontade de DEUS para nossas vidas é boa, perfeita e agradável.



OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Descrever as aflições do tempo presente.

Responder “por que o crente sofre?”.

Conscientizar-se de que podemos crescer e desfrutar da paz do Senhor no sofrimento.



ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

No primeiro tópico da lição, o comentarista descreve alguns acontecimentos de ordem natural, econômica e física no mundo que habitamos. Nele relatam-se as crises afirmando que essas abatem-se sobre os ímpios, mas também se sobrepõem aos crentes fiéis a JESUS. Com o auxílio da estrutura abaixo (reproduza de acordo com as suas condições) peça para a turma preencher as respectivas colunas com reportagens de revistas, jornais e internet destacando as crises e tragédias de ordens expostas no diagrama sugerido. Conclua o tópico dizendo que esses acontecimentos se dão e/ou se deram tanto a ímpios quanto a cristãos.



RESUMO DA LIÇÃO 1, NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES

I. AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE

Terremotos ou intempéries, doenças hereditárias, doenças virais, crises econômicas mundiais e/ou locais, etc…

1. De ordem natural.

2. De ordem econômica.

3. De ordem física.

II. POR QUE O CRENTE SOFRE

O pecado entrou atravéz de Adão e passou a todos. Todos já nascem com a semente do pecado “incubada”.

Todos os que querem realmente seguir a CRISTO passarão por aflições, pois o mundo e os próprios crentes que não querem o senhorio de CRISTO sobre eles, perseguirão os que querem viver piamente.

1. A queda.

2. A degeneração humana.

3. O novo nascimento e o sofrimento.

III. O CRESCIMENTO E A PAZ NAS AFLIÇÕES

DEUS está no controle de tudo. Todas as coisas contribuem para o bem do crente.

1. A soberania divina na vida do crente.

2. Tudo coopera para o bem.

3. Desfrutando a paz do Senhor.



SINÓPSE DO TÓPICO (1) As aflições do tempo presente são representadas pelas crises de ordem natural, econômica e física. Malefícios que acometem igualmente o servo de DEUS.

SINÓPSE DO TÓPICO (2) A Queda e a degeneração humana são as chaves para se compreender a realidade do sofrimento.

SINÓPSE DO TÓPICO (3) Neste mundo, estamos sujeitos às aflições e sofrimentos de qualquer espécie. A vida cristã envolve períodos difíceis e trabalhosos. No entanto, se a nossa expectativa estiver na soberania de DEUS e no seu bem, desfrutaremos, mesmo que andemos em aflição, da mais perfeita e sublime paz de CRISTO. Que ao longo desse trimestre, o Todo-Poderoso ilumine-lhe a mente e o coração para deleitar-se em sua eterna e maravilhosa graça. Amém!



BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E Agora Como Viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

RHODES, Ron. Por que coisas ruins acontecem se DEUS é bom? 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010



SAIBA MAIS pela Revista Ensinador Cristão CPAD, nº 51, p.36.



AJUDA

CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.

VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.

Peq.Enc.Bíb. - Orlando Boyer - CPAD

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/precio2.htm

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao2-2co-oconsolodedeusemmeioaaflicao.htm

Um comentário:

  1. A paz do Senhor queridos irmaos...
    Meus parabens, por esta obra evangelistica que a comuniçao usada para o bem.....
    Que o Senhor Jesus com seu imenço poder, continue os abenoando.
    Abraços cop.Ivanildo. AD.Manoel Gonçalves Londrina Pr.

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